Veteranos inspiram novas peças da São Paulo Cia. de Dança

Temporada tem influência de Deborah Colker e Pederneiras

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

05 de novembro de 2014 | 19h00

Quem acompanha a cena da dança e tem algum apreço pelo grupo Corpo, certamente vai identificar. Está lá, no primeiríssimo movimento de GEN, o jeito Pederneiras de dançar, agora em uma bailarina da São Paulo Cia. de Dança (SPCD). A coreografia é parte da programação de encerramento da temporada de 2014 da companhia: a partir desta quinta-feira e por quatro semanas, a SPCD ocupa o Teatro Sérgio Cardoso com 11 obras. Entre elas, coreografias de repertório, peças ainda inéditas na cidade de São Paulo e duas estreias. 

GEN foi criada por Cassilene Abranches, que, depois de sonhar em fazer parte do Corpo, acabou integrando o grupo. Ganhou de Rodrigo Pederneiras um solo no espetáculo Sem Mim (2011), última atuação da bailarina no coletivo mineiro. São traços desse solo que aparecem no início de GEN. “Coreografo desde 2009, mas só no ano passado me desliguei do grupo”, informa Cassilene, que quis registrar, em dança, a transição na própria carreira. 

Com uma trilha envolvente, de toques eletrônicos e rock, criada por Marcelo Jeneci e Zé Nigro, a coreografia carrega o jogo de quadril tão característico do Corpo, mas mostra influências de Michael Jackson e até de dança de rua.

Cassilene criou a peça especialmente para a SPCD, dentro do programa Ateliê de Coreógrafos Brasileiros, com o qual a companhia abre espaço para os criadores contemporâneos mostrarem o que tem sido feito na dança nacional. Apresentada entre 13 e 16 de novembro, GEN é uma das estreias deste fim de temporada. 

Executada nos mesmos dias, a segunda nova coreografia fica por conta de Rafael Gomes, também convidado por meio do Ateliê. Foi de um livro de fotografias de Otto Dix, com imagens de pessoas na Paris dos anos 1950, que ele criou Bingo!. “Juntamos as fotos e ligamos um movimento no outro”, explica. Outra parte da coreografia também vem de Dix, mas a inspiração, agora, são dos autorretratos do artista em bordéis. No palco, a ideia se expressa por intermédio de bailarinas rondando os bailarinos.

“O Rafael tem uma influência da Deborah Colker”, diz a diretora SPCD, Inês Bogéa. “Ele é ligado à urbanidade, os elementos de sua obra têm um caráter contemporâneo.” Isso fica explícito nos figurinos - todos retirados da última coleção do estilista Alexandre Herchcovitch - e na trilha, mixada pelo DJ Hisato.

Grand finale. A ocupação começa nesta quinta-feira, com um programa que vai até domingo com as já conhecidas Gnawa (2005) e Peekaboo (2013). As noites são completas com The Seasons (2014), de Édouard Lock, já vista em Campinas. A segunda semana tem, além das estreias, a coreografia Vadiando (2013). A versão de Giovanni Di Palma para Romeu e Julieta (2013) ganha o palco de 20 a 23 de novembro. A temporada se encerra com a Gala SPCD, de 27 a 30 de novembro. Com quatro espetáculos, a noite vai ter a presença dos brasileiros Thiago Soares, que dança no Royal Ballet, e Daniel Camargo, do Stuttgart Ballet. 

PARTICIPAÇÕES ESPECIAIS (27 A 30/11)

Grand Pas de Deux de 'Dom Quixote'

O momento em que os protagonistas da obra se casam é coreografado por Marius Petipa. Com o paulistano Daniel Camargo, do Stuttgart Ballet

Grand Pas de Deux de 'O Crisne Negro'

O coreógrafo Mario Galizzi recorta do clássico o instante em que o príncipe Siegfried se encontra com Odile. Com o carioca Thiago Soares, do Royal Ballet

SÃO PAULO COMPANHIA DE DANÇA

Teatro Sérgio Cardoso. Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, 3288-0136. 5ª e sáb., 21 h; 6ª, 21h30; dom., 18h. R$ 25. Até 30/11.

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