Alex Silva/Estadão
Alex Silva/Estadão

Projeto de Lei pode reverter despejo do Núcleo Bartolomeu de Depoimentos

Em audiência pública nesta quinta-feira, artistas e políticos debateram sobre o uso do espaço público

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

04 Dezembro 2014 | 18h48

Marcada para as 15h desta quinta-feira (4), a audiência pública em apoio ao Núcleo Bartolomeu de Depoimentos na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo foi comandada pelo deputado Carlos Giannazi (PSOL) e teve a presença dos quatro fundadores do grupo (todos trajando preto), além do eleito deputado federal Orlando Silva (PCdoB) e de Zé Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina.

A audiência ocorreu na semana seguinte ao despejo do coletivo teatral de sua sede, na Pompeia. Desde dezembro o Núcleo Bartolomeu estava em conflito com a Ink Incorporadora, que pretende construir o empreendimento Tetrys Pompeia no local. Apesar de a audiência ser pública, não havia nenhum representante da empresa no local.

No auditório José Bonifácio, três telões exibiam o edifício do teatro já parcialmente demolido, sendo preparado para as obras do empreendimento. Giannazi comentou que acompanhou e tentou, sem sucesso, intervir no despejo. "É a força da grana que ergue e destrói coisas belas, mas, nesse caso, só destrói", disse, lembrando a canção Sampa, de Caetano Veloso.

Em seguida, falou sobre o Projeto de Lei 1382/2014, que autoriza o Poder Executivo a desapropriar, para fins socioculturais, o imóvel onde estava instalado o grupo. "O projeto está tramitando. É um instrumento de luta que, se aprovado em urgência, pode reverter a situação", explicou.

Em um discurso emocionado, o porta-voz do Núcleo Bartolomeu, Eugênio Lima, resgatou a cronologia do caso, enfatizando que a incorporadora não estava aberta a negociação (em notas enviadas ao Estado em outras ocasiões, a emoresa garantiu estar aberta ao diálogo e agir dentro da lei). Lima defendeu que a cidade é um esoaço de convivência e se torna um feudo se isso não é respeitado. "O Brincante faz parte da paisagem artística da Vila Madalena e é usado como moeda de troca", exemplificou, lembrando o teatro de Antonio Nóbrega, que deve sair do local onde está até dezembro de 2015.

Também presente, o presidente da Cooperativa Paulista de Teatro, Rudifran Pompeu, afirmou também ter acompanhado o despejo e manifestou indignação com o que ouviu na ocasião. "Tinha gente dizendo 'Nós despejamos o Pinheirinho em três dias, não vamos conseguir despejar esse grupo em um?'. É contra esse tipo de gente que estamos lutando!"

Falando sobre o próprio caso, Zé Celso anunciou que está próximo de um acordo com o Grupo Silvio Santos, que detem os terrenos no entorno do Teatro Oficina. Se disse cansado da indignação e da luta baseada na reclamação, sem ações efetivas. "Ficar indignado é coisa da direita, nós não temos tempo pra isso. Sou contra a resistência e a favor da re-existência, o Bartolomeu tem de arranjar maneiras de continuar existindo."

Também fundadoras do coletivo, Luaa Gabanini e Roberta Estrela D'Alva fizeram uma pequena performance: uma oferenda ao dia de Iansã. Ao fim da audiência, os presentes participariam da sessão no plenário, que acabou sendo cancelada por falta de quórum. Giannazi sugeriu que, de agora em diante, o Núcleo Bartolomeu de Depoimentos use o espaço da Assembleia Legislativa para ensaios quantas vezes quiser.

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