Oficina e Grupo Silvio Santos estão perto de acordo

Reuniões recentes dos dois lados apontam para confluência de interesses

Murilo Bomfim, O Estado de S. Paulo

12 Dezembro 2014 | 03h00

José Celso Martinez Corrêa, diretor do Teatro Oficina, está prestes a chegar ao final de uma história que, sozinha, dura muito mais que seus longos espetáculos somados. E o final, provavelmente, será feliz: uma série de reuniões recentes (a última ocorreu ainda nesta semana) entre representantes do Oficina e do Grupo Silvio Santos aponta para um acordo entre as partes.

O imbróglio começou em 1980, quando o Grupo Silvio Santos manifestou interesse em construir um empreendimento no quarteirão do Oficina, que fica no número 520 da Rua Jaceguai, no bairro paulistano da Bela Vista. A nova edificação prejudicaria o projeto original do teatro, assinado pela arquiteta Lina Bo Bardi (1914 -1992), que preza pela conexão entre a arte e a cidade.

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“Ninguém aguenta mais essa luta. Ambos estamos de saco cheio: um fica empatando o trabalho do outro”, diz Zé Celso, afirmando que, se antes eram rivais, agora as partes estão do mesmo lado. Segundo o diretor, o conflito ideológico já foi superado, restando apenas os acertos burocráticos – embora ainda haja uma ação de reintegração de posse em trâmite.

A ideia debatida nos encontros consiste em uma troca de terrenos. De acordo com Zé Celso, os Ministérios da Cultura (MinC) e do Planejamento, Orçamento e Gestão (MPOG) encontraram uma área de posse da União na região da via Anhanguera – próxima às dependências do SBT. O espaço seria cedido ao Grupo Silvio Santos, em troca das terras no entorno do Oficina, que passariam a ser de domínio público, respeitando o projeto original do teatro. Ainda informal, o acordo pode ser concluído em fevereiro, após a definição do Plano Diretor da cidade.

Segundo uma das arquitetas cênicas da companhia, Marília Gallmeister, ela esteve presente na última reunião representando o teatro ao lado de Zé Celso e dos atores Marcelo Drummond e Pascoal da Conceição. Havia, ainda, dois representantes e um advogado do Grupo Silvio Santos e funcionários do MinC, MPOG e da Secretaria Municipal de Cultura (SMC).

Zé Celso preferiu não dar detalhes das conversas para não prejudicar o bom andamento das negociações, mas afirmou que as partes estão dispostas ao entendimento. O MPOG disse não poder comunicar o teor das reuniões até que todos os encaminhamentos sejam concluídos. Procurados pelo Estado, o presidente do Grupo Silvio Santos, Guilherme Stolliar, disse, por meio de sua secretária, que não falaria sobre o assunto, e o diretor da Sisan Empreendimentos Imobiliários (empresa do Grupo Silvio Santos), Eduardo Velucci, não se manifestou até o fechamento desta edição.

Futuro. O conflito extrapola a questão do Teatro Oficina e acaba se estendendo à Bela Vista. Prova disso é o projeto ‘Anhangabaú da Feliz Cidade’. Criada por arquitetos do Oficina em parceria com outros profissionais do ramo e com a participação dos moradores do bairro na 10ª Bienal de Arquitetura, em 2013, a proposta engloba os baixios do Viaduto Jaceguai e terrenos adjacentes para formar um corredor cultural. A área começaria nos teatros da Avenida Brigadeiro Luís Antônio e seguiria pelo Oficina, passando pela sede da companhia Os Fofos Encenam e seguindo com instituições culturais até a Praça Roosevelt, reduto teatral da Consolação. A ideia foi apresentada informalmente à SMC e necessita de uma rede de parcerias.

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