Marcelo Médici estrela a peça 'Cada Dois com Seus Pobrema'

Ator dá outros textos a conhecidos personagens clássicos

Murilo Bomfim , O Estado de S. Paulo

09 Setembro 2014 | 20h12

Marcelo Médici tem uma relação dual com a internet. Ainda que reclame do efeito da popularidade do YouTube e da velocidade dos memes sobre o mundo do humor, foi da rede que veio a vontade de fazer Cada Dois com Seus Pobrema - seu novo espetáculo que estreia hoje no Teatro Frei Caneca.

"O público pediu. Juro", diz o ator e dramaturgo, sempre preocupado em mostrar humildade. Ele conta que, após fazer contato com os fãs pelo Facebook e fazer pesquisas com o público da peça anterior, Cada Um com Seus Pobrema, achou que seria necessário inventar novas histórias aos já requisitados personagens que criou. Veja trechos da conversa de Marcelo Médici com o Estado.

O seu espetáculo anterior ficou em cartaz por dez anos e foi visto por mais de 200 mil pessoas. O que explica este sucesso?

Não sei explicar. Eu nem esperava por isso. Cheguei a ter ingressos esgotados com três meses de antecedência. Agora, antes da estreia, já estamos esgotados neste mês. Acho que o boca a boca continua sendo o grande lance: as pessoas vêm assistir e recomendam. Também tem a variedade de personagens: quem não gosta muito de um, pode adorar outro.

Você fez parte da primeira formação da Terça Insana, mas ficou apenas um ano. O grupo o beneficiou de alguma maneira?

Foi importantíssimo. Quando fiz a Terça, já tinha ganho o Prêmio Multishow com o Sanderson (personagem corintiano criado por Médici). Fiz este número algumas vezes até que a Grace (Gianoukas, diretora da 'Terça') me chamou para ficar. Ela é extremamente generosa. Lá, eu consegui criar e desenvolver personagens que ganharam corpo no Cada Um... 

Você é um humorista que nunca se envolveu em polêmicas. Tem uma preocupação com as piadas que faz?

Eu tento ter um cuidado na forma como eu faço. Penso sobre o que desagradaria ao público. Às vezes, tem alguma piada que eu dou risada, mas acho melhor não colocar. Também tem a Paula (Cohen, diretora do espetáculo), que é mulher, e às vezes discorda de algumas piadas. Mas acho que a comédia uma hora pisa no pé das pessoas. Não tem como fugir. 

Em Cada Dois com Seus Pobrema, você dá novos textos a personagens já conhecidos. Não pensou em criar novos personagens?

O público não queria. Até aceitavam, mas diziam “não pode faltar o Mico, o Sanderson, a Mãe Jatira...”. Criei a Lídia Arósio, uma atriz que, assim como Lídia Brondi e Ana Paula Arósio, fizeram sucesso, mas desistiram da profissão. O número é feito com base em um mix de coisas que eu vi, e o fato de a personagem ser atriz potencializa tudo. 

Recentemente, você postou em seu Facebook uma reclamação sobre Zorra Total, que teria plagiado o personagem Sanderson. 

O problema é que, além de o personagem do Zorra ser corintiano e se vestir da mesma forma que o Sanderson, ele usava o mesmo bordão "Eu podia estar matando, roubando ou dormindo com a sua mina". A Globo me chamou para conversar, foi uma conversa adulta e as coisas foram resolvidas.

CADA DOIS COM SEUS POBREMA

Teatro Frei Caneca. R. Frei Caneca, 596, tel. 3472-2229. 3ª e 4, 21 h. R$ 25/ R$ 70. Até 26/11.

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