MIGUEL SÁ/DIVULGAÇÃO
MIGUEL SÁ/DIVULGAÇÃO

Diogo Vilela e Sylvia Massari atuam no musical ‘Sim! Eu Aceito!’

Montagem de Cláudio Figueira estreia nesta sexta-feira no Rio

Ubiratan Brasil, O Estado de S. Paulo

05 Dezembro 2014 | 03h00

Casamentos nem sempre sobrevivem por muito tempo, mas aqueles que perduram geralmente são marcados por turbulências e bonanças. São justamente os altos e baixos de um relacionamento que dura 50 anos o mote de Sim! Eu Aceito! – O Musical do Casamento, que estreia nesta sexta-feira, 5, no Teatro das Artes, no Rio de Janeiro.

Diogo Vilela e Sylvia Massari vivem o casal Michael e Agnes, que enfrenta todos os problemas nascidos durante cinco décadas de vida em comum: desde a noite de núpcias, o nascimento do primeiro filho, o sucesso na vida profissional, o eventual caso extraconjugal, até o casamento dos filhos e o envelhecimento a dois.

O espetáculo é a primeira montagem fora dos Estados Unidos do musical I Do! I Do!, que estreou em 1966, com texto de Tom Jones e música de Harvey Schmidt, protagonizado por Robert Preston e Mary Martin, recebendo oito indicações ao Tony (ganhou o de ator).

“O que me atraiu foi a construção do texto”, conta Vilela. “Principalmente o bom humor, que é um gênero que eu não vinha praticando ultimamente.” A graça está justamente em acompanhar as agruras do casal e seu envelhecimento ao longo de 50 anos. “Trabalhamos nos detalhes para mostrar essa passagem do tempo”, conta Sylvia, que aproveita para ironizar: “Claro que, na fase final, quando os personagens atingem a minha idade e a do Diogo, fica mais fácil”.

“Trata-se do único espetáculo da Broadway feito para dois atores, o que exige muito deles. Diogo e Sylvia não têm tempo para pensar, as coisas acontecem e ambos só têm um ao outro para se apoiar. A construção do texto nos conduz às transformações por que passam os personagens ao longo destes 50 anos”, comenta Cláudio Figueira, diretor do espetáculo.

Já o dramaturgo Flávio Marinho, responsável pela versão em português, acredita na força do humor do texto. “O humor malicioso foi adensado e a fluência do diálogo está vivamente mantida. A irreverência, que está em nosso temperamento e tempero, e o fato de estarmos no século 21 possibilitaram a esta nossa versão uma ‘animada’ no relacionamento de Agnes e Michael. As músicas funcionam como extensões das cenas, e não números isolados como às vezes ocorre em alguns musicais”, diz.

Diogo Vilela adiciona elogios à música composta por Tom Jones, “uma letra fácil para o intérprete”. “Não é simples, mas, como o Flávio costuma dizer, a integração entre canções e a trama é tão perfeita que fica difícil imaginar que o espetáculo não tenha nascido como um musical”, afirma.

De fato, a origem da história começa em 1951, quando estreou na Broadway a comédia The Four Poster (Uma Cama de Quatro Colunatas). Na linha de frente, um casal de atores da pesada, Jessica Tandy e Hume Cronyn. O sucesso inspirou um remake, agora com Lilli Palmer e Rex Harrison, sob o título de O Leito Nupcial. Até que, na década seguinte, resultou no musical. “As canções, como costuma acontecer desde Oklahoma!, de 1943, fazem avançar a narrativa, ilustram o estado de espírito dos personagens, fazendo-os cantar quando somente as palavras não são mais suficientes para revelar o que lhes vai n’alma”, completa Flávio Marinho.

Vilela conta que ensaiou muito ao lado de Sylvia – apesar de se conhecerem bem e há muito tempo, o desafio era tornar verossímil o momento em que se abandona a palavra falada e entra o canto. “Quando a orquestra entra, temos de saber o segundo exato para começar a acompanhar.”

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