Bruce Gomlevsky monta 'BlackBird' no Rio

Peça de David Harrower traz o reencontro de um homem e uma mulher que viveram caso polêmico quando ela tinha 12 anos e ele, 40

Daniel Schenker, Especial para O Estado de S.Paulo

07 Setembro 2014 | 02h07

RIO - Bruce Gomlevsky vem se destacando em meio ao panorama teatral brasileiro pela realização de espetáculos concebidos com dramaturgia consistente, seja clássica ou contemporânea. Ator, Bruce também abraçou a função de diretor há alguns anos, tarefa que tem exercido dentro e fora de sua companhia, a Teatro Esplendor, fundada em 2008. Com o grupo conduziu encenações de Volta ao Lar, de Harold Pinter, O Homem Travesseiro, de Martin McDonagh, Festa de Família, de Thomas Vinterberg, Mogens Rukov e Bo Hr. Hansen, e O Funeral, de Vinterberg e Rukov.

"Busco peças que vão fundo na condição humana. A questão não é caminhar na contramão, mas falar do que sinto necessidade. Acho que a dramaturgia ainda é um bom ponto de partida, mesmo se o objetivo for desconstruí-la", observa Bruce, que, agora, apresenta, através de montagem feita fora da companhia, mais um texto cultuado: BlackBird, do conceituado dramaturgo escocês David Harrower. A estreia estava prevista para o sábado, 6, no Teatro Gláucio Gil, no Rio.

A peça chegou às mãos de Bruce em 2009, durante a temporada de Festa de Família em São Paulo. "Recebi o texto de uma amiga, a atriz Teresa Fournier. Li e adorei. Tentei comprar os direitos. Mas, naquela época, BlackBird já estava sendo montada em São Paulo. O tempo passou e pensei em retomar a peça. Percebia conexões com os demais textos do repertório da companhia. Tentei novamente comprar os direitos e descobri que estavam com Viviani Rayes. Entrei em contato há cerca de cinco meses e ela me disse que tinha diretor para a montagem. Tempos depois, me ligou avisando que o diretor havia saído do projeto e me convidando para assumi-lo", relata Bruce.

BlackBird coloca o público diante do acerto de contas entre um homem e uma mulher. Eles viveram uma história de amor polêmica quando ela tinha 12 anos e ele, 40, e se reencontram 15 anos depois. "A relação pode ser considerada, de certa maneira, como um caso de abuso. Mas se apaixonaram sinceramente", sublinha o diretor. Harrower se inspirou num acontecimento real de pedofilia ocorrido em 2003 entre um ex-fuzileiro naval norte-americano e uma britânica. "O autor leu essa história no jornal. Entretanto, não firmou compromisso de fidelidade com o fato", pondera Bruce, acerca da peça que vem rendendo elogiados espetáculos mundo afora e atraindo encenadores renomados como Peter Stein.

Produzida pelos atores Viviani Rayes e Yashar Zambuzzi, essa nova montagem de BlackBird evidencia a determinação em evitar qualquer excesso. Bruce Gomlevsky investe na dramaturgia e no trabalho do elenco (além de Viviani e Zambuzzi, Lorena Comparato interpreta a enteada do personagem de Zambuzzi). O vínculo de Bruce com uma dramaturgia de peso é confirmado por seus próximos projetos. No dia 9 de outubro, estreará, no Teatro Maison de France, sua montagem de Timon de Atenas, de William Shakespeare, que traz na equipe a crítica de teatro Barbara Heliodora como orientadora teórica e dramatúrgica. Em 13 de novembro, Bruce dará continuidade às temporadas de Festa de Família e O Funeral, que voltarão a ser mostradas conjuntamente - desta vez, no Teatro Poeirinha. Como ator, planeja fazer o monólogo Uma Ilíada, de Denis O'Hare (baseado em Ilíada, de Homero), sob a direção de Stephane Brodt, e Hamlet, de Shakespeare, em encenação de Mauro Mendonça Filho.

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