João Caldas/ Divulgação
João Caldas/ Divulgação

Teatro e cinema driblam a crise com criatividade

Enquanto produtores fazem acordos com proprietários, exibidores e distribuidores apostam em público diversificado

Flávia Guerra e Maria Eugênia de Menezes, O Estado de S.Paulo

21 de março de 2014 | 02h09

Mesmo diante das dificuldades, muitas produções devem seguir em ritmo normal (ou quase) durante a Copa. "É uma incógnita como o público irá reagir. Precisamos ficarmos mais cautelosos nesse momento. Mas resolvemos manter O Rei Leão ", comenta Stephanie Mayorkis, diretora de conteúdo da Time 4 Fun. "Temos confiança de que o espetáculo pode funcionar como uma atração turística, com potencial para atrair as pessoas de fora que estarão na cidade."

Para encenar Quem Tem Medo de Virginia Woolf?, o produtor Giuliano Ricca saiu em busca de alternativas. Resolveu manter o espetáculo em cartaz, mas negociou com os donos de teatro. "Só estamos fazendo porque eles toparam dividir riscos conosco. Vamos trabalhar em condições especiais e testar", argumenta. "Ainda não sabemos como vai funcionar. Será uma experiência. Temos que esperar. Estou preocupado. Mas confiante."

Outra dificuldade para uma produção que vem de outra cidade - como é o caso da montagem carioca de Quem Tem Medo de Virginia Woolf? que chega a São Paulo em abril - , é o preço inflacionado das passagens e dos hotéis. "Ficou tudo caríssimo e atrapalha muito quem tem que manter rotina normal de trabalho", diz Ricca.

Até o público que gosta de futebol irá buscar outras alternativas de diversão, acredita Aniela Jordan, da Aventura Entretenimento. "As pessoas não irão querer assistir só aos jogos. É claro que não teremos sessões durante as partidas do Brasil. Mas os musicais mobilizam, as pessoas gostam de assistir quando viajam."

A Aventura decidiu manter duas grandes produções em atividade durante o período: Elis, a Musical continuará normalmente em cartaz em São Paulo. No Rio, Se Eu Fosse Você, que estreia hoje, poderá ser visto pelo público mesmo na época dos jogos.

Para lidar com a situação atípica, empresas investem em diferentes estratégias de comunicação. "Pretendemos trabalhar ao lado das redes hoteleiras e das agências de turismo para mobilizar o público", conta Aniela.

Se muitas casas planejam manter seus espetáculos em cartaz, as estreias nesse período estão praticamente descartadas. Produtores são unânimes em sua posição de esperar pelo mês de agosto para lançar novas obras. "Evitamos programar qualquer estreia para essa época do ano: fica muito caro e as atenções do público e da imprensa estão voltadas para outro assunto", crê a diretora da Time 4 Fun.

No cinema, diversos produtores, exibidores e distribuidores vão se adaptar, mas não parar. No período dos jogos, cerca de 20 estreias estão previstas. Entre elas, Como Treinar Seu Dragão 2 e Amazônia 3D, da Gullane Filmes, com distribuição da Imovision. "Em ano de grandes eventos esportivos, a cultura sofre. É natural. Vamos mirar em quem está interessado no cinema. Continuamos filmando também uma série durante a Copa", informa o produtor Caio Gullane.

O distribuidor Marcio Fracarolli, da Paris Filmes, também está otimista. "Na Alemanha, o índice de frequência diminuiu cerca de 20% durante a Copa. Aqui, algumas companhias estrangeiras tomaram a decisão de encavalar datas de estreia. Enxergo como oportunidade e vou manter minhas estreias. Muitos cinemas ficam em shoppings e não podem fechar. Ninguém vai passar todos os dias na frente da TV", diz ele, que lança uma semana antes da Copa a comédia Os Homens São de Marte... E É Para Lá que Eu Vou, e, em 19 de junho, o longa O Menino do Espelho. "A solução é ser criativo. Vamos investir em filmes família e para o público feminino também", diz o exibidor e distribuidor Adhemar Oliveira.

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