Parte da Satyrianas muda de endereço com reforma na Praça Roosevelt

Grupo Os Satyros confirma 78 horas ininterruptas de programação artística entre os dias 25 e 28 de novembro

Carolina Spillari e Kívia Costa, Estadão.com.br

16 de novembro de 2010 | 11h10

 

 

 

 

Tudo começou com um trote. O diretor Rodolfo Garcia, um dos fundadores dos Satyros, conta de um ator que foi demitido da Apetesp (Associação dos Produtores de Espetáculos Teatrais do Estado de São Paulo), ficou chateado e levou junto a agenda da associação, cheia de telefones de celebridades. Foi então que Ivan Cabral, outro fundador dos Satyros, sugeriu uma vingança lúdica: passar trotes em ordem alfabética. Já na letra 'V', Ivan chama a cantora Vanusa para descer a Rua da Consolação cantando Manhãs de Setembro, em um festival que saudaria o teatro e a chegada da primavera daquele ano de 1991. Detalhe: a apresentação seria às 6 horas da manhã de um domingo. "Ela adorou a ideia! Aceitou o convite na hora", lembra Garcia.

 

Vanusa não compareceu, mas os Satyros levaram a brincadeira a sério. Fizeram o festival Folias Teatrais, rebatizado em 2001 de Satyrianas. Desde então, o evento acontece todos os anos e, só em 2009 reuniu cerca de 50 mil pessoas."A ideia era fazer um Carnaval, um grande mix", explica Rodolfo. Nesse intervalo, a companhia passou uma temporada na Europa, e em 1998, a Satyrianas foi retomada em Curitiba. Apenas em 2001 o evento voltaria a São Paulo com o nome atual. 

 

E deu certo. Em um clima de informalidade e interação com o público, centenas de atores das mais diversas formações se apresentam em tendas e teatros em diversos endereços de toda a cidade. Vão ser 78 horas de atrações a partir das 18 horas do dia 25 de novembro com musicais, peças já em cartaz e apresentações inéditas, como as do Dramamix, que engloba só peças de 20 minutos, feitos exclusivamente para o evento.

 

A tônica estabelecida são os acasos e os encontros que levam a outros.  "O grande barato das Satyrianas é ser um catalisador de encontros. Há muitas peças em São Paulo que foram produzidas a partir de coisas que aconteceram aqui", comenta Otávio Martins, ator que passou a ser também diretor após uma edição das Satyrianas. Apesar do caráter de experimentação, todas as apresentações são planejadas, têm roteiro e elenco. Prova disso são as mais de mil pessoas envolvidas na infraestrutura do evento.

 

Este ano, em sua 11ª edição, as Satyrianas terá 70 apresentações, selecionadas entre mais de 250 inscrições dentro do Cenamix - tenda criada para atender a demanda de artistas de diferentes vertentes teatrais. "Gostaríamos que todos que nos contataram participassem, mas infelizmente temos que limitar o número de participantes, que vai muito além de nossa capacidade", conta Rodolfo Garcia.

 

Novo espaço. Com a reforma da Praça Roosevelt, tradicionalmente o centro do festival, as tendas e os palcos das peças do Dramamix - escritas especialmente para o evento - vão ser deslocados para o terreno da Rua Augusta, entre a Rua Caio Prado e a Marquês de Paranaguá. "Vai ser a Satyrianas da resistência, mas também teremos uma distância maior para circular", imagina o fundador do grupo. A festa só é possível pela integração de outros grupos aos tradicionais da Praça. “A Satyrianas só existe por ser um evento que extrapola o próprio Satyros”, dimensiona  Rodolfo Garcia.

 

Além do Dramamix e o Cenamix, a Satyrianas terá o Residência - dirigido a performances sensoriais e ao 18° Festival Mix Brasil da Diversidade Sexual -, café literário - onde vão ocorrer debates sobre teatro literatura, jornalismo, crítica e dramaturgria -, Visumix - projeções de filmes e arte -, Feminix - feminino em destaque com mostra de fotografias -, Ouvir Contar - encenação de peças em domicílios da Praça Roosevelt -, Diálogos - observação estética e crítica em blogs e no site oficial do evento (http://satyros.uol.com.br/satyrianas/index.php/as-satyrianas) - e intervenção do Teatro da Vertigem pelas ruas da Bela Vista.

 

As artes da dança estarão contempladas com o Satyras da Dança e o circo, no Circomix. Por sua vez, os 20 anos do Satyros serão celebrados com artistas de histórias em quadrinhos que criarão um obra inédita em conjunto, além da Jam session de HQ na Livraria HQ Mix.

 

Um dos destaques deste ano, o Cinemix, irá direcionar seus esforços para a produção de um documentário que será filmado durante o evento. "Não sabemos o que vai acontecer. Vai ter uma estrangeira recém-chegada na Praça. Vamos seguir a trajetória dela durante as Satyrianas", antecipa o roteiro Daniel Gaggini, diretor do filme. "Pode sair um longa, um curta ou um clipe", brinca. Curtas-metragens também serão exibidos.

 

Fotografia. O Fotomix vai reunir fotógrafos voluntários e dividi-los pelos espetáculos das Satyrianas e por turnos. O resultado vai gerar diversas exibições durante as Satyrianas. "É uma oportunidade de trabalhar fotógrafos de espetáculos, aprender ajuste de luz e lentes, a agir com discrição", explica a fotógrafa de dança Inês Correa, uma das organizadoras do Fotomix.

 

Em 2009,  no Fotomix foram feitas mais de 120 mil imagens. O resultado do ano passado poderá ser visto na abertura desta edição (http://maratonafotomix.wordpress.com/). Ao longo do evento, haverão projeções e exibições de curtas. Os interessados podem se inscrever pelo e-mail maratonafotomix@gmail.com.

 

O preço dos ingressos vai depender do local e da proposta. Poderá ser de graça, com valor fixo ou 'ingresso consciente'. "Cada um paga o que pode, o que acha que deve pagar. Tem gente que dá 20 reais, outros, 20 centavos", diz Rodolfo. "O que a gente quer é que todos participem", convida.

 

SERVIÇO

SATYRIANAS, UMA SAUDAÇÃO À PRIMAVERA

Quando: de 25 a 28 de novembro

Onde:  Rua Augusta, teatros da Praça Roosevelt e outros

Quanto: Grátis (ingresso consciente)

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