Ópera 'Aída' vira musical de Elton John com letras em português

A trágica história de amor entre umcapitão egípcio e uma princesa núbia, contada na famosa óperade 1871 de Giuseppe Verdi, "Aída", será recriada pela segundavez em menos de quatro meses em São Paulo, mas agora em climaainda mais popular, com músicas de Elton John e letras emportuguês. "Aída, Musical de Elton John e Tim Rice" estréia na próximaquinta-feira, no Teatro Cultura Artística, após ficar quatroanos em cartaz na Broadway, receber quatro prêmios Tony eviajar por países como Itália, Alemanha e Japão. A produção chega no embalo dos grandes espetáculos quetomaram conta da cidade. Só no momento, há dois musicais daBroadway em cartaz, "Miss Saigon" e "Os Produtores". Em outubrodo ano passado, uma versão suntuosa da ópera "Aída" foiencenada na cidade, com direito a show de pirotecnia. Entre os musicais, a novidade de "Aída" é o clima de Egitoantigo e as canções de Elton John, que vão do rock ao pop, compitadas de blues e reggae. Embora as letras de Tim Rice tenham sido traduzidas, aspartituras são originais e interpretadas por uma orquestra de15 músicos posicionados atrás do palco. O musical, que encolheu a ópera de quatro atos para doisatos, conta a história da princesa núbia Aída, que se finge deescrava ao ser capturada pelo capitão egípcio Radamés. Intrigado por sua bravura, Radamés livra Aída do trabalhopesado nas minas de cobre e a leva de presente como escravapara sua noiva, a princesa egípcia Amneris, dando início aotriângulo amoroso. IRREVERÊNCIA O elenco é composto por 35 atores, coristas e bailarinos --número bem aquém ao da ópera, com cerca de 200 integrantes. Oator e cantor Saulo Vasconcelos, 34 anos, é um dos destaques,no papel do vilão Zoser, ministro do Faraó e pai de Radamés. Saulo, que interpretou o papel título de "Fantasma daÓpera" e foi protagonista de "A Bela e a Fera", assistiu àprodução em Nova York há alguns anos e acredita que a versãobrasileira consegue ter mais jogo de cintura. "Os americanos têm uma frieza da técnica, e a genteconsegue colocar mais alma na história", afirmou SauloVasconcelos durante uma apresentação para a imprensa, naquinta-feira. Outro toque brasileiro fica por conta do figurino de épocacriado por Rui Cortez. Pregadores de roupas e pazinhas desorvete compõem detalhes das roupas dos escravos da Núbia,assim como as presilhas de cabelo brilhantes da túnicamajestosa do faraó. "Gosto de colocar elementos contemporâneos. Acho que porser Elton John, dá para ter essa liberdade, essa irreverência",disse Cortez.A dupla central, Aída e Radamés, é interpretada por dois atorese duas atrizes, que irão se revezar nas 32 apresentaçõesagendadas até começo de abril. Uma delas é Andrea Marquee, 36anos, que já fez "Hair" e "Rent". O orçamento de "Aída" é de 5 milhões de reais, sendo 3,9milhões captados pela Lei Rouanet. A quantia é singela secomparada a um dos musicais mais caros já feito no Brasil,"Miss Saigon", de 24 milhões de reais, mas está na média deespetáculos como "Chicago" (4 milhões de reais).

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