Municipal de SP abre temporada com óperas e homenagens ao Japão

O Teatro Municipal de São Paulo, que inicia a temporada de 2008 nesta sexta-feira, terá oito montagens de óperas ao longo do ano, incluindo quatro novas produções, como "Madame Butterfly", que faz parte das comemorações dos 100 anos da imigração japonesa no Brasil. A ópera sobre a trágica história de uma gueixa apaixonada vai celebrar também os 150 anos de nascimento de seu compositor, o italiano Giacomo Puccini. A artista plástica Tomie Ohtake, 94 anos, que nasceu em Kyoto e se naturalizou brasileira, será responsável pelos figurinos e pelos cenários. A nova produção, com estréia em junho, contará com 160 artistas no palco, entre membros da orquestra, solistas, atores e coro. A direção cênica será de Jorge Takla, diretor de óperas e musicais populares, como "My Fair Lady" e o inédito "West Side Story". A montagem chegou a ser realizada no Municipal do Rio de Janeiro nos anos 1990, também com assinatura de Ohtake e Takla, mas todo figurino e cenário foram perdidos em uma enchente. "Para homenagear o centenário e também Puccini, lembrei dessa produção com a Tomie, que no meu entender é um símbolo do imigrante bem-sucedido no Brasil e nas artes plásticas", disse o maestro Jamil Maluf, diretor artístico do Municipal. "Madame Butterfly" terá cinco apresentações, e os ingressos já estão à venda, nos valores de 10 a 40 reais. Outros eventos para celebrar os 100 anos da imigração serão o concerto inédito no país de tambores japoneses do artista Kenny Endo, e as execuções de "From Me Flows What You Call Time", de T. Takemitsu, e "Trenodia para as Vítimas de Hiroshima", de K. Penderecki. Das oito óperas da programação, outras três terão montagem nova, ao custo de cerca de 600 mil reais cada, como "Sansão e Dalila", de C. Saint-Saens. As outras duas são "Amelia al Ballo", de Menotti, e "Le Villi", de Puccini. Obras de estréia dos dois compositores, elas serão encenadas no mesmo programa. 40 ANOS DE BALÉ DA CIDADE Outra data importante, desta vez dentro do próprio Municipal, é o aniversário de 40 anos do Balé da Cidade de São Paulo. O grupo prepara nova coreografia para este ano, que será realizada com o coreógrafo espanhol Cayetano Soto. Após apresentação no Brasil, em julho, a companhia viaja para Barcelona. Há também o projeto Circulação, que irá levar o repertório do grupo para bairros carentes da capital, como a favela San Remo, em Butantã, e os bairros Guaianases e Sete Passos. Artistas mais populares estarão nas matinês ao longo do ano, que acontecem uma tarde de sábado por mês. Zeca Baleiro é o convidado especial de março, com a apresentação inédita de poemas de Hilda Hilst musicados por ele. Yamandu Costa, Céu, Dori e Danilo Caymmi, e Hermeto Paschoal são outros nomes que vão participar das matinês. Na abertura desta sexta-feira, a Orquestra Sinfônica Municipal e o Coral Lírico interpretam a peça sacra "Um Réquiem Alemão", de Brahms. Os ingressos variam de 10 a 15 reais. Toda a programação do Municipal teve orçamento de 6 milhões de reais. Os espetáculos até o final de junho já têm ingressos à venda.

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