Letícia Godoy/Divulgação
Letícia Godoy/Divulgação

Em algum lugar do passado, a paixão

Mesclando realidade e ficção, 'Ontem Eu Te Amo…' é o primeiro texto da Companhia Teatro de Romance

Murilo Bomfim, O Estado de S.Paulo

20 de janeiro de 2014 | 02h05

Um homem e uma mulher se encontram em uma estação de trem e, instantaneamente, se apaixonam. O enredo é um clichê, mas ganha uma nova roupagem em Ontem Eu Te Amo..., peça da Companhia Teatro de Romance que estreia hoje no Sesc Consolação por meio do projeto Primeiro Sinal, que dá espaço a novas linguagens cênicas.

Escrito em 2006 por Denis Antunes - que divide o palco e a Companhia com Gabrielle Araujo -, o espetáculo fez a sua estreia no Festival Satyrianas, em 2011, sob o título de Enquanto Só. "Foi uma boa apresentação, mas não me preencheu", diz Antunes.

Após convidar o diretor Leandro D'Errico para tomar as rédeas do projeto, o texto ganhou cara nova (e novo nome): a história, que era encenada em tempo presente, agora mistura passado e futuro.

No enredo, Henrique está prestes a se casar com Valentina. Na véspera da cerimônia, ele pensa sobre quanto sua futura esposa mudou nos sete anos em que viveram juntos e se pergunta sobre quem seria esta nova mulher. Para isso, ele volta ao encontro na estação de trem e as camadas de tempo se mesclam: o Henrique de hoje conversa com a Valentina de ontem.

A inspiração do dramaturgo vem da literatura, do cinema e da televisão. Instigado com o amor platônico da obra Noites Brancas (1848), de Dostoievski, Antunes tinha intenção de escrever um enredo com a mesma temática.

A trilogia do cineasta Richard Linklater - que começou com Antes do Amanhecer (1995), passou por Antes do Pôr do Sol (2004) e terminou recentemente com Antes da Meia-noite (2013) - define o caráter verborrágico do texto. "Nesta peça, a força da palavra é muito importante. Tem diálogos intensos, muito pingue-pongue", conta ainda Antunes.

A influência da TV vem da popularização dos reality shows que, para o autor, obriga a dramaturgia a se reinventar. Em busca do que chama de "teatro real", ele criou um texto integralmente autobiográfico, no qual ele se interpreta. "Cada parte da peça se relaciona com alguma das minhas histórias de amor. Tem de ser verdadeiro. Quero embaçar a fronteira da realidade e da ficção", diz também o dramaturgo. Para fortalecer a ideia, um vídeo traz os pais de Henrique mostrando a ele seu álbum de fotos do casamento. Os pais de Henrique, no caso, são os pais de Denis Antunes.

Criada para ter tom intimista, que combina com o pequeno teatro do Espaço Beta do Sesc, a montagem tem parte da trilha sonora cantada pelos atores. O músico Thiago Pethit foi convidado para criar canções originais, mas, por falta de tempo, cedeu duas faixas de seu álbum Berlim, Texas, lançado em 2010. Enquanto Não Se Vá aparece no início da peça, na voz de Gabrielle, e no fim, apresentada por Antunes, Fuga n.º 1 embala as cenas da projeção.

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