Bob Sousa/Divulgação
Bob Sousa/Divulgação

A grande família

Filiados à tradição de mestres, como Tenessee Williams, novos dramaturgos focam lares disfuncionais

Maria Eugênia de Menezes - O Estado de S.Paulo,

21 Abril 2011 | 06h00

Durante uma entrevista, para explicar por que começou a escrever, Tennessee Williams dizia ter encontrado no teatro uma fuga. "No mundo real, me sentia profundamente desconfortável", relatava o dramaturgo. A literatura, de fato, serviu-lhe de escape. O menino introspectivo encontrou na ficção um alento para seu descompasso com o mundo. Mas isso não significa que tenha conseguido ir muito além dos limites da casa paterna.

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Para criar seu primeiro texto de sucesso, À Margem da Vida, Williams inspirou-se profundamente na própria biografia. Expediente que repetiria nas obras seguintes. Culpa, decadência e sexualidade reprimida são alguns dos temas que contaminam toda a sua literatura. Emergem a primeiro plano em clássicos, como Um Bonde Chamado Desejo e Gata em Teto de Zinco Quente. Sempre no contexto de famílias desajustadas.

Clãs em colapso ofereceram farta matéria-prima para a dramaturgia que se fez nessa época. Entre os anos 1930 e 1950, serviram de combustível à parcela considerável do teatro norte-americano, como denotam as obras de Eugene O’Neill. Também se mostraram alvo preferencial de grandes autores brasileiros, entre eles Nelson Rodrigues e Jorge Andrade. Mudam os tempos, mas não os assuntos. Lares disfuncionais merecem agora novos contornos nas mãos de dramaturgos contemporâneos.

Em cartaz no CCSP, o espetáculo Luis Antônio - Gabriela retoma o mote. Ao beber abertamente em sua memória, o diretor Nelson Baskerville expõe os intestinos de uma família. E não é o único. Engrossa uma corrente de peças que cumprem temporada na cidade. Em montagens como Pterodátilos, Deus da Carnificina e Mais Respeito Que Sou Tua Mãe! o foco é um só: seres que dividem a mesma casa, mas que se mostram cegos uns para os outros.

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