João Caldas/ Divulgação
João Caldas/ Divulgação

A consagração de Simba, o rei leão brasileiro

Tiago Barbosa reinicia a nova temporada do musical que bateu recorde nacional

Ubiratan Brasil, O Estado de S.Paulo

07 Janeiro 2014 | 02h06

Quando o musical O Rei Leão reestrear amanhã, no Teatro Renault, o ator Tiago Barbosa completará um ciclo e iniciará uma nova etapa em sua carreira - assim como o espetáculo. Depois de estabelecer um novo recorde no ano passado (foram 455 mil espectadores em 304 apresentações, a maior cifra já alcançada por musicais no Brasil em um ano), O Rei Leão busca derrubar a marca de longevidade de O Fantasma da Ópera, que ficou dois anos em cartaz, entre 2005 e 2007. E Barbosa, com seu sorriso largo e voz cativante, tornar-se um dos principais intérpretes de Simba em todo o mundo.

"Quando fiz o teste para o papel, em 2012, Julie (Taymor, criadora do musical) se emocionou, chorou e disse que ninguém a tinha tocado daquele jeito", relembra, com orgulho, Barbosa, que completa 29 anos no final do mês. Sua atuação foi tão especial que Julie decidiu encerrar ali mesmo as audições, pois já havia encontrado seu protagonista.

O reforço veio após as primeiras pré-estreias, em março do ano passado - desgostosa com o que viu, a diretora marcou uma reunião geral com elenco e equipe técnica, para reafirmar suas indicações. E Barbosa recebeu uma recomendação especial. "Ela me chamou, olhou bem nos meus olhos e disse: 'Você sabe que eu te amo, assim, seja você mesmo naquele palco'."

As palavras tiveram um efeito mágico - a partir dali, Tiago Barbosa conseguiu fixar uma marca em sua interpretação que torna a versão brasileira de O Rei Leão, a 16ª do mundo, em uma das mais especiais entre todas. "Agora, sinto que o personagem flui, mesmo que minha participação comece no final do primeiro ato."

E ele sente que conquistou a plateia pelo silêncio. "Meu termômetro é a música Endless Night: se, ao final, não se ouvir um só ruído no teatro, tenho a certeza de que emocionei o público", conta ele, morador da favela do Vidigal, nascido em São João do Meriti, onde ainda vive sua família, e cuja experiência teatral e musical se resume, por enquanto, a ter sido ator do grupo Nós do Morro e de ter ficado entre os oito finalistas do programa Ídolos, em 2012.

"Julie me fez entender que a entrega ao personagem tem de ser genuína, visceral", observa Barbosa que, nesse primeiro ano de temporada, enfrentou também alguns dissabores - como quando sua máscara caiu em um momento em que cantava 'a capella'. "Ficar sem a máscara, em O Rei Leão, é quase ter a mesma sensação de desnudamento, mas continuei concentrado e não deixei que o incidente desviasse a atenção do público", relembra.

O sucesso também provocou alguns arranhões sentimentais, como a tristeza do pai, que é pintor de casas, pela repentina falta de trabalho: a vizinhança acreditou que o sucesso do garoto enriquecera a família, daí entender que seu Jorge não necessitava mais de serviço. "Ele ficou muito sensibilizado, mas logo conseguimos contornar o problema."

Tiago Barbosa não teme ficar marcado pelo papel de Simba - sabe que seu talento é múltiplo e variado a ponto de oferecer variadas interpretações no futuro. Mesmo assim, ainda não pensa no que vai fazer quando encerrar a temporada de O Rei Leão. "Muitas pessoas me perguntam isso, mas fico surpreso, pois ainda tenho muito o que descobrir nesse musical", responde. "Apesar de tudo ser muito bem sincronizado, o espetáculo não é repetitivo e tento evitar a atuação mecânica. Afinal, Simba é um ser especial."

O REI LEÃO
Teatro Renault. Av. Brig. Luís Antonio, 411, tel. 2846-6060.

4ª a 6ª, 21 h; sáb., 16 h e 21 h; dom., 15h30 e 20 h. R$ 50/ R$ 280. 

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