Marvel
Paul Bettany e Elizabeth Olsen, na série 'WandaVision' Marvel

Paul Bettany e Elizabeth Olsen, na série 'WandaVision' Marvel

'WandaVision': Episódio final encerra luto de Wanda e prepara terreno para próximos capítulos

Contém SPOILERS do derradeiro capítulo da série

Mariane Morisawa , Especial para O Estado

Atualizado

Paul Bettany e Elizabeth Olsen, na série 'WandaVision' Marvel

Se você era um dos fãs que estava fazendo mil teorias sobre os significados de WandaVision para o Universo Cinematográfico Marvel, pode ser que saia do episódio 9 um tanto decepcionado. Mas, para quem gostou da rara exploração do luto e do trauma, o capítulo final da série foi um belo encerramento e de quebra ainda preparou o terreno para Doutor Estranho no Multiverso da Loucura e Capitã Marvel 2 – fique até o final, porque há uma cena no meio e outra no final dos créditos. 

Foram muitas as teorias ao longo das nove semanas em que a série, a primeira produzida pelo Estúdio Marvel, esteve no ar no Disney+: 

Haveria um grande vilão por trás de tudo, talvez Mefisto

Seria o atual diretor da S.W.O.R.D., Tyler Hayward (Josh Samberg), o Mefisto? 

Ou seria ele um Skrull? 

Quem de fato é o Pietro (Evan Peters) que apareceu em Westview e supostamente está sob a influência de Agatha (Kathryn Hahn)? 

Os gêmeos Tommy e Billy são de verdade? 

Algum personagem importante vai fazer uma participação especial?

O episódio 9 respondeu a algumas dessas perguntas:

Pode ser que sim, pode ser que não.

Não sabemos.

Não sabemos.

Um ator? Mas com poderes?

Não. Sim. Depois da cena extra, não sabemos.  

Não teve nem Loki nem Doutor Estranho nem Reed Richards. Então não.

E, claro, deixou um monte de questões em aberto, porque, afinal, WandaVision tem nove episódios, mas no fim é como se fosse apenas um capítulo da saga Universo Cinematográfico Marvel. E nesse capítulo Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) assumiu sua verdadeira identidade de Feiticeira Escarlate, com figurino e tudo, graças a um empurrãozinho de Agatha. Sendo a Feiticeira Escarlate, ela tem poder de destruição inigualável. Aliás, o que aconteceu com Agatha depois de aprisionada por Wanda na personagem de vizinha enxerida numa Westview que não existe mais? 

O episódio 9 também é uma clara ponte para Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, já que Wanda agora está trabalhando na sua magia. Lembrando que nos planos originais da Fase 4 do UCM, pré-pandemia, WandaVision viria coisa de semanas antes de Doutor Estranho 2 e depois de Viúva Negra, Falcão e Soldado Invernal, Eternos e Shang-chi. A sequência de Doutor Estranho agora está programada para maio do ano que vem. O episódio também introduz Capitã Marvel 2, com a cena no meio dos créditos em que Monica Rambeau (Teyonah Parris) é chamada ao cinema de Westview e recebe a notícia de que um amigo de sua mãe a chama do espaço. A mensageira revela ser uma Skrull. Seria a tão esperada introdução da série Invasão Secreta, em que Skrulls estariam vivendo entre nós e se fazendo passar até por heróis? Capitã Marvel 2 tem estreia prevista para novembro de 2022. 

O episódio final também teve um confronto entre o Visão de Wanda e o Visão Branco (ambos feitos por Paul Bettany). Eles têm uma discussão filosófica envolvendo o paradoxo do navio de Teseu. A discussão proposta é: o personagem da mitologia grega saiu de um ponto A para um ponto B, mas ao longo dos anos substituiu partes do navio por novas. Esse navio que chegou ao ponto B é o mesmo que partiu do ponto A? E se uma das partes substituídas for usada para fazer um novo navio, esse novo navio é o navio de Teseu? Tudo isso para discutir, claro, quem é o Visão verdadeiro, aquele criado por Wanda em sua realidade própria, para lidar com sua perda, ou aquele feito a partir das partes recuperadas do antigo Visão pela S.W.O.R.D.? A resposta da série é nenhum dos dois e ambos. 

Agora munido de memória, o Visão Branco some. Para onde ele foi? O Visão que fica pergunta diretamente a Wanda: “O que eu sou?”. E a resposta é: “Você, Visão, é a parte da Joia da Mente que vive em mim. Você é um corpo de fios e sangue e osso que eu criei. Você é minha tristeza e minha esperança. Mas, principalmente, você é meu amor”. Wanda finalmente conseguiu viver seu luto. “Nós já nos despedimos antes, então faz sentido achar que...”, diz Visão, para que Wanda complete: “...diremos olá novamente”. Visão vai voltar, e os dois vão se encontrar, onde quer que seja. É uma mensagem de conforto para quem viveu perdas e uma dica de esperança de futuro para os personagens no UCM.  

 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Wanda da Marvel tem um futuro, mas o destino de 'WandaVision' não está claro

Personagem interpretada por Elizabeth Olsen fará sua próxima aparição na sequência de 'Doutor Estranho' nas telonas; Chefe da Marvel, Kevin Feige, não confirma (e nem nega) uma continuação para a série após o final desta temporada

Lynn Elber, AP

26 de fevereiro de 2021 | 01h00

 

LOS ANGELES - Quando WandaVision terminar sua primeira temporada no mês que vem no serviço de streaming Disney +, Wanda, interpretada por Elizabeth Olsen, fará sua próxima aparição na sequência de  Doutor Estranho nas telonas. É a narrativa que determina como e quando os personagens do universo da Marvel Comics vão aparecer na TV e no cinema, disse o chefe da Marvel Studios, Kevin Feige, na quarta-feira.

"Todas as intersecções entre as séries, entre os filmes, sempre irão variar com base na história", disse Feige. "Às vezes (uma série) vai para a segunda temporada, às vezes se transforma em um longa-metragem e depois volta a ser uma série.'' Wanda Maximoff, também conhecida como Scarlet Witch, contracena com o personagem-título de Benedict Cumberbatch em Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, planejado para ser lançado em 2022.

Feige não disse se WandaVision, a primeira série original da Marvel Studios para Disney +, tem um futuro após o final da temporada em 5 de março. A sitcom sobre gerações para a TV - com a adição de um toque de super-herói - trouxe o personagem de Wanda e Paul Bettany, Visão, para o primeiro plano do filme da franquia Os Vingadores.

“Estou na Marvel há muito tempo para dizer um não definitivo ou um sim definitivo a qualquer coisa”, Feige respondeu quando questionado a respeito do futuro da série durante um painel de discussão virtual realizado pela Television Critics Association. Mas as segundas temporadas estão sendo consideradas e planejadas para séries, disse ele, sem revelar detalhes.

 

 

Há uma enxurrada de novos candidatos para o Disney + em potencial, incluindo Falcão e o Soldado Invernal, estreando em 19 de março com Anthony Mackie e Sebastian Stan reprisando seus papéis em Vingadores: Ultimato.

Loki, estrelado por Tom Hiddleston revisitando seu personagem após os eventos de Vingadores: Ultimato, estreia em 11 de junho. Depois, Ms. Marvel chega ao serviço de streaming (com data ainda a ser anunciada) e a personagem irá passar para o próximo filme da Capitã Marvel, segundo Feige.

Ele foi questionado se mudar as histórias e personagens da Marvel entre o cinema e a TV poderia acabar afetando o público em potencial.

"Eu sempre digo que quando as luzes se apagam e um filme começa, é uma tela em branco - esqueça tudo o que veio antes e seja capaz de desfrutar de algo que tem seu próprio enredo independente'', disse Feige. Ele reconheceu que à medida que o estúdio faz mais séries e filmes e apresenta novos personagens, "torna-se cada vez mais difícil" atingir esse objetivo.

 

 

"Mas é algo que todos os nossos roteiristas e cineastas prestam muita atenção, para garantir que os fãs possam acompanhar "o capítulo mais recente e que os recém-chegados possam apreciá-lo também, disse ele.

Quando a Walt Disney Co. adquiriu a Marvel Entertainment por cerca de US$ 4 bilhões em 2009, acordos anteriores deixaram algumas de suas propriedades com outros estúdios. Questionado se a Marvel Studios poderia ser capaz de recuperá-los, Feige disse acreditar que isso poderia acontecer, mas acrescentou que "rumores on-line sobre coisas que estão voltando para a Marvel nem sempre são verdadeiras."

 

TRADUÇÃO DE ROMINA CÁCIA

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

'WandaVision': Episódio 8 revela quem Wanda realmente é

Não precisa nem avisar, mas vamos lá: Spoilers do novo episódio da série a seguir

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

26 de fevereiro de 2021 | 09h10

Acabaram-se as sitcoms. A vida de Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) no episódio 8 de WandaVision é só flashback de trauma, memória e dor, culminando numa esperada revelação – ou duas. Mas o novo capítulo adicionou mais perguntas do que trouxe respostas. Um último episódio de menos de 30 minutos parece ser pouco para responder tudo. 

Não à toa, o título é Nos Capítulos Anteriores” O episódio começa com Agatha Harkness (Kathryn Hahn) no passado, mais precisamente em 1693. Ela está em Salem, onde na vida real aconteceram execuções de mulheres consideradas bruxas. Agatha é uma, mas está sendo julgada por outras bruxas. Só que, na hora da execução, ela suga toda a energia das outras bruxas para si, tornando-se mais poderosa. 

E claro que, se der, ela quer fazer a mesma coisa com Wanda Maximoff. Por isso, leva a nossa heroína por um passeio por seu passado, começando lá em Sokovia, quando Wanda era uma garotinha vivendo num país sob esfera soviética que está em guerra. O único respiro são as antigas sitcoms americanas que o pai de Wanda e seu irmão gêmeo Pietro tenta vender. Sitcoms como The Dick Van Dyke Show, que Wanda emula em Westview. Elas são seu lugar de conforto. 

Os pais de Wanda são mortos por uma bomba das indústrias Stark, o que explica a aliança dos irmãos à H.Y.D.R.A. Numa segunda porta, Wanda é submetida pela maléfica organização a um experimento científico, sendo exposta à Joia da Mente. Todas as outras cobaias humanas aparentemente morreram. Mas não Wanda. Ela parece ter seus poderes consolidados pelo contato. 

Mais tarde, com seu irmão já morto na Batalha de Sokovia (como visto em Vingadores: Era de Ultron), Wanda agora está sob a tutela dos Vingadores. No quartel-general do grupo, ela se sente sozinha. Só “Malcolm in the Middle” a salva. E Vision (Paul Bettany). É ele que vem consolá-la, de uma maneira bem eficiente para alguém que não é totalmente humano. “O luto é apenas uma extensão do amor”, ele diz. E isso explica o amor de Wanda por ele. 

O que nos leva a outra porta, que coloca Wanda e Agatha num flashback em que ela vai até a sede da S.W.O.R.D. para reaver o corpo de Vision e poder viver seu luto. Lá, o diretor Taylor Hayward (Josh Stamberg) lhe mostra o corpo de Vision desmembrado e diz que Wanda não pode levá-lo, por ser a maior arma já criada pelo homem. 

É assim que ela vai parar em Westview, que ficou bem arrasada depois do “blip” que levou parte da humanidade. Wanda vai à casa em que moraria com Vision, que não está mais lá. E finalmente se deixa levar pela dor. Assim, cria toda a realidade paralela de Westview, incluindo um Vision novinho em folha. 

E então Agatha, que ainda mantém os dois filhos da heroína como reféns, percebe que não pode com Wanda. Que ela não está usando seus poderes (ou sua magia) apenas para fazer café da manhã no jantar. Que ela usa a Magia do Caos e é a Feiticeira Escarlate. 

Mas o que significa isso? A Magia do Caos é a capacidade de alterar a realidade e a estrutura física das coisas. E significa que Wanda é muito, muito, muito poderosa. Isso pode levar a um embate com Agatha no último episódio. Ou não. Pode ser que Agatha queira ajudar Wanda a domar melhor seus poderes, para poder usá-los efetivamente. E se beneficiar deles. 

E isso parece significar também que Westview é, sim, uma obra de Wanda, e não um trabalho de Agatha, como a divertida música do episódio anterior parecia sugerir. Ou mesmo de alguém manipulando Agatha. Claro que tudo pode mudar no último episódio, porque, afinal, Marvel.

“Nos Capítulos Anteriores” também deixou claro que, ao contrário do que Tyler Hayward disse, Wanda não roubou o corpo de Vision, mas criou o novo Vision espontaneamente. A cena pós-crédito explica melhor. Nela, o laboratório da S.W.O.R.D. usa um pouco da energia de Wanda para “reviver” Vision. Só que agora ele está pálido, despido da cor vermelha. É um androide. Taí o Projeto Catarata mencionado anteriormente.

Haverá um embate de Vision vermelho x Vision branco no último episódio? Provavelmente, agora que WandaVision deixou para trás seu passado de sitcom para abraçar sua origem Marvel. 

  

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Episódio 7 de 'WandaVision' revela quem está por trás de tudo – será?

Texto traz spoilers sobre o antepenúltimo capítulo da série, que mostra cena no meio dos créditos pela primeira vez

Mariane Morisawa, Especial para O Estado de S. Paulo

19 de fevereiro de 2021 | 08h56

Na vida real, a vizinha abelhuda Agnes seria uma personagem insuportável, aparecendo nos momentos mais impróprios. Mas claro que, interpretada por Kathryn Hahn, ela sempre foi hilária – além de muito bem vestida. Mas eis que, confirmando teorias rolando na internet, Agnes revelou que na verdade é Agatha Harkness, uma bruxa lendária do universo Marvel, com centenas de anos. Agnes não só não estava sendo manipulada por Wanda (Elizabeth Olsen) como na verdade seria a mestra por trás de tudo o que está acontecendo no mundo encantado de Westview. Mas será que é isso mesmo? Agatha tem relação com vários personagens, incluindo Mephisto, o Quarteto Fantástico e a própria Wanda, sendo uma espécie de mentora para seus poderes. Faltando dois episódios para o fim de WandaVision, a série de sucesso da Disney+, é difícil de comprar que a vilã seja ela e pronto. 

O episódio Derrubando a Quarta Parede foi um pouco congestionado, incluindo também a manifestação dos poderes de Monica Rambeau (Teyonah Parris), que volta ao Hex e dá início à sua transformação em Photon. Nos quadrinhos, a personagem foi a segunda Capitã Marvel e membro dos Vingadores. Ela quer ajudar Wanda, que começa o episódio no melhor estilo Modern Family, fazendo confissões inconfessáveis diretamente para a câmera, enquanto a caixa de leite, a decoração à sua volta e os consoles de videogames dos seus meninos ficam pulando de época em época – ou seria de universo em universo? A verdade é que a realidade de Wanda está desabando à sua volta. 

Enquanto isso, Vision (Paul Bettany) se aliou à Dra. Darcy Lewis (Kat Dennings), agora presa no Hex, e ela lhe contou tudo o que se passou em sua vida – Vision não tem memória. O objetivo da S.W.O.R.D. parece ser recuperar Vision. Ou seja, mais um personagem da Marvel que morreu, mas só de mentirinha. Pobre Wanda, tanto sofrimento à toa. 

A propaganda no meio do episódio de WandaVision é também uma provável dica: o medicamento Nexus, que coloca o usuário em segurança de volta à sua realidade ou à realidade de sua escolha e é recomendado para quem está pronto para seguir em frente com sua vida. Nos quadrinhos, Wanda é um dos seres Nexus, capazes de manter a coerência e estabilidade do Multiverso. Mas Nexus de Todas as Realidades também é um portal entre dimensões, que permite passagem para qualquer realidade, inclusive realidades dentro de realidades. O Hex, em si, poderia ser um Nexus. 

Por fim, a cena no meio dos créditos, uma tradição do Universo Cinematográfico Marvel que aparece pela primeira vez em WandaVision: o misterioso Pietro (Evan Peters), ausente de todo o episódio e estabelecido como um impostor, está de volta bem quando Monica está prestes a descobrir certas coisas. Quem ele é exatamente? E onde estão Billy e Tommy, que desaparecem depois de irem para a casa de Agnes/Agatha? Perguntas para os dois últimos episódios de WandaVision

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Conheça 'WandaVision', estreia da Marvel na Disney+ que homenageia sitcoms clássicas

Elizabeth Olsen e Paul Bettany protagonizam a produção, que estreia nesta sexta-feira, 15

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

14 de janeiro de 2021 | 09h32
Atualizado 20 de janeiro de 2021 | 12h28

As fases 1, 2 e 3 do Universo Cinematográfico Marvel começaram com Homem de Ferro (2008), Homem de Ferro 3 (2013) e Capitão América: Guerra Civil (2016), respectivamente. E, com a estreia da série WandaVision, a aguardada Fase 4 chega finalmente nesta sexta-feira, 15, no Disney+, e seu pontapé inicial não se parece em quase nada com seus antecessores. 

Primeiro, WandaVision, escrita por Jac Schaeffer e dirigida por Matt Shakman, é uma sitcom em que o espírito de atores clássicos do gênero, como Mary Tyler Moore e Dick Van Dyke, baixa em Wanda Maximoff (Elizabeth Olsen) e Vision (Paul Bettany). Claro que estamos falando da Marvel, então nem tudo é o que parece. Mas, pelo menos nos primeiros episódios, a comédia fala mais alto do que a ação. Segundo, é a primeira série de televisão a inaugurar uma fase do UCM. 

WandaVision também inaugura a produção do Marvel Studios para o Disney+. Antes, os programas feitos para a telinha baseados nos quadrinhos da Marvel tinham pouca conexão com os longas-metragens. 

“Começar com WandaVision é uma maneira de dizer para nosso público estar preparado para o novo e o diferente, mesmo que eu acredite que nossos filmes sempre tenham apresentado isso ao longo do tempo”, afirmou Kevin Feige, presidente do estúdio, em entrevista coletiva via videoconferência. 

O plano original não previa a estreia da Fase 4 com WandaVision – na verdade, no cronograma anunciado durante a ComicCon de San Diego no ano passado, a série era a quinta na agenda, depois de Viúva Negra, Falcão e o Soldado Invernal, Eternos e Shang-Chi e a Lenda dos Dez Aneis. WandaVision viria logo antes de Doutor Estranho no Multiverso da Loucura, em que Wanda Maximoff tem uma participação importante. A covid-19 forçou uma alteração. “Nosso plano sempre prevê a possibilidade de mudar a ordem. Claro que não tínhamos como prever uma pandemia global”, disse Feige, que está otimista. “Esse tipo de imprevisto sempre nos serviu bem”.

Mas todos hão de convir: uma série que começa em preto e branco, com Wanda e Vision tendo problemas domésticos e escondendo seus poderes especiais numa pequena cidade é uma produção surpreendente dentro do UCM. “Estar à frente de um projeto deste, num novo formato de televisão foi intimidador”, disse Elizabeth Olsen em entrevista ao Estadão. “Mas fiquei muito empolgada com o conceito, senti orgulho de fazer parte de algo original. Não é o que nos condicionamos a ver como uma história de super-herói. Mas é. Só que estamos contando de maneira diferente.”

Sitcoms do passado

Cada um dos três primeiros episódios é como uma homenagem a sitcoms clássicas do passado, mostrando a progressão do gênero com o tempo. O primeiro foi gravado com plateia ao vivo, era nos anos 1950. Não faltam inspirações como The Dick Van Dyke Show, A Feiticeira e A Família Sol-Lá-Si-Dó. Historicamente a sitcom familiar, especialmente, sempre foi o lugar do sonho americano. “Elas falam dessa experiência familiar ideal e cheia de esperança, meio cafona e absurda, mas isso ajuda nossa série porque estamos nos distanciando tanto da realidade percebida conhecida do UCM”, disse Olsen, que é irmã de Mary-Kate e Ashley, estrelas da sitcom Três É Demais, sucesso dos anos 1980.

Wanda é uma das personagens mais trágicas do Universo Cinematográfico Marvel, tendo perdido seu país, seu irmão gêmeo e seu grande amor – Vision foi morto em Vingadores: Guerra Infinita. “Ela sempre foi muito baseada na sua emoção”, disse Olsen. “Foi divertido demais colocar uma sitcom sobre Wanda e tentar interpretar essas versões dela da forma mais sincera possível. Mas o que mais gostei foi dos momentos de tensão entre esses dois mundos, a sitcom e o UCM.” 

Como a ideia é que as séries da Marvel no Disney+ sejam parte da história maior contada pelos filmes, essa fase sitcom de Wanda, além de permitir ver um panorama mais completo da história de amor com Vision, também deve ser um passo na sua transformação na Feiticeira Escarlate, como já foi anunciado. “A série é uma história de amadurecimento para Wanda”, disse Olsen. “Ela se firma como mulher e tem de lidar com suas experiências passadas. Como sabemos, quem processa bem o que aconteceu pode ir em frente e evoluir.” 

Como se dará essa progressão é um dos mistérios para os capítulos seguintes da FasA série é uma história de amadurecimento para Wandae 4. 

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
Estar à frente de um projeto deste, num novo formato de televisão foi intimidador
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Elizabeth Olsen, atriz

766E3C01-53A8-483E-9B06-CCE0C7108013
A série é uma história de amadurecimento para Wanda
E0EAB005-9061-4B3D-86B9-AEB61693E313
Elizabeth Olsen, atriz

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

'WandaVision' introduz multiverso e mutantes no universo Marvel

A seguir, texto com especulações e spoilers sobre a série do Disney+ até aqui e o que representa para a fase 4; sétimo episódio da série entra no ar nesta sexta, 19

Mariane Morisawa, Especial para O Estado

18 de fevereiro de 2021 | 14h01

A roteirista Jac Schaeffer já tinha dado a dica durante a entrevista de lançamento de WandaVision: “Tudo é fofinho, até que deixa de ser”. O passeio divertido pela história da sitcom, começando nos anos 1950, ganhou contornos mais sinistros nos últimos episódios da série do Disney+, especialmente no sexto, que foi ao ar na semana passada, com uma festa de Halloween que trouxe algumas revelações e mais perguntas, movimentando o mercado de teorias dos fãs. 

O irmão gêmeo de Wanda (Elizabeth Olsen), morto muitos filmes da Marvel atrás (Vingadores: Era de Ultron, de 2015), reapareceu, só que com Evan Peters no lugar de Aaron Taylor-Johnson. Mas será que este Pietro, que parece entender Wanda e saber o que está acontecendo, é quem ele diz ser? Ele causou um bocado de caos no episódio 6, criando certa tensão com Vision (Paul Bettany). Enquanto isso, o marido de Wanda investiga os limites de Westview e da vida aparentemente perfeita que Wanda criou para os dois, obrigando-a a literalmente expandir o universo da pequena cidade. 

Muitos fãs desconfiam de um vilão por trás de tudo isso – é uma série do universo Marvel, afinal. E ficou claro que Wanda não tem controle sobre tudo o que acontece na cidadezinha fictícia. Esse vilão pode ser Mephisto. Ou Pesadelo. E pode ser que Evan Peters interprete esse vilão. 

Os três últimos episódios devem responder a várias das dúvidas dos fãs. Mas talvez não todas. Porque, como disse Kevin Feige na entrevista de lançamento: “Queremos que as pessoas entendam que esses projetos no Disney+ são tão importantes quanto os que estreiam no cinema”. Ou seja, WandaVision é apenas uma peça do quebra-cabeças, mas uma peça fundamental. 

Por isso, a estratégia de lançar um episódio por semana é perfeita, transformando a série em um evento que precisa ser acompanhado todas as sextas-feiras e abrindo espaço para as teorias dos fãs, algo que parecia ter risco de desaparecer na televisão por causa do modelo de “binge” adotado pela Netflix. “Queríamos manter a mesma empolgação dos lançamentos nos cinemas”, explicou Feige. “É muito importante a discussão que acontece entre os episódios.”

A verdade é que WandaVision está introduzindo novos caminhos para o Universo Cinematográfico Marvel na fase 4. O “novo” Pietro, interpretado por um ator que participou de filmes dos X-Men, é tanto um sinal de multiverso quanto da provável integração dos mutantes ao UCM – por uma questão de direitos, havia uma separação. Agora, com a compra da Fox, eles podem ser utilizados nos produtos dos Estúdios Marvel. Os gêmeos Tommy e Billy também parecem mutantes. Há uma grande chance de a série delinear a formação dos novos Vingadores, que ficaram desfalcados depois da morte do Homem de Ferro e da Viúva Negra e da aposentadoria do Capitão América

Há muito para empolgar os fãs mais hardcore da Marvel, mas a verdade é que, por mais que muitos tenham torcido o nariz para o formato de sitcom e a falta de ação dos primeiros episódios, WandaVision trouxe um frescor necessário à franquia. Além de permitir o aprofundamento em dois personagens deixados de canto nos longas-metragens, ela faz algo que os filmes tiveram dificuldade de lidar até agora: o trauma e o luto. 

Num momento em que tantos vivem isso ao redor do mundo, por causa da pandemia e outros problemas, o que mais as pessoas procuraram na televisão? Comédias, de preferência antigas e já vistas, para que não houvesse nenhuma surpresa. Não é à toa que Wanda lida com seus traumas no mundo perfeito das sitcoms sobre família. WandaVision junta a familiaridade das sitcoms com a do UCM. A Marvel não teria como prever a pandemia, mas criou o produto perfeito para esses tempos. Tanto que a série é a mais vista no mundo hoje em dia. O sétimo episódio entra no ar nesta sexta, 19

Uma coisa estranha

De todos os momentos “que diabos está acontecendo?” do episódio 6, o mais surpreendente foi a propaganda do iogurte. As propagandas das sitcoms têm sido momentos de estranheza e diversão, com possíveis dicas da trama, mas nada como este, usando animação stop-motion, em que uma criança numa ilha deserta ganha um iogurte de um tubarão, não consegue abri-lo e acaba virando um esqueleto. Talvez tenha relação com a falta de crianças em Westview, que milagrosamente apareceram apenas para a festa de Halloween. A ver. 

 

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.