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'The Boys' chega à segunda temporada ecoando o presente

Série da Amazon Prime Video é tanto para quem ama quanto para quem odeia histórias de super-heróis, afirma o showrunner Eric Krypte

Mariane Morisawa ESPECIAL PARA O ESTADO, O Estado de S.Paulo

08 de setembro de 2020 | 05h00

The Boys fez um tremendo sucesso na primeira temporada com altas doses de cinismo e sangue, e super-heróis que na verdade são vilões. “Eu acho que a série funciona tanto para quem ama quanto para quem odeia histórias de super-heróis”, disse o showrunner Eric Kripke em evento da Associação de Críticos de Televisão, realizado de forma virtual no início de agosto. “The Boys oferece todo o prazer do gênero, mas também o critica e desconstrói. Além disso, reflete este exato momento em que estamos vivendo. Muita gente se surpreende com sua atualidade e acha que é mais inteligente do que fazia supor”, disse.

Os três primeiros episódios da segunda temporada da série estão no ar na plataforma Amazon Prime Video, com um novo capítulo sendo lançado todas as sextas a partir de então. 

Essa atualidade que Kripke menciona pode ser observada na primeira temporada, na abordagem de temas como o #MeToo – a personagem Annie/Starlight (Erin Moriarty) sofre abuso por parte de Kevin/The Deep (Chace Crawford) –, a transformação de tudo e todos em produtos e o culto às celebridades. 

Os “supes” têm superpoderes, mas os verdadeiros heróis são trabalhadores de colarinho azul, conhecidos como The Boys: Butcher (Karl Urban), Hughie (Jack Quaid), Mother’s Milk (Laz Alonso), Frenchie (Tomer Capon) e Kimiko (Karen Fukuhara). “Eu gosto dos vira-latas”, disse Kripke. “Gosto de personagens lutando contra pessoas muito mais poderosas do que eles. Aqui há um paralelo específico com o 1% e figuras com autoridade, gente que tem todas as cartas e todo o poder. Esse outro grupo de pessoas da classe trabalhadora vem enfrentar essa gente.”

Para ele, os paralelos com o presente são evidentes. “Há forças enormes tentando tirar sua pele. Mas você pode sobreviver demonstrando amor e lealdade e formando uma família, qualquer que seja sua definição de família”, comentou. As coisas são ainda piores do que se pensava, com a revelação de que os “supes” não nasceram assim, mas foram criados. 

Nova temporada.

Na segunda temporada, há referências ainda a assuntos da ordem do dia, como a supremacia branca e a cientologia – The Deep vai passar uma temporada no interior e se envolve com um culto. Mas a série também tenta se aprofundar um pouco mais nos personagens. “Eric falou para mim que não queria mais efeitos e mais sequências de ação, e sim ir mais fundo. Todos os personagens têm de lidar com perdas individuais muito importantes”, disse Urban. 

Uma nova super-heroína, Stormfront (Aya Cash), entra no grupo The Seven, a elite dos super-heróis. O gênero da personagem foi trocado em relação aos quadrinhos de Garth Ennis e Darick Robertson. “Queríamos criar o pior pesadelo para o Homelander”, disse Kripke, referindo-se ao líder dos “supes” e psicopata de plantão, interpretado por Antony Starr. “E seu pior pesadelo seria uma mulher forte que não o teme e rouba dele os holofotes. Eu acho que ela o incomoda mais do que se fosse um homem, porque ele é um poço de insegurança.”

Mas, claro, ela não é santa e professa ideias indefensáveis. “Muito do discurso negativo de hoje em dia vem embalado de forma muito atraente nas redes sociais”, disse Kripke. “Não se trata mais de caras velhos com corte de cabelo escovinha.”

Para Starr, um destaque na primeira temporada, não é difícil fazer um vilão. “Eu não penso nesses termos, mas na perspectiva do personagem. Ele é um psicopata narcisista, então suas escolhas giram em torno de si mesmo e são motivadas por razões egoístas.” Por isso fica tão incomodado de dividir seu espaço com Stormfront. “Ele é fraco emocionalmente, e ela não o respeita nem o teme. Homelander não sabe lidar com Stormfront, que acaba sendo a catalisadora de uma tremenda mudança.” 

Erin Moriarty, que faz a única super-heroína com alguma consciência, contou sentir inveja das coisas que seus colegas fazem e falam na pele dos seus personagens. “É verdade que mostramos um lado mais sombrio de Starlight na segunda temporada”, disse a atriz. “Porém é um prazer interpretar alguém com uma bússola moral forte, até mais do que a minha própria. Eu a admiro”, disse.

Por mais que esteja antenado com os dias de hoje, The Boys mira mais na diversão. E está dando certo, tanto que a terceira temporada já foi confirmada. 

 

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