David M Russell/HBO/EFE
David M Russell/HBO/EFE

'Succession' chega à 3ª temporada com disputa entre os Roys no auge

Fenômeno da TV e ganhadora de nove prêmios Emmy, série está de volta com mais vilania

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

17 de outubro de 2021 | 05h00

Os Roys são ricos naquele nível de ter frota de aviões e helicópteros. Os integrantes da família, do patriarca Logan (Brian Cox) aos seus filhos Connor (Alan Ruck), Kendall (Jeremy Strong), Roman (Kieran Culkin) e Shiv (Sarah Snook), que disputam a sucessão no império de mídia e entretenimento Waystar Royco, vivem se traindo mutuamente, exercendo seus privilégios, tratando os outros como descartáveis. São odiáveis. E, no entanto, a série Succession, cuja terceira temporada chega neste domingo, 17, na HBO e HBO Max, é irresistível, um dos fenômenos da televisão e ganhadora de nove prêmios Emmy.

Kieran Culkin, em entrevista por videoconferência com participação do Estadão, não consegue explicar o sucesso. “Eu mesmo não sei por que eu gosto da série – e eu gosto muito. Não é que eu queira ver como esses personagens são horríveis, ou sua ruína. Não é por causa do seu poder e sua riqueza. Eu acho que gosto da dinâmica e das nuances dos personagens, mas não tenho certeza.” 

Helicópteros e mansões à parte, os Roys são, apesar de tudo, uma família. “Todos nós viemos de uma família, seja um grupo de amigos ou de sangue”, disse Sarah Snook, em videoconferência. Ela viu sua personagem Siobhan ganhar a posição que almejava nesta terceira temporada. “Famílias são universais. Mesmo que sua conta bancária esteja a zero, você ainda briga e troca insultos com seus irmãos.”

Faz sentido duvidar do amor entre os Roys. Ainda mais quando – atenção para o spoiler – Logan resolve sacrificar Kendall no caso de um escândalo que ameaça a companhia, com o filho revidando em uma entrevista coletiva e acusando o pai de acobertar os casos de abusos sexuais, um choque do episódio derradeiro. 

Succession frequentemente é comparada a tragédias gregas como Édipo Rei ou shakespearianas como Rei Lear. “Logan sabe que está chegando ao fim, mas não larga o osso. Ele é o arquétipo da figura de autoridade”, disse Brian Cox em evento da Associação de Críticos de Televisão. Por isso não tem dificuldades de manter todos à sua volta. “Roman fica porque sabe que Logan sempre vence. É assim que as coisas são”, disse Culkin.

Mas os atores acreditam no sentimento entre os Roys. “Eles só não cresceram em uma família que valoriza o amor sobre o sucesso ou o poder”, disse Snook. Ou, como afirmou Jeremy Strong em evento da Associação de Críticos de Televisão, “segundo Jung, onde o amor está ausente, o poder preenche o vácuo”.

Tragédias gregas ou de William Shakespeare costumam terminar em banho de sangue, e Sarah Snook acha que não vai ser diferente aqui – mesmo que não literalmente.

Afinal, no caso dos bilionários, quase toda queda costuma ser para cima. “Pode não haver machados e espadas, mas pessoas perdem empregos como reflexo das decisões dessa família, há repercussões sociais e culturais”, afirmou a atriz australiana. É improvável que Logan, Kendall, Roman e Shiv aprendam alguma coisa no final, até porque o criador da série, Jesse Armstrong, não acredita que as pessoas progridam.

 

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