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'Stranger Things': a inocência é perdida na quarta temporada; veja o que mudou

Série de sucesso da Netflix se prepara encerrar sua caminhada; a quinta temporada será a última, mas ainda não tem data para estrear

Helena Andrews-Dyer, The Washington Post

05 de julho de 2022 | 10h00

*Atenção: Este artigo contém spoilers da 4ª temporada de Stranger Things

A quarta temporada de Stranger Things, da Netflix, é sombria e tenebrosa, refletindo o mau humor tantas vezes associado a humanos à beira da idade adulta – também conhecidos como adolescentes. Os assassinatos estão em alta. Mas, verdade seja dita, as crianças de Hawkins, Indiana, sempre superaram seus fardos emocionais. Isso tende a acontecer quando você arrisca a vida para salvar o mundo de monstros salivantes e soviéticos. Ainda assim, essa nova temporada da montanha-russa de nostalgia se inclina mais para a descida do que para a esperançosa viagem até o topo.

“Estou com uma sensação terrível de que talvez não dê certo para a gente desta vez”, Robin diz a Steve enquanto a dupla prepara coquetéis molotov para matar Vecna, o grande vilão desta temporada. E (alerta de spoiler) não dá certo. Por mais que tentem, a Scoop Troop, a super-heroína Eleven, Jim “O Herói de Hawkins” Hopper e o resto da turma saem feridos – muito, muito machucados. Outra metáfora para a puberdade.

Ao longo de nove episódios distribuídos em dois volumes, dá para ver que as crianças já não estão no quintal de casa. Desde as primeiras cenas horríveis, que retratam jovens desmembrados, até os quadros finais, que revelam uma cidade interdimensional marcada por batalhas, Stranger Things agora já não captura a inocência juvenil, mas sim a inocência perdida. Aqui está quem e o que mais mudou.

Eleven recupera os poderes

Quando a temporada começou, a super-heroína Eleven (Millie Bobby Brown) tinha esgotado todo o seu poder cerebral telecinético na Batalha de Starcourt. Com Hopper dado como morto, a adolescente se muda com Joyce (Winona Ryder) e seus dois filhos para um ensolarado subúrbio da Califórnia. Mas as coisas não estão indo muito bem. A garota popular da escola é um estereótipo dos anos 1980 e deixa a vida de El mais difícil do que lutar contra o Devorador de Mentes. Sem poderes, tudo o que ela pode fazer aguentar firme. Isso até que o Dr. Sam Owens (Paul Resier) aparece para tentar recarregar as baterias de El, levando-a para uma instalação militar onde o Dr. Brenner, ou seja, “Papa”, está esperando com um tanque de privação sensorial de 5 mil litros. Há um assassino invisível à solta em Hawkins, e os cientistas do bem acham que apenas El pode ajudar a derrotá-lo. Então Brenner (Matthew Modine) guia sua antiga pupila até sua história de origem, onde ela descobre que Vecna, o senhor maligno do Mundo Invertido por trás dos assassinatos, é na verdade One, a primeira cobaia de Brenner. Dentro de uma memória profundamente enterrada, El descobre que foi ela quem enviou Vecna para a outra dimensão após uma batalha épica. Esse conhecimento desperta seus poderes de volta.

O Dr. Brenner está morto

Vamos ser claros – muita gente morre. Mas a morte do homem que El chamava de “Papa” é uma coisa muito importante. Sua morte também significa que El deixa para trás seu passado traumático no laboratório de Brenner e sua influência sobre ela. “Papa não fala a verdade”, ela repete quando Brenner tenta forçá-la a ficar na instalação subterrânea em vez de ir para Hawkins ajudar seus amigos a destruir Vecna. É uma rebelião adolescente. Quando sua problemática figura paterna é derrubada por um franco-atirador, o mesmo acontece com a culpa e a vergonha de El por ser a pessoa mais poderosa do planeta.

Will está descobrindo algumas coisas

Tudo começou quando Will (Noah Schnapp) foi sequestrado e preso no Mundo Invertido. O garoto Will sempre foi tímido, mais quieto do que seus barulhentos amigos de Dungeons and Dragons. Mas, nesta temporada, ele está mais forte. Quando Mike, seu melhor amigo e namorado de El, vem visitá-los na Califórnia, os olhares desamparados de Will parecem sinalizar algo mais do que um ciúme entre amigos. Quando os dois garotos têm uma conversa sincera sobre o dramático caso de amor adolescente de Mike e El, Will oferece um conselho que é claramente sobre ele mesmo: “Ela é muito diferente das outras pessoas. E, quando você é diferente, às vezes você se sente um erro. Mas você a faz sentir que ela não é um erro”. Mais tarde, Jonathan (Charlie Heaton), o irmão mais velho, garante a Will que ele sempre vai amá-lo, não importa o que aconteça, e eles se abraçam. Will não se assume nesta temporada, mas está claro que está descobrindo sua identidade.

Eddie morre e Dustin cresce

Um dos personagens de destaque desta temporada foi Eddie Munson (Joseph Quinn), o líder da turma de Dungeons and Dragons da escola Hawkins High chamada “The Hellfire Club”. Eddie é metaleiro e já devia ter se formado dois anos antes. Tem cabelos longos e rebeldes, vende drogas de vez em quando. Tudo isso foi o suficiente para culpá-lo pelos misteriosos assassinatos de adolescentes em Hawkins. Mas acontece que Eddie é um cara muito gente fina. “Nunca mude, Dustin Henderson”, Eddie aconselha seu jovem sucessor no “Hellfire Club” enquanto os dois se preparam para a batalha. Eddie reconhece e valoriza a inocência quando a vê. Apesar de insistir que não é “herói” na hora h, Eddie se sacrifica diante dos morcegos infernais do Mundo Invertido para dar a seus amigos mais tempo para derrotar Vecna. Dustin, fã de Eddie, segura seu herói nos braços na hora da morte. É bem intenso para um aluno de ensino médio, mais uma vez sinalizando que os meninos de Stranger Things não são mais meninos.

Max morre – mas depois volta

Desde o lançamento do sinistro trailer do Volume 2 da quarta temporada, em junho, os fãs ficaram discutindo para descobrir qual personagem iria morrer. É Max – mas não é Max. A skatista ruiva cresceu muito durante a quarta temporada. Max (Sadie Sink) perdeu Billy, seu abusivo irmão mais velho, durante a batalha da temporada passada. Seu padrasto foi embora, forçando Max e sua mãe a se mudarem para um estacionamento de trailers. A vida de Max não tem sido fácil. Ela já era mais madura do que qualquer criança deveria ser. Mas a situação de Vecna leva o sacrifício de Max a um novo nível. Marcada para a morte por causa de suas memórias sombrias, Max é salva pela cantora Katie Bush. Mas, para capturar o rei do Mundo Invertido, Max se oferece como isca. É uma prova de sua bravura, mas também de sua culpa sobre a morte de Billy. Apesar de escapar para memórias felizes do baile da escola, Max acaba sucumbindo a Vecna, que quebra sua mente e seus ossos. Seu ex-namorado Lucas (Caleb McLaughlin), que tentou e não conseguiu ser um garoto popular nesta temporada, grita por ajuda enquanto embala o corpo quebrado de Max. El responde de dentro de um tanque sensorial improvisado numa unidade da Surfer Boy Pizza. Ela traz Max de volta à vida, mas por pouco. Max está em coma e, quando Eleven entra em sua mente, encontra uma escuridão sem fim.

Hawkins está no Mundo Invertido – mais ou menos

No início do Capítulo 8, Nancy (Natalia Dyer) está sob o controle mental de Vecna. “Eu gostaria muito de mostrar a você o meu destino”, ele rosna em seu ouvido antes de transmitir uma visão de uma Hawkins em chamas. Aí ela entende que ele quer fundir as duas realidades, trazendo o Mundo Invertido para o mundo real. “Tinha muitos monstros – um verdadeiro exército – e eles estavam entrando em Hawkins, nos nossos bairros, nas nossas casas”, ela diz ao resto da gangue antes de traçar seu plano para incendiar Vecna enquanto ele está em estado de transe. O plano dá certo. Mas não o suficiente. Eles conseguem destruir o corpo de Vecna, mas não antes que ele reivindique sua quarta e última vítima, Max, que então abre os portões para a outra dimensão. Terremotos arrasam Hawkins, cortando a cidade em tiras. O exército de Demogorgons ainda não chegou, mas, na cena final, começam a nevar os flocos reveladores do Mundo Invertido. / TRADUÇÃO DE RENATO PRELORENTZOU

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