Erika Doss/The CW
Erika Doss/The CW

Série 'Stargirl' traz uma heroína nascida de uma tragédia real; veja trailer

A adolescente Courtney Whitmore se une ao seu padrasto para perseguir vilões que aniquilaram grupo de heróis, a Sociedade da Justiça da América

George Gene Gustines / NYT, O Estado de S.Paulo

21 de maio de 2020 | 12h22

Uma nova geração de campeões surge em Stargirl, o mais recente lançamento da CW Television Network do gênero super-herói. A série de TV traz diversos heróis de quadrinhos da DC Universe liderados pela Stargirl, personagem criada para os quadrinhos por Geoff Johns. Ela é uma adolescente chamada Courtney Whitmore (Brec Bassinger) que se une ao seu novo padrasto, aparentemente não tão interessante, Pat Dugan (Luke Wilson), para perseguir vilões que aniquilaram um grupo anterior de heróis, a Sociedade da Justiça da América.

Mas os motivos dela não são somente altruísticos. Courtney acredita que seu pai, que desapareceu no dia em que aquele grupo desapareceu, secretamente pode ser um dos combatentes do crime. Ao longo da história, ela encontra novos heróis para herdar a capa e o capuz da Sociedade. “A ideia de legado é preponderante na série”, disse Johns, que escreveu o roteiro do piloto e é o responsável pela série, a primeira que ele supervisiona. 

Johns criou Stargirl nas suas primeiras séries de desenho animado, Stars e S.T.R.I.P.E, de 1999. A personagem foi extraída em parte da Star Spangled Comics, de 1941, que trazia uma heroína infantil e um parceiro adulto. “Sempre fui fã dessas ideias antigas, esquecidas ou ignoradas que fazem parte da DC e com vontade de dar um polimento nelas”, afirmou.

Outra inspiração foi mais pessoal. A personagem tem o nome da irmã de Johns, Courtney, que morreu na explosão do TWA 800 em 1996. “Reuni meu amor por minha irmã e a DC Comics, e combinei os dois”. Em uma entrevista por telefone, Johns falou sobre a irmã, o período em que trabalhou como assistente do diretor de cinema Richard Donner e seu amor pelas histórias em quadrinhos.

Abaixo, trechos da entrevista:

Que características da sua irmã você inseriu em Stargirl?

Minha irmã tinha uma imensa energia, era muito otimista e destemida. Eu quis apreender parte disto numa personagem que ficasse por aí para sempre.

Mostrar os defeitos da personagem foi difícil uma vez que se baseou em sua irmã?

Não, minha irmã tinha muitos defeitos, mas também a personagem, quando você começa a descrevê-la, assume vida própria. Acho que Courtney foi uma das personagens mais fáceis de criar porque ela sempre faz tentativas: para mim esse é um aspecto inspirador. Ela vê potencial no velho parceiro Pat Dugan quando outros não veem. Ela vê potencial nas crianças da escola secundária que são ignoradas e as recruta para a Sociedade da Justiça. Ela encontra valor nas pessoas que outros rejeitaram.

Você escreveu o papel de Pat Dugan, o padrasto, para Luke Wilson. Por que pensou nele?

Quando cheguei pela primeira vez a Los Angeles, assisti a Bottle Rocket e adorei Luke como ator. Ele tem uma real seriedade, confiabilidade e humildade que são fundamentais. E é divertido! Assim, enquanto escrevia o roteiro e o personagem Pat Dugan, sempre pensava nele. Quando terminei de escrever o piloto, enviei a ele o roteiro. Acabamos almoçando juntos, e ele trouxe todas aquelas ideias hilárias sobre um dos personagens da série, o filho de Pat Dugan, Mike (Trey Romano), que é como um sujeito de 45 anos no corpo de um garoto de 14. Ele até escolheu a música de John Cash no segundo episódio.

Uma versão de Stargirl apareceu num episódio de Smallville em 2010, que você escreveu. Qual é a diferença quanto à maneira como Brec Bassinger encarna a personagem?

Foi divertido ver Stargirl na tela pela primeira vez, mas era muito diferente porque era uma personagem coadjuvante. Tematicamente esta agora é uma experiência bem distinta. Tivemos sorte em encontrar Brec – ela chegou e trouxe a emoção, o calor, o drama, a comédia e a força que Stargirl e Courtney precisavam.

O elenco de Stargirl é muito diverso. Era uma prioridade?

Nosso personagem principal é Stargirl, de modo que não preciso ficar alardeando, “olha temos uma liderança feminina!”. Mas era importante ter um conjunto diversificado de personagens em torno dela e eu queria extrair esses personagens dos quadrinhos que amava e alguns que nunca tive a chance de escrever. Yolanda Montez/Wildcat (interpretada por Yvette Monreal) foi morta muito cedo nas histórias em quadrinhos e ficou esquecida, como também Beth Chapel, o novo Doutor Meia Noite (Anjelika Washington). As duas personagens tinham um potencial inexplorado. Outro aspecto no caso de Yolanda e Beth, e mesmo Rick Tyler (Cameron Gellman), é que não estavam super definidos nas histórias em quadrinhos, de modo que dei a eles mais amplitude para fazer a melhor versão desta série.

Desta vez você atuou como o responsável pela série. Como foi?

Foi um processo de aprendizagem incrível. Eu me mudei para Atlanta para a produção porque desejava assegurar que nosso tom fosse apropriado, que estaríamos protegendo as cenas que precisávamos e que os diretores e todos os demais compreendessem o que queríamos realizar. Procuramos elevar o nível da produção também. Eu quis dar um toque e uma percepção cinematográficos à série. Espero ter muitas temporadas seguindo esse caminho.

O período em que foi assistente de Richard Donner influenciou a maneira como você encarou esta produção?

Fui assistente dele em Teoria da Conspiração e Máquina Mortífera 4. No set de gravação, sua atitude era fantástica. Aprendi com algumas das melhores pessoas, de Dick a Patty Jenkins e Greg Berlanti e muitos outros. Escrevi o roteiro de WWW 1984 com Patty e Dave Callaham, e esta foi uma das minhas mais intensas e divertidas experiências. Trabalhei com Greg na TV desde quando ele estava desenvolvendo Arrow. Juntos escrevemos The Flash e Titãs com Akiva Goldsman e depois trabalhamos juntos em outras séries. A paixão e a experiência de Greg foram valiosas durante Stargirl.

Seu enfoque muda quando escreve uma história em quadrinhos ou uma série de TV?

No caso dos quadrinhos você tem um número finito de páginas e um finito número de painéis. Não existe um orçamento, mas há limitações quanto ao que você pode fazer em termos de formato. No caso da TV, você sempre tem limitações de orçamento. Quando você resolve como escrever dentro do orçamento previsto fica mais fácil.

Qual a coisa mais excêntrica que incluiu na série?

Tem muita coisa na sede da JSA que é preciso ir a fundo. Nosso objetivo era juntar o material da cena de abertura, com nossa versão do monstro do pântano Solomon Grundy, à caneta mágica contendo o Thunderbolt. Quando entramos nos Sete Soldados, vamos mais a fundo. Mas tentamos fazer isto de maneira que fosse emocionalmente relevante. Tudo é uma história a ser contada. / Tradução de Terezinha Martino

 

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