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Série 'Foodie Love' é o escapismo perfeito para amantes de bons restaurantes

As paixões de Isabel Coixet, viagem, comida e amor, se fazem presentes em sua primeira série de televisão

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

20 de novembro de 2020 | 05h00

Viagem, comida, amor. As paixões de Isabel Coixet frequentemente aparecem em seus filmes, como A Vida Secreta das Palavras (2004) e Mapa dos Sons de Tóquio (2009). Não poderia ser diferente com sua primeira série de televisão, Foodie Love, que tem novos episódios no ar às sextas, às 20h30, na HBO. “Eu era uma foodie antes dessa palavra ser moda”, disse a diretora espanhola ao Estadão, em conferência virtual. “Sou capaz de pegar o carro e viajar duas horas para conhecer um restaurante descoberto no Instagram que tem uma nova receita de aspargos. Só não faço agora porque não dá”, completou, referindo-se à pandemia. 

Mas Foodie Love não é pessoal apenas porque os dois personagens principais, Ela (Laia Costa) e Ele (Guillermo Pfening), apaixonados por comida e que se conhecem num site de encontros para foodies, se tornam próximos em eventos que giram em torno da comida e das viagens – a série vai à França, à Itália e ao Japão. “Eu realmente amo comida e sou obcecada por café, anchovas, vinho, champanhe, lámen”, disse a cineasta. “Tudo foi inspirado de certa forma na vida real, em coisas que amigos passaram ou histórias que ouvi.” Inclusive a falta de entusiasmo da personagem feminina pela pizza. “Outro dia pedi pizza de um lugar bem bom. E estava boa, mas eu gosto no começo, mas depois não ligo mais. Não como tudo de uma vez, não é minha coisa favorita.”

Para Coixet, a comida serve para unir as pessoas, e não é diferente aqui. “Para falar a verdade, não consigo confiar em alguém que não liga para comida. Comida para mim é vida, é prazer. E jamais confio em alguém que só fala de dieta”, contou. “Nos Estados Unidos, eles estão sempre se sentindo culpados pela quantidade de café que tomam, pelo açúcar. Claro que há pessoas com problemas de saúde que não devem tomar café ou ingerir açúcar. Mas estou falando de pessoas saudáveis que simplesmente estão se privando das coisas.”

Coixet já tinha recebido proposta de migrar para a televisão, mas, além de se considerar uma diretora de cinema, não sentia que teria total controle criativo, como está acostumada. Na série foi diferente e, no fim, ela gostou da experiência. “Foi muito divertido”, afirmou. “E achei bem bacana ter tempo para explorar os outros personagens que não são protagonistas.” Em Foodie Love, o espectador não acompanha apenas o relacionamento de Ela e Ele, mas fica conhecendo melhor o casal de baristas formado por um argentino e uma brasileira, por exemplo. 

Também foi a chance de a diretora criar um romance que alterna o doce e o ácido. “Há momentos românticos e outros bem realistas”, disse. O primeiro encontro, por exemplo, evita os clichês das comédias românticas, em que tudo sai lindamente ou tudo é um desastre, para ter uma reviravolta depois. “Queria captar o frescor desse contato inicial, com seus instantes estranhos e desajeitados, as mentiras que um conta para o outro.” Ela abre caixas de texto na tela que demonstram os verdadeiros pensamentos dos personagens, aquelas horas em que se recriminam por uma atitude ou fala, ou mostram algum segredo que querem deixar escondido, por medo de desagradar ao outro. 

A série também evita os clichês do que seria considerado um comportamento feminino ou masculino. Ele é muito mais tímido que Ela, que tende a ser mais direta, para ficar só em um exemplo. “Estou cansada de ver personagens masculinos sem camadas ou complexidade. E femininos também. Quero o mesmo nível de contradições e paradoxos porque os seres humanos são assim”, disse Coixet. “Uma das coisas de que me orgulho é que nem Ele nem Ela são definidos por seu sexo. Ambos têm qualidades femininas e masculinas e personalidades especiais. As pessoas esperam que a mulher seja de um jeito, que o homem seja de outro, mas na vida as pessoas desafiam suas expectativas.”

A diretora espera que a série seja um alívio na pandemia, quando a ida a restaurantes, viagens e até encontros amorosos com desconhecidos estão restritos. “Ninguém quer ver filmes ou séries sobre a pandemia, com pessoas de máscara ou lavando suas mãos sem parar. Ao menos eu preciso viajar, sonhar, e o cinema e a televisão são maneiras de viajar. Eu quero escapismo.” Sua expectativa é a de que outras pessoas queiram isso também. 

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