Netflix
Netflix

Série documental retrata seis casais idosos e o amor que resiste ao tempo

Os seis episódios trazem casais de diferente países, inclusive do Brasil; produção está disponível na Netflix

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

30 de abril de 2021 | 15h18

Viver uma vida inteira ao lado de uma pessoa demonstra, certamente, o quanto há de amor nessa relação e o quanto cada um teve de tolerar da personalidade da sua cara-metade. Passar 40, 50, 60 anos em uma relação afetiva com a mesma pessoa não é para qualquer um, não mesmo. Atualmente, alguns casais permanecem juntos depois de uma longa trajetória unidos, como é o caso, por exemplo, de Glória Menezes e Tarcísio Meira, casados há 60 anos, Xororó e Noeli, 40 anos de casados, ou Tony Ramos e Lidiane Barbosa, casados há mais de 50 anos, só para citar os mais conhecidos por aqui. E é esse tipo de relacionamento, duradouro, que a série documental Meu Amor - Seis Histórias de Amor Verdadeiro, da Netflix, revela para o público. 

O projeto teve como base o filme My Love, Don't Cross That River (Meu Amor, Não Atravesse o Rio), do diretor coreano Jin Moyoung, que é um dos produtores da série, e foi realizada antes da pandemia. Durante o período de um ano, seis casais de idosos, cada um de um país diferente, foram acompanhados em seu dia a dia por cineastas locais. São histórias reais que retratam como uma relação pode ser duradoura, bonita, eterna. Traz bons momentos e também os problemas decorrentes da idade e do que se viveu anos passados. Após anos de convivência diária, o amor ainda existe, e o companheirismo e cumplicidade são determinantes para o equilíbrio da relação. 

Em cada episódio, acompanhamos a história de um casal específico com suas memórias reavivadas e como levam a vida nessa fase de suas existências. No primeiro, Ginger e David, que moram nos Estados Unidos, na Virginia, e estão prestes a completar 60 anos de união. Têm seis filhos, mas o foco aqui são os dois idosos. Morando em sua fazenda, o casal, ela com 79, ele com 84, se mantém ativo, participam de reuniões com amigos, viajam e se divertem com recordações ou com o que fazem no dia a dia. Lúcidos ao pensar no futuro, os dois começam a pensar em como querem que seja no dia de suas mortes. Assim, planejam o funeral, querem ser cremados. Fazem isso com serenidade, com o sentimento de que viveram a vida da melhor forma possível. A direção é de Elaine McMillion Sheldon. 

No segundo episódio, vamos para a Espanha conhecer o casal Nati, 77 anos, e Augusto, 83 nos, que estão juntos há mais de 60 anos e moram em uma área rural e cultivam amendoeiras. Logo no início, a forma divertida como contam a história de como se conheceram reflete como é a relação dos dois. Vamos observando os dois idosos caminhando pela redondeza, a passos lentos, cada um com sua bengala, mas não ficam parados. Recordam passagens da vida, lembram amigos e revelam a preocupação com o número crescente de javalis na área, animal perigoso e que acaba com as plantações. É um lugar simples, fazem pão com os amigos usando o forno a lenha. Reconhecem o amor de um pelo outro, sempre um apoiando o outro. E fazem algo que não era costume, viajam para o litoral. A direção é de Chico Pereira. 

O casal japonês Kinuko, 80 anos, e Haruhei, 84, retratados no terceiro episódio, estão juntos há quase 50 anos. Os dois trazem consigo as marcas de tudo que tiveram de superar na trajetória dessa convivência. O carinho entre os dois, a cumplicidade e a força dessa união servem de inspiração. Eles vivem sozinhos em um pequeno apartamento e, apesar das dificuldades, conseguem manter um relacionamento de respeito e amor. Harubei é uma pessoa com limitações, tem em seu corpo as marcas da lepra, uma doença que o tornou uma pessoa excluída pela sociedade e por sua família. Quando jovem, foi para uma instituição para tratar a  hanseníase. E foi aí que conheceu Kinuko, que trabalhava na cozinha do local. Fortes, apesar das intempéries, os dois agora precisam lidar com a doença dela, que precisa passar por uma grande cirurgia. Mas nem mesmo essas complicações tiram o sorriso do rosto dos dois, que se mantêm unidos, sempre olhando para o lado positivo, ainda com olhos para observar a beleza do monte Fuji. Direção de Hikaru Toda. 

Na Coreia, Saengja, 66 anos, e Yeongsam estão casado há 47 e, apesar da idade, ainda mantêm o trabalho na criação de abalones. Ele faz a parte mais pesada, mas ela, com dores fortes na coluna, fica com a parte que exige menos, mas que reflete em seu corpo, complicando ainda mais sua saúde. Ela ainda está com a audição comprometida. Mas tudo isso não é o bastante para tirar a felicidade de seus rostos, nem deixar que um continue cuidando do outro com o carinho que lhes é habitual. Sempre com o sorriso estampado  no rosto, contam com a ajuda dos filhos para preparar alimentos, mas eles não moram no mesmo local. O casal de idosos vive sozinho e continua a vida com seus afazeres, com tempo para recordar o passado, que tem uma história triste para a família, mas também se divertir e cantar. “Ninguém foge do tempo”, diz Saengja. “Espero viver muito tempo com você, e partir junto”, afirma Yeongsam. Direção de Jin Moyoung 

O Brasil está representado no episódio cinco e mostra a história do casal Nicinha, 57 anos, e Jurema, 65 anos, que tem uma união de 43 anos. No transcorrer da história, vemos o relacionamento das duas, que moram na comunidade da Rocinha, no Rio de Janeiro. Mesmo com tanto tempo juntas, o amor se faz presente em cada gesto, em cada olhar e palavras de uma para a outra. Apesar das dificuldades, que não sou poucas, as duas se cuidam. Jurema tem problemas de saúde, o que exige visitas ao posto de saúde constantes. Nicinha joga sua força no trabalho, passa o dia fora e volta tarde, cansada, mas não o bastante que não tenha tempo para a companheira. Elas vivem em uma pequena casa, que dividem com filhos e netos. Em meio às dificuldades, sonham em morar em um lugar diferente, para isso, conseguiram comprar uma casinha, que necessita de grande reforma.Enquanto o objetivo não é atingido, vivem sua realidade, que não é só de dor, tem momentos de diversão e de aconchego. Direção de Carolina Sá. 

O encerramento da série é na Índia, onde vamos acompanhar o cotidiano do casal Satyabhama e Satva, que vivem da colheita do algodão em sua pequena plantação. Juntos há 42 anos, os dois andam de mãos dadas, cuidam dos filhos e netos, além dos mais velhos, e trabalham unidos também. Eles moram em uma aldeia, vivem de forma muito simples dentro das tradições locais. Sempre juntos em tudo que fazem, a preocupação com o bem-estar de cada um é mútuo. Quando o marido esqueceu seu almoço, ela não perdeu tempo em levar o alimetno até ele. Quando ela machucou o pé, ele, carinhosamente, cuidou do ferimento. Ao lembrar de como se conheceram e se casaram, os dois contam aos pequenos que se viram pela primeira vez no dia do casamento. “Nosso laço vai além dessa vida”, diz ela. “Quando estamos todos juntos, meu coração fica em paz”, diz o marido. Direção de Deepti Kakkar e Fahad Mustafa.  

 

Tudo o que sabemos sobre:
série e seriadodocumentárioNetflix

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.