LES PARASITE
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Sem premonição, série 'O Colapso' mostra esgotamento dos recursos naturais e ameaça à vida humana

Coletivo francês Les Parasites exibe edição especial com três episódios no canal AMC Brasil

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

08 de fevereiro de 2021 | 14h00

Um jovem atendente em um supermercado passa os produtos do cliente pelo leitor de código de barras. Antes de finalizar a compra e realizar o pagamento, uma queda de energia mergulha o lugar na escuridão. Enquanto clientes e funcionários enfrentam a instabilidade da luz, uma saga com cara de fim de mundo estreia nesta segunda, 8, com a minissérie O Colapso (L’Effondrement) exibida em edição especial na AMC Brasil. Na próxima segunda, 19, vão ao ar os episódios 4, 5 e 6, e no dia 22, os dois últimos episódios. 

08/02; 4,5 e 6, no próximo dia 15/02; e 7 e 8 no dia 22

A produção criada pelo coletivo francês de diretores Les Parasites, investiga os limites da sociedade industrial e como as crises energéticas podem transformar o estilo de vida e provocar graves consequências na vida humana. Exibida em três episódios por semana, a série de Guillaume Desjardins, Jeremy Bernard e Bastien Ughetto foi indicada ao Emmy no ano passado na categoria melhor minissérie e abre com o esgotamento da energia elétrica em um supermercado. “O que descrevemos neste episódio são comportamentos fáceis de antecipar”, explica o coletivo ao Estadão, por email. “A série não é premonitória, nós apenas tentamos aproveitá-la, o máximo possível, de maneira realista. Se algo der errado e você achar que vai ficar sem comida, o que você vai fazer? Queríamos mostrar o quão dependentes somos de uma fonte vulnerável que pode parar a qualquer momento.”

Criado em 2013, o Les Parasites se lançou durante o festival 48 Horas, em que a equipe deve escrever, gravar e editar uma produção audiovisual em dois dias. O resultado foi Retcon, levou os principais prêmios da edição com a história de dois personagens que se unem contra um roteirista. Ao longo dos últimos dez anos Bernard, Desjardins e Ughetto já tocaram uma série de projetos em conjunto ou separadamente. “Foi assim que aprendemos a trabalhar juntos, na pressa! Hoje temos projetos em conjuntos e trabalhos separados. Somos uma equipe para a vida toda, mas de forma livre.”

O Colapso é fruto de uma série de indagações do Les Parasites e também um desejo por imaginar as dificuldades que a vida humana poderá enfrentar se continuar esgotando os recursos naturais do planeta, tudo sem a ajuda de zumbis ou visitas de alienígenas. “Fizemos a minissérie porque temos medo de ver o que acontecerá se não fizermos alguma coisa”, explica o coletivo. “Queríamos compartilhar esse medo com as pessoas, mostrando-lhes como é frágil a sociedade em que vivemos um ‘pós-apocalipse’, muito raro em cinemas.”

No segundo episódio, O Colapso exibe um conflito que envolve o consumo de combustível e no terceiro, uma saga de um homem rico que precisa embarcar, em 15 minutos, em um voo. Em um mundo tão desigual, o dinheiro ocupa um lugar especial na manutenção das diferenças e ganha foco na produção do Les Parasites. “Se considerarmos apenas as mudanças climáticas, já sabemos que a vida vai ser impossível para bilhões de pessoas no final do século. É impossível para todos nós viver em lugares com ar condicionado. Bem, exceto para algumas pessoas ricas... mas e os outros 99%? Estamos com medo e é por isso que fizemos a série.”

Mas o tema distópico não é o único elemento que chama a atenção em O Colapso. Com visual de cinema, a série traz tomadas de plano sequência em cada história. No episódio do supermercado, o público acompanha o jovem atendente nas incursões entre as prateleiras, no estoque e no caixa. Para o coletivo, a escolha visual reforça o realismo na história. “Sem edição, você não tem escolha a não ser deixar a situação totalmente com o personagem. Se isso não acontecer de forma completa, provavelmente não será capaz de manter o espectador com você.”

 

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