Eliza Morse/Netflix via AP
Eliza Morse/Netflix via AP

Sandra Oh faz uma pausa de 'Killing Eve' para atuar na comédia dramática 'The Chair'

Sandra Oh vem lidando com a morte em 'Killing Eve' desde 2018, então ela poderia se aproveitar de uma produção mais leve

Hilary Fox, AP

23 de agosto de 2021 | 05h00

LONDRES - Sandra Oh vem lidando com a morte e com a serial killer Villanelle, em Killing Eve, desde 2018, então ela pode se aproveitar de um tempo para fazer algo que faça rir. Essa é uma das razões pelas quais a atriz canadense-americana aceitou o papel da professora Ji-Yoon Kim, a diretora recém-nomeada de um departamento prestigiado, mas difícil, de Inglês, em uma faculdade que passa por problemas, na série cômico-dramática The Chair.

"Por mais gratificante que seja Killing Eve, seus elementos mais sombrios tornaram difícil para mim gravar a série. Senti que desejava viver num espaço de comédia”, disse ela.

The Chair, série de seis episódios lançada na sexta-feira na Netflix, mistura humor com os desafios gigantescos enfrentados por Ji-Yoon numa escola assolada por problemas financeiros e choques entre gerações.

As matrículas no departamento de Inglês diminuíram e a maior parte dos professores é idosa, branca e presa aos seus hábitos - o que não é bem aceito pelos alunos politicamente corretos da Pembroke University.

A relação de Ji-Yoon com sua filha obstinada, Ju-Hee (Everly Carcanilla), também é atribulada. A série de Amanda Peet, atriz que se tornou showrunner, tenta mostrar a relação familiar de uma maneira realista e complexa.

“Mudei para o papel da mãe na minha carreira e normalmente isso costuma ser uma sentença de morte para as atrizes. Penso assim porque o papel de mãe não é assim tão genial. Mas este que estou interpretando agora é muito profundo, multidimensional e intenso”.

Embora a maior parte do elenco da série, que inclui Jay Duplass, Holland Taylor, Nana Mensah e Bob Balaban, tenha experiência universitária, Sandra Oh não frequentou a faculdade. Na verdade, o foco da série na escola não foi o que atraiu a atriz, filha de imigrantes sul-coreanos nascida no Canadá. Foi o nome da sua personagem que chamou sua atenção logo no início.

“Eu observo, muito lentamente na minha carreira, a mudança que ocorreu, conseguir colocar um nome coreano e todos os personagens dizendo o seu nome. Isso realmente me atraiu”, disse ela. “Isso diz alguma coisa porque é uma normalização de coisas que você não nota que na vida cotidiana são normais”.

A série The Chair foi filmada em Pittsburgh em março, quando vários tiroteios ocorreram na área de Atlanta que deixaram oito pessoas mortas, seis delas mulheres com descendência asiática. Sandra sentiu-se compelida a se fazer ouvir numa manifestação contra a violência numa esquina em Pittsburgh.

“Sabia que não queria estar sozinha. Queria me juntar com outras pessoas asiáticas”, disse. Ela discutiu o caso com o elenco e a equipe de filmagem, “que responderam de modo muito belo porque era algo importante para eles também”.

Apesar de ser uma época complicada durante a Covid porque ainda precisávamos fazer nosso trabalho, e continuar filmando, isso era muito importante para nós estarmos ao lado da comunidade e ouvir um ao outro”.

Sandra espera que os personagens retratados na série façam uma diferença em termos de retratar pessoas de etnia asiática.

“Sinto que o que posso fazer no meu trabalho supera muito qualquer coisa que eu diria numa manifestação, num tuíte e até num ensaio, porque estes não são os meios em que me expresso melhor, que acho que consigo me comunicar bem”.

Sandra está em Londres filmando a última temporada de Killing Eve, que rendeu a ela uma indicação de melhor atriz de série dramática no Emmy de 2018 - a primeira indicação de uma atriz asiática na categoria. Ela teve outras duas indicações na categoria desde então. E espera encerrar a relação perversa entre sua personagem, Eve Polastri, e a serial killer Villanelle (Jodie Comer) embora continuando fiel aos personagens.

Há um outro papel de Sandra Oh que tem comovido o público: o da Dra. Cristina Yang, de Grey’s Anatomy". Sandra deixou a série em 2014. Mas no início da pandemia, as pessoas redescobriram a série e se reuniram na mídia social para discutir as tramas das temporadas recentes e mais antigas.

“Acho que a série trouxe conforto para muitas pessoas durante a pandemia”, disse a atriz. “É incrível fazer parte de uma série que oferece esse tipo de conforto ou familiaridade para as pessoas. É um enorme privilégio. Estou feliz com o fato de as pessoas a redescobrirem, ou assistirem pela primeira vez”. / TRADUÇÃO DE TEREZINHA MARTINO

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