Mark Sommerfeld/NYT
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Sam Waterston ainda é o rosto que identifica a série ‘Law & Order’

Ator, de 81 anos, tem uma carreira longa e variada, mas acabou sendo mais conhecido pela atração que volta no dia 24 de fevereiro

Alexis Soloski, The New York Times

21 de fevereiro de 2022 | 20h00

Law & Order estreou na NBC em 1990. Um drama processual que era na verdade dois dramas conjugados, a primeira metade de cada episódio focava na investigação de um crime, a segunda na acusação do suspeito. Entre os integrantes do elenco original, estava Michael Moriarty, que interpretou um promotor público assistente. Durante a quarta temporada, em circunstâncias nebulosas, Moriarty saiu.

Dick Wolf, que criou Law & Order, conta que Warren Littlefield, presidente da NBC, perguntou se o programa poderia continuar. Wolf achava que sim. “Tenho duas palavras para você”, ele disse a Littlefield. As palavras? “Sam Waterston.”

Waterston, que havia acabado de terminar o drama sobre direitos civis da NBC I’ll Fly Away, não estava procurando por um drama processual. Tendo iniciado sua carreira como ator clássico, ele não esperava trabalhar na televisão. Ainda assim, ele concordou – a curto prazo, pelo menos – em assinar um contrato de um ano em 1994 para interpretar o ético promotor assistente Jack McCoy.

“Não pensei que ficaria lá por muito tempo”, Waterston me disse recentemente. Ficou por 16 temporadas. Naqueles anos, Law & Order tornou-se um marco cultural e uma extensa franquia (antes de aparentemente todas as franquias de dramas processuais). Waterston – com o cabelo grisalho e o rosto enrugado – continuou sendo seu rosto confiável.

 Quando a NBC cancelou a série, em 2010, ele voltou ao teatro clássico e assumiu papéis de destaque no drama de mídia da HBO de Aaron Sorkin, The Newsroom, e na comédia da Netflix com Jane Fonda e Lily Tomlin Grace and Frankie. Fez alguns filmes. E então, em uma reviravolta que até mesmo uma sala de roteiristas de Law & Orderno final da temporada teria considerado demais, Law & Order de repente voltou após uma década, com o McCoy de Waterston na promotoria.

O primeiro episódio vai estrear em 24 de fevereiro nos EUA – no Brasil, a série pode ser vista na Amazon Prime Video. E, em 3 de março, estréia The Dropout, minissérie baseada no escândalo Theranos, na qual Waterston interpreta o ex-secretário de Estado George Shultz. A sétima e última temporada de Grace and Frankie chega em abril, o que significa que Waterston terá três séries simultaneamente, mostrando seu talento para drama, imitação sofisticada e comédia leve.

“Este é um momento muito doce”, ele disse, enquanto tomava uma canja de galinha. “Sempre quis provar que posso fazer todo tipo de coisa.” Seu lema, me disse, é uma letra do musical A Chorus Line sobre o desejo de um ator de fazer tudo: “Eu posso fazer isso! Eu posso fazer isso!” Agora ele pode.

Isso foi durante a tarde de um dia de semana recente. A meteorologia havia previsto chuva — corretamente. Mas Waterston, 81, ainda insistiu em me encontrar no Central Park, armado contra a mistura invernal com um chapéu de abas largas, uma jaqueta de couro e um guarda-chuva que ele deixou fechado a maior parte do tempo. Um fotógrafo e eu fomos levados por ele ao Teatro Delacorte, o antigo lar de Shakespeare no parque e o local de seus triunfos no início de carreira: Benedick em Muito Barulho Por Nada, o Duque em Medida por Medida e Hamlet em Hamlet.

“Seu amor por aquele lugar, você realmente pode sentir isso”, disse Michael Greif, que o dirigiu ali em A Tempestade. Era verdade. Waterston caminhou pelo palco – bochechas vermelhas, olhos enrugados – como se já fosse verão, parecendo não ver a lama e sim o trabalho que ele havia feito nos últimos 60 anos.

“O Delacorte acabou de receber sinal verde para ser completamente reconstruído”, disse. “É simplesmente demais.”

Waterston – de fala simples, brilhante, melancólico – nunca precisou de muito em termos de renovação, embora tenha se reinventado como ator várias vezes. Sua viagem ao Delacorte sugeria um homem tentando traçar uma linha através de uma carreira agitada.

Precoce, ele começou cedo, fazendo um pequeno papel em uma peça dirigida por seu pai, que lecionava em uma escola preparatória no noroeste de Massachusetts. Em Yale, ele continuou atuando; ainda pode se lembrar de uma noite mágica em que interpretou Lucky em Esperando Godot e sentiu que ele e o público “estavam nesse tipo de bolha incrível de comunicação e compreensão um do outro”. (Isso foi depois que o Yale Daily News argumentou que ele era inteligente demais para o papel, lembrou Waterston).

Ele não conseguia imaginar uma carreira no show business – “um negócio maluco”, ele achava. Em Yale, estudou assuntos mais sensíveis como francês e história. Passou um ano na Sorbonne. Mas, de alguma forma, não conseguiu se conter.

“É uma diversão sem fim”, disse. “Quando você compara com outros tipos de trabalho, por que você iria querer fazer outra coisa?”  TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

 

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