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Trecho da série coreana 'Round 6', da Netflix.  Netflix

'Round 6' tem a maior estreia de série original da Netflix; entenda o fenômeno

São 111 milhões de acessos em todo o mundo, segundo a plataforma

Josh Smith, Reuters

14 de outubro de 2021 | 07h28

A popular série sul-coreana Round 6 se tornou oficialmente nesta quarta-feira, 13, a maior estreia de uma atração da Netflix. De acordo com o serviço de streaming, a série foi sintonizada em 111 milhões de contas. 

Vale lembrar, porém, que a Netflix já considera para o cálculo de audiência qualquer conta que tenha assistido a pelo menos dois minutos do contéudo.

A série atingiu a marca em apenas 27 dias desde que estreou em 17 de setembro, superando com facilidade o drama de época britânico Bridgerton, que foi visto por 82 milhões de assinantes em seus primeiros 28 dias.

A Netflix fornece informações limitadas sobre cifras de audiência de sua plataforma e separa os dados que disponibiliza de várias maneiras.

"Não previmos isso, em termos de sua popularidade global", disse o copresidente-executivo e chefe de conteúdo do serviço, Ted Sarandos.

Sobre 'Round 6'

O suspense em nove partes, no qual participantes endividados disputam jogos infantis com consequências mortais na tentativa de conseguir o equivalente a US$ 38 milhões, é uma sensação mundial da Netflix desde que foi lançado menos de um mês atrás.

O drama distópico, conhecido como Squid Game no exterior, inspira incontáveis memes, fantasias de Halloween das jaquetas usadas pelos participantes e recriações dos vários jogos no mundo real. Ele também provoca um debate na Coreia do Sul a respeito de sociedades toxicamente competitivas e gera um novo interesse pela cultura e pela língua do país em todo o mundo.

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'Round 6': Sucesso vem do interesse pela Coreia do Sul, temas e crítica aos males do capitalismo

Distopia da Netflix conhecida no mundo como 'Squid Game' tem trama afiada, alegoria social e cenas de violência

Redação, AFP

12 de outubro de 2021 | 08h08

Trama afiada, alegoria social e cenas de violência contundente são os ingredientes do sucesso de Round 6, a distópica série da Netflix que se tornou o mais recente fenômeno global a surgir da Coreia do Sul.

Assim como em Parasita, que em 2020 se tornou a primeira produção não inglesa a ganhar o Oscar de melhor filme, seus protagonistas são das camadas mais marginalizadas da sociedade.

Pessoas se afundando em dívidas, um precário trabalhador imigrante, ou uma desertora da Coreia do Norte competem em jogos infantis para ganhar 45,6 bilhões de won (US$ 38 milhões). Se perderem, pagam com a vida. 

O roteiro de Round 6 é um sucesso no mundo todo.

Poucos dias depois de sua estreia no mês passado, o presidente-executivo da Netflix afirmou que "é muito provável que se torne seu maior produto até hoje". 

Escrita e dirigida por Hwang Dong-hyuk, a série confirma a crescente influência da cultura popular sul-coreana, com fenômenos mundiais como o grupo K-pop BTS, ou o próprio Parasita, do cineasta Bong Joon-ho.

Para os críticos, além da origem da produção, a explicação para seu sucesso está nos temas abordados e em sua crítica aos males do capitalismo, universais, especialmente com uma pandemia que aumentou a desigualdade. 

"A tendência crescente de priorizar os benefícios sobre o bem-estar do indivíduo" é "um fenômeno que vemos nas sociedades capitalistas de todo mundo", disse à AFP Sharon Yoon, professor de Estudos Coreanos na Universidade Notre-Dame, nos Estados Unidos.

Em fevereiro, a Netflix anunciou planos de investir US$ 500 milhões somente neste ano em séries e filmes produzidos na Coreia do Sul.

"Nos últimos dois anos, vimos o mundo se apaixonar pelo incrível conteúdo coreano, feito na Coreia", disse o codiretor-executivo da plataforma Ted Sarandos.

"Nosso compromisso com a Coreia é forte. Continuaremos investindo e colaborando com narradores coreanos em um ampla gama de gêneros e de formatos", acrescentou. 

A história do país está repleta de guerras, pobreza e governos autoritários, temas e fenômenos diante dos quais seus seus artistas responderam explorando o poder, a violência e as questões sociais. Isso criou uma cena cultural vibrante que, em diferentes formatos, atingiu um amplo público internacional. 

No início, os dramas coreanos eram muito populares nas televisões asiáticas. Depois, seu cinema foi premiado em vários festivais europeus, e grupos de K-pop ganharam fãs no mundo inteiro.

A coroação veio com o Oscar de Parasita, uma ácida crítica sobre a desigualdade entre ricos e pobres que explora o lado sombrio da 12ª economia mundial.

Round 6 é 'sangrenta, estranha e difícil'

O diretor de Round 6, Hwang Dong-hyuk, terminou seu roteiro há uma década, mas as produtoras se recusaram a apostar em uma história que consideravam "muito sangrenta, estranha e difícil".

Seus trabalhos anteriores trataram de questões como abuso sexual, adoção internacional, ou deficiência - todos eles inspirados livremente em fatos.

Sua primeira produção para a televisão inclui referências a experiências coletivas traumáticas que ficaram gravadas na memória do país, como a crise financeira asiática de 1997, ou as demissões de 2009 da montadora Ssangyong Motor.

"A Coreia do Sul se tornou uma sociedade muito desigual de forma relativamente rápida e recente, nas últimas duas décadas", disse à AFP Vladimir Tijonov, professor de Estudos Coreanos na Universidade de Oslo, na Noruega.

A mobilidade social se tornou "muito menos possível" agora do que era em 1997, e "o trauma da crescente desigualdade (...) transborda para as telas", diz ele.

A Netflix oferece a série em versão dublada e legendada em vários idiomas, expandindo seu público potencial.

Brian Hu, professor de cinema da Universidade de San Diego (EUA), comenta que o fato de ser um sucesso em quase 100 países mostra que não foi feita apenas para um público ocidental.

"O público ocidental associou, em grande medida, produções estrangeiras com descrições da pobreza, e isso se tornou uma forma de menosprezar o resto do mundo", disse ele à AFP.

"O que é único em Parasita e Round 6 é que, embora mostrem pobreza e desigualdade de classes, fazem isso de uma forma que realça a modernidade técnica e cinematográfica da Coreia", completou.

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Série coreana 'Round 6', da Netflix, traz jogo de sobrevivência de alto risco

Programa está entre o mais vistos do serviço de streaming e foi comparado ao filme 'Parasita'

Youkyung Lee, The Washington Post

27 de setembro de 2021 | 08h34

O mais recente sucesso do mundo do entretenimento coreano, Round 6, mostra centenas de apostadores com dinheiro em caixa que aceitam um convite bizarro para competir em jogos infantis. Por dentro, um prêmio tentador espera com um jogo de sobrevivência de alto risco que tem um prêmio de US$ 40 milhões em jogo. 

A série também está se mostrando popular entre os investidores, que estão abocanhando ações de pelo menos duas empresas relacionadas à série de suspense. 

Um jogo de sobrevivência dramatizado na linha de Jogos Vorazes, o programa atualmente lidera o ranking global da Netflix e é o primeiro drama coreano a reivindicar o primeiro lugar nos Estados Unidos no serviço, de acordo com dados da empresa de classificação de streaming FlixPatrol. 

O Bucket Studio, que detém uma participação na agência que representa o ator principal do Round 6, Lee Jung-Jae, cresceu mais de 70% nas últimas três sessões de negociação. A Showbox Corp. - cujo antecessor havia investido na Siren Pictures, a produtora privada do programa - saltou mais de 50% na semana passada, antes de cair na segunda-feira.

A Netflix realizou, no sábado, 25, seu primeiro Global Fan Event com uma prévia de seus próximos filmes e programas de TV. Foi uma oportunidade de provar o que o conteúdo precisa para gerar um aumento no número de novos usuários, mesmo enquanto a batalha pelos espectadores e suas carteiras aumenta.

Assista ao trailer:

Round 6 mostra um grupo de pessoas com enormes dívidas participando de uma série de jogos mortais para ganhar prêmios em dinheiro. Sua descrição da batalha entre ricos e pobres também atraiu comparações com a comédia vencedora do Oscar Parasita.

O Studio Dragon Corp., cuja série Hometown Cha-Cha-Cha está classificada em sétimo lugar no Netflix mundial, de acordo com o FlixPatrol, subiu 5,2%, seu maior ganho diário em seis meses. As empresas coreanas podem produzir "dramas e filmes altamente populares que podem representar uma séria ameaça competitiva para as potências de Hollywood", disse Kim. "Round 6 é um bom exemplo disso", disse ele.

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