Fox via The New York Times
'Os Simpsons' está na 31ª temporada. Fox via The New York Times

Roteirista de ‘Os Simpsons’ nega que episódio tenha previsto pandemia de coronavírus

Em quarta temporada, Marge furta farmácia para salvar família que estaria com ‘gripe de Osaka’

Camila Tuchlinski, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 09h44

Não é de hoje que Os Simpsons são alvos de especulações sobre previsões. Desta vez, o tema é o novo coronavírus. “A ideia de que alguém se aproprie dela (história) para fazer com que o coronavírus pareça uma trama asiática é nojento. Não gosto que seja usado para fins nefastos”, declarou o co-roteirista Bill Oakley, em entrevista ao The Hollywood Reporter.

Internautas de todo o mundo estão comparando a pandemia de covid-19 com um episódio da quarta temporada Marge in Chains, lançado em 1993.

Nele a cidade onde vivem os personagens, Springfield, é atingida pela Osaka Flu, ou Gripe de Osaka, que seria transmitida em caixas com sucos comprados de uma empresa japonesa pelos moradores.

O paralelo, entretanto, tem ignorado o fato da cidade de Osaka ficar no Japão, e não na China, onde o surto de coronavírus começou. 


Oakley relata que lembra de epidemia de gripe nos anos 1960, originária da Ásia, e que isso pode ter inspirado no momento de escrever o episódio. “Acredito que o mais antecedente à (gripe de Osaka) foi a gripe de Hong Kong de 1968. Era apenas uma brincadeira rápida sobre como a gripe chegou aqui”, relembrou.

“Era absurdo que alguém pudesse tossir dentro da caixa e o vírus sobrevivesse por oito semanas na caixa. É um desenho animado. Intencionalmente o tornamos desenho porque queríamos que fosse bobo e não assustador. E não carrega nenhuma dessas más associações”, garantiu o roteirista. 

Ele reconhece que alguns casos de Os Simpsons podem ter “previsto o futuro”, mas ressaltou: “É apenas uma coincidência, porque os episódios são tão antigos que a história se repete. A maioria desses episódios é baseada em coisas que aconteceram nos anos 60, 70 ou 80”. Os Simpsons estão em sua 31ª temporada.

 

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'Estado' lança grupo no Facebook para esclarecer dúvidas sobre coronavírus

CONTEÚDO ABERTO PARA NÃO-ASSINANTES: Especialistas e jornalistas vão interagir e tirar dúvidas de internautas sobre a doença no Brasil e no mundo

Redação, O Estado de S. Paulo

15 de março de 2020 | 12h45

O Estadão lança neste domingo, 15, um novo canal nas redes sociais para você tirar dúvidas sobre o novo coronavírus. Criado no Facebook, o grupo #EstadãoInforma: Coronavirus (clique aqui para entrar) será um espaço para discussão e troca de informações sobre a pandemia. Todos os leitores do Estado são convidados a entrar no grupo - vinculado à página do @Estadao na rede social - e participar das discussões. Diariamente, especialistas e repórteres vão trazer as últimas informações sobre o novo coronavírus e responder dúvidas dos membros da comunidade em transmissões ao vivo.

Para combater a disseminação de notícias falsas na rede, conteúdos especiais, infográficos e todos os destaques do noticiário do Estado sobre o vírus também serão publicados com prioridade dentro do grupo. Para assegurar a qualidade da conversas, o #EstadãoInforma terá sua moderação de comentários feita por jornalistas.

Na primeira 'live', a jornalista Renata Cafardo receberá a psicanalista e pesquisadora na área da infância Ilana Katz. Doutora em psicologia e educação pela USP e pós-doutora em psicologia clínica, ela falará sobre como lidar com crianças e falar sobre a doença.

A ação é parte de uma série de iniciativas do Grupo Estado para trazer uma cobertura completa e precisa da crise. O jornal montou um núcleo especialmente dedicado a essa cobertura, com cerca de 30 profissionais de São Paulo, Brasília e Rio, sem contar os correspondentes pelo País.

As equipes do Broadcast e do BRPolítico, dois serviços de informação exclusiva do Grupo Estado, estarão dedicadas aos impactos na economia e na política. O Estadão Conteúdo reforça a distribuição das reportagens para veículos de comunicação de todo o Brasil.

Na última quinta, 12, lançamos o Boletim Coronavírus, uma newsletter especial, diária, que aborda todos os acontecimentos que o leitor precisa saber sobre a crise. Essa ferramenta é gratuita e está ao alcance de todos os leitores do Estado - não só assinantes. Da mesma forma, liberamos nossa cobertura em tempo real, o chamado "ao vivo", para que todos tenham acesso ao noticiário.

Há ainda uma série de conteúdos disponíveis sem assinatura. São reportagens que sobretudo orientam e explicam a crise pela qual o mundo passa.

Entre as reportagens, há serviços com orientações sobre como lavar as mãos, qual a melhor hora para usar máscaras e como se deve conversar com os filhos sobre a doença. O Estado também deixa disponível a todos os leitores o especial tira dúvidas, tão necessário para combater desinformação e fake news sobre o tema.

 

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Alemanha fecha fronteiras contra coronavírus; Itália registra 369 mortes

Alemães interrompem circulação com França, Suíça e Áustria; desde o primeiro caso de Covid-19, território italiano já soma 1.809 óbitos

Das agências, O Estado de S.Paulo

16 de março de 2020 | 05h00

O governo da Alemanha fechará a partir desta segunda-feira, 16, as fronteiras com a França, a Suíça e a Áustria, para tentar conter a propagação do coronavírus, ao mesmo tempo que a Itália teve ontem um domingo trágico, com o maior número de mortos em apenas um dia, 369. Agora, o país registra 1.809 óbitos pela doença desde fevereiro, quando foi registrado o primeiro caso no território italiano. 

O fechamento da fronteira alemã entrará em vigor às 8h locais (4h, no horário de Brasília), mas não será aplicado ao transporte de mercadorias e também isentará trabalhadores que precisam atravessar a fronteira, segundo informou o jornal alemão Bild.

As autoridades alemãs alegaram que, além do controle da pandemia, o fechamento dos limites tem como objetivo evitar que os cidadãos dos países vizinhos entrem no país para fazer grandes compras em mercados, o que poderia esvaziar as prateleiras, um fenômeno que já foi registrado.

Polônia, República Checa ou Dinamarca já fecharam as fronteiras com países vizinhos e estão aplicando severas restrições para seus habitantes.

Foco. A Itália ainda é o principal foco do coronavírus na Europa. O número de pessoas com a doença atualmente é de 20.603, 2.853 a mais do que os dados de sábado. Até agora, foram curadas 2.335 pessoas, um aumento de 369 em relação ao último boletim. Além disso, 124.899 pessoas já foram testadas para avaliar se tinham a doença.

O papa Francisco deixou o Vaticano ontem à tarde para rezar na basílica de Santa Maria Maior, em Roma, anunciou a Santa Sé. A capital italiana está sob confinamento e os moradores não podem sair de casa, a não ser para trabalhar, fazer compras ou ir à farmácia.

Segundo o Vaticano, o papa “caminhou, como em peregrinação, por um trecho da Via del Corso”, uma das principais de Roma, que estava vazia, e seguiu a pé, com seguranças, até a igreja de São Marcelo al Corso, onde está um crucifixo considerado milagroso pelos católicos que, em 1522, foi levado em procissão em meio à “Grande Peste” que atingiu Roma. / AFP e EFE

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Novo coronavírus já impõe home office, suspende aulas e reduz lazer

Trabalhadores e estudantes contam como aproveitam alteração na rotina e das medidas de empresas e universidades; com menos gente na rua, índice de congestionamento teve recuo; comerciantes lamentam

Bruno Ribeiro, Fernanda Boldrin e Paulo Beraldo, O Estado de S. Paulo

16 de março de 2020 | 05h00

Apesar de o número de casos do coronavírus ainda ser pequeno no Brasil se comparado com outros países, o avanço da doença e as recomendações para tentar evitar o seu alastramento já começaram a modificar a rotina da população. Em São Paulo, empresas adotaram home office e alunos tiveram aula suspensa. No fim de semana, cinemas da região da Paulista tiveram movimento mais baixo, e a Igreja Nossa Senhora do Brasil fez missa a céu aberto.

“Aproveitei para acordar um pouco mais tarde, mas fico atento à minha agenda. Trabalhar em casa dá algumas liberdades: fico com meu gato, ouço música alta”, contou o estagiário de inteligência de mercado Pedro Rocha, de 22 anos, que cita como vantagem do home office a liberdade para fumar. Ele trabalha em um centro de inovação na Vila Olímpia, na zona sul, que ficará fechado até 14 de abril. Uma pessoa que trabalha ali teve resultado positivo para a doença.

Outra vantagem é a fuga do transporte público. “Os ônibus são muito cheios, a região (do trabalho) é lotada, então a contaminação tende a ser maior. Acho que a decisão (de trabalhar em casa) é correta”, disse Nicolas Távora, de 22 anos, que trabalha com logística e importação em uma empresa farmacêutica na região da Avenida Engenheiro Luís Carlos Berrini, na zona sul.

Na semana passada, uma série de universidades anunciou a suspensão das aulas, ainda sem clareza de como repor. “Para mim acabou sendo conveniente, porque estou fazendo pré-produção do meu disco e vou ter tempo. Me sinto seguro com a atitude da faculdade, mas me preocupa com o avanço do calendário (letivo) para julho, porque tenho intercâmbio”, afirmou Caio Lang, de 21 anos, aluno de Engenharia de Controle e Automação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). 

Na Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), a aula não foi suspensa, apesar de dois casos confirmados, e os alunos tentam manter a rotina. “Aqui na faculdade está todo mundo preocupado, passando álcool em gel. Penso quando o vírus chegar à população mais pobre, que vai ficar sem atendimento”, disse a aluna de Psicologia Maria Pini, de 21 anos.

Já para a estudante Olívia Laban, de 21 anos, que fazia intercâmbio na Universidade Bocconi, em Milão, na Itália, a pandemia a fez passar a assistir aulas pela internet. Suas aulas presenciais foram canceladas e ela decidiu voltar ao Brasil quando achou que a situação estava saindo do controle.

Restrições. Na sexta, a Prefeitura e o governo do Estado de São Paulo anunciaram que suspenderão, dia 23, as aulas. No fim de semana, escolas particulares avisaram os pais, por e-mail e WhatsApp, a decisão – algumas já a partir de amanhã, outras no dia 23. Desde então, pais tentam encontrar formas de organizar a nova rotina.

Ontem à noite, o governo paulista ampliou a lista de restrições vigentes e decidiu pelo fechamento de museus, bibliotecas, teatros e centros culturais do Estado pelos próximos 30 dias. A recomendação é para que estabelecimentos da área de entretenimento do setor provado façam o mesmo. Já os 153 centros de convivência de idosos espalhados pelo Estado também ficarão de portas fechadas, mas por um prazo de 60 dias. Servidores públicos com mais de 60 anos deverão trabalhar em casa. 

Trânsito. Com menos gente na rua, os congestionamentos na cidade chegaram a cair. Na sexta, às 18h30, o índice de lentidão foi de 96 km, abaixo da média de 115 para o horário. Essa mudança, vista como positiva para parte da cidade, traz apreensão para quem depende de gente na rua: os comerciantes. “Dos seis agendamentos que tinha para hoje (sexta-feira), três clientes desmarcaram. Os escritórios onde elas trabalham mandaram o pessoal ficar em casa”, contou, em um salão de manicures de uma galeria nos Jardins, o funcionário Ricardo Ribeiro, de 33 anos. 

Nas regiões comerciais do centro histórico e das Avenidas Paulista e Brigadeiro Faria Lima, as máscaras ainda são raras. É diferente do que ocorre em bairros com maior presença de imigrantes, como o Brás e a Rua 25 de Março. Mas há quem já tenha cedido à preocupação. “Eu e meu marido estamos usando máscara no trem, e tem mais gente fazendo isso”, contou a vendedora Daniely Souza, de 20 anos, que trabalha em uma loja de acessórios para celular na Rua São Bento.

Em meio às incertezas, teve quem preferisse seguir a rotina. Na Igreja de São Bento, no centro, o construtor Gilberto Salvino, de 43 anos, vindo da Bahia para uma feira, fez turismo de máscara e com as mãos no bolso. “Quis aproveitar, mas estou tentando me cuidar.”

O surto também já afeta o setor de cultura e entretenimento. Nos espaços Cine Belas Artes e Itaú Cinemas na região da Avenida Paulista, funcionários e frequentadores relataram movimento abaixo do normal. Os administradores André Takeke, de 29 anos, e Arthur Marinho, de 28 anos, contam que amigos não quiseram acompanhá-los ontem. De um deles, a despedida, “meio piada”, foi com um cumprimento de cotovelo. “Dois sugeriram que a gente não viesse. A gente ficou na dúvida, até se estaria fechado, mas acabou desencanando”, conta Takeke. / COLABOROU PRISCILA MENGUE

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