João Cotta/ Globo
João Cotta/ Globo

Quarta temporada de ‘Sob Pressão’ estreia com olhar de esperança para dias melhores

Com a quinta temporada confirmada, série está de volta com médicos em novo hospital e atendendo casos além da covid

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2021 | 20h01

A quarta temporada da série Sob Pressão estreia nesta quinta, 12, na Globo, e promete histórias, mesmo dramáticas, que pretendem passar o sentimento de esperança. Depois dos episódios especiais com a temática covid e os apuros vividos pelos médicos no hospital de campanha, agora eles terão novos desafios profissionais e pessoais. 

Filmada no prédio do Jockey Clube Brasileiro, no centro do Rio de Janeiro, sob direção artística de Andrucha Waddington, essa temporada coloca os personagens dentro de um grande hospital, o Edith de Magalhães. Segundo o diretor, a opção por esse novo cenário é o de mostrar também como a saúde pública no País ficou de certa forma paralisada, centrada na pandemia. “Foi uma opção da gente dar um foco em situações clínicas e eletivas que, de certa forma, ficaram apagadas durante o ano passado”, afirmou ele, em entrevista coletiva virtual. Claro que a covid estará presente, mas a ideia é destacar que a saúde pública, em seus diversos setores, continua ativa e os pacientes precisam do atendimento. 

Sempre contando com consultoria do médico Márcio Maranhão, autor do livro Sob Pressão – A Rotina de Guerra, que serviu de base para a produção, a série, nesta temporada, trará de temas importantes como o uso indevido de medicamentos, racismo, homofobia, guarda parental, fome, o abandono de pessoas com transtornos mentais e ainda o HIV na terceira idade, que terá Arlete Salles e Ary Fontoura vivendo um casal com aids. 

“Toda temporada, a gente constrói em dois pilares: da saúde e da vida pessoal dos personagens”, conta o autor Lucas Paraizo, que frisa a força dessa produção, que pôde ser observada já na primeira temporada, quando o tema foi a doação de órgãos. E, segundo dados relatados por Lucas, quando Sob Pressão foi ao ar com esse assunto, a busca por informações pulou de 300 para 8 mil por dia. Sabendo dessa conexão com o público, de um produto de entretenimento que extrapola a ficção, nesta quarta temporada, a série vai abordar a situação dos hemocentros e, a partir daí, promover uma campanha nacional de doação de sangue. 

Para esta nova temporada, a família e a esperança também soam forte, e não só para o espectador. “Toca em um assunto muito importante para mim, que é a família, a que a gente não escolha, mas que nos escolhe”, diz Julio Andrade, o Dr. Evandro, que sempre sonhou ser pai. 

E, nesse momento de pandemia, voltar a gravar aflorou sentimentos fortes no elenco. “A gente tremia literalmente o tempo todo trabalhando, imaginando que aquilo tudo era real”, revelou Drica Moraes, que vive Dra. Vera. “O Sob Pressão fica o tempo inteiro nos lembrando o que é realmente essencial”, avalia Marjorie Estiano, a Dra. Carolina. 

Andrucha Waddington - "Na verdade, o que está doente nessa emergência é o Brasil"

Luiz Carlos Merten / ESPECIAL PARA O ESTADÃO 

O diretor Andrucha Waddington conversa pelo telefone com a reportagem do Estadão. Nesta terça-feira, 10, à tarde, ele estava em um hospital de referência no Centro do Rio, pesquisando locações para a próxima temporada - a quinta - de Sob Pressão. Há cinco anos, desde 2016, ele tem vivido intensamente a questão da saúde no Brasil. Começou com seu longa, que virou série na proposição de Jorge Furtado. No meio do caminho, não havia só uma pedra, como na poesia de Carlos Drummond de Andrade. Houve uma pedreira chamada pandemia. 

A quarta temporada estreia nesta quinta, 12. A próxima será gravada em breve, com todos os protocolos de segurança necessários neste momento. “Depois do filme e de três temporadas, fizemos o especial covid, para tratar especificamente do tema. Na quarta temporada, que está começando, a pandemia está no ar. A fome, o desemprego, todas essas consequências terríveis se fazem presentes, mas a emergência do hospital está atendendo outras urgências. Baleados, partos complicados. A vida com seu cortejo de outras doenças segue, mesmo em tempos de covid.” 

O sentimento de urgência marca todo o episódio escrito por Lucas Paraizo. Ele lidera a equipe de roteiristas, como Andrucha, a de realizadores. Um tiroteio no meio da rua, uma grávida hipertensa e diabética, o menino de 12 anos, homem da casa, que busca socorro para a mãe. O fantasma da fome. O garoto rouba um sanduíche para a mãe, o que provoca a imediata reação policial. Violência, desigualdade. “Na verdade, o que está doente nessa emergência é o Brasil”, reflete Andrucha. O que seria do povo brasileiro sem o SUS? 

“O Sistema Único de Saúde tem sido contestado pelo neoliberalismo que quer privatizar tudo. Se as pessoas não têm nem o que comer, como vão pagar pela saúde?”, pergunta o diretor. Artífice do liberalismo econômico, nem Margaret Thatcher ousou privatizar o sistema de saúde inglês. Saúde para os necessitados. A indignação face a tantas dificuldades - falta tudo no hospital, menos empenho da equipe - atravessa o fortíssimo episódio inicial. Os atores - Julio Andrade, Marjorie Estiano, Drica Morais, Bruno Garcia e outros - já estão colados aos papéis. Fazem com garra. Tudo recomeça e o Dr. Evandro/Julio, cada vez melhor, já vai disparar seu mantra: “Ninguém morre no meu plantão”. Face ao horror, a esperança não desiste. 

 

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