REUTERS|Stephen Wermuth
Família real reunida em 2015, para a celebração do aniversário de Elizabeth II. REUTERS|Stephen Wermuth

Família real reunida em 2015, para a celebração do aniversário de Elizabeth II. REUTERS|Stephen Wermuth

Por que a família real britânica é tão popular?

Tradição, marketing e capacidade de se adaptar aos novos tempos fazem da dinastia chefiada pela rainha Elizabeth um sucesso em pleno século 21

Ana Carolina Sacoman , O Estado de S.Paulo

Atualizado

Família real reunida em 2015, para a celebração do aniversário de Elizabeth II. REUTERS|Stephen Wermuth

Pouco mais de 60% dos britânicos são a favor da manutenção da monarquia, enquanto outros 74% aprovam a atuação da rainha Elizabeth II, o membro mais popular da realeza no momento. Os números, de pesquisa feita pela empresa YouGov com 3 mil britânicos e divulgada em fevereiro, oscilam conforme o escândalo da vez, mas a família real britânica se mantém firme no posto, apesar de custar mais de R$ 4,7 bilhões por ano aos bolsos dos súditos. Qual o segredo de um reinado tão longevo e popular? Para quem entende do assunto, trata-se de uma bem-sucedida mistura de tradição, marketing e capacidade de se adaptar aos novos tempos - esta última habilidade, é bom lembrar, aprendida a duras penas.

 

 

“Não existe outra dinastia com o grau de publicidade que eles têm. Os Windsors souberam se apegar a essa ferramenta como uma forma de sobrevivência”, afirma a professora Astrid Beatriz Bodstein, pesquisadora de monarquia e protocolo real, cujo perfil no Instagram, @royaltyandprotocol, tem mais de 40 mil seguidores. O poderio alcançado pelo império britânico a partir do século 16, que chegou a dominar quase um quarto do mundo, e o fato de Elizabeth ser a monarca do Reino Unido e chefe da Commonwealth, com seus 53 países-membros, também ajudam a explicar o alcance global da marca. Mas não é só.

A massificação do “produto família real” vem quando eles aprendem a usar os meios de comunicação de forma eficaz, o que fez com que, por exemplo, milhares acompanhassem os casamentos de Charles e Diana, em 1981, e o de William e Kate, em 2011 - dois dos eventos mais vistos em todo o mundo. A virada nesse sentido vem em 1953, quando a coroação de Elizabeth é televisionada e acompanhada por 20 milhões de pessoas, ou 40% dos moradores do Reino Unido então - em uma época em que menos de um terço dos lares britânicos tinha um aparelho de TV.


 

“Foi um golpe de mestre para que eles se popularizassem de vez”, diz a pesquisadora Astrid. “Hoje até mesmo os membros periféricos da família real têm suas legiões de seguidores nas redes sociais. Embora o marketing seja usado por outras dinastias, eles conseguem aparecer para um número maior de pessoas.”

Popularidade que pode ser conferida em qualquer loja de souvenir da Inglaterra, que vende de canecas a panos de prato e camisetas com os rostos reais. Sim, a monarquia britânica vende, e bem. Em 2017, uma consultoria independente estimou que o turismo em torno dos Windsors gerou 550 milhões de libras e que mais de 2,7 milhões de pessoas visitaram as atrações reais. A Torre de Londres, por exemplo, se mantinha, até antes da pandemia, entre os lugares mais visitados da capital inglesa, ao lado do Museu Britânico e da Tate Modern - ambos com entrada franca. 


 

Arranhões. É verdade que essa imagem cuidadosamente construída volta e meia sofre arranhões. Séries como The Crown, cuja quarta temporada estreia dia 15 de novembro na Netflix, mostram muito bem os altos e baixos da família real - do rei Edward, que abdica ao trono pela mulher, Wallis Simpson, ao dramalhão que foi o relacionamento entre Charles e Diana. Mesmo aí, o “gabinete de crise” entra em ação, e a imagem da monarca e dos outros atores reais é, de alguma forma, reconstruída.

“A rainha só faltou dar uma festa quando Lady Di morreu, demorou a aparecer, a se pronunciar. Até que percebeu a comoção que tinha tomado conta do país e organizou um enterro que foi quase um show”, afirma Maria Elisa Cevasco, professora titular de literaturas em inglês da USP.

 

 

 

Ser inglês

Maria Elisa também chama a atenção para o fato de que a realeza incorpora os símbolos da Inglaterra, o “ser inglês”. “Benedict Anderson (cientista político) dizia que nação é uma comunidade imaginária, e a família real me faz pensar isso. Um dos elementos do imaginário na Inglaterra é a família real, ela materializa significados e valores que os britânicos acreditam que os definem”, diz. Entre eles, afirma a professora, está justamente a resiliência, característica da qual se orgulham. “Eles gostam de dizer sobre si: ‘nós aguentamos as pontas’.”

Da mesma forma, Elizabeth e companhia se adaptam muito bem aos novos tempos, e tiram partido disso. O exemplo mais evidente foi a chegada de Meghan Markle - negra, americana e divorciada à casa real. “Se ela (Elizabeth) tivesse barrado esse casamento, haveria uma reação muito negativa na sociedade. Essa união mostrou que a monarquia britânica tem um senso aguçado de adaptação à realidade”, diz a pesquisadora da monarquia Astrid.

 

 

 

Mensagem

A moda também tem papel relevante na construção dessa imagem para o mundo. As mulheres da família real dominam como ninguém a arte de passar mensagens por meio de seu guarda-roupa. Lady Di foi a maior expoente nesse sentido, mas também a rainha ou Kate Middleton têm os seus momentos. 

“As mulheres são as grandes protagonistas dessa história, que todo mundo acompanha como se fosse um reality show. Elas sabem muito bem conjugar os elementos de estilo para comunicar o que está acontecendo”, afirma Heloisa Marra, especialista em cultura de moda.  Ela cita a mudança de paleta de cores usada por Elizabeth ao longo dos anos, dos tons sóbrios dos duros anos 80 a cores mais berrantes agora. “Ela usa sempre tailleur e chapéu, então, se comunica por meio das cores.”

E em matéria de mandar uma mensagem ao mundo, o inesquecível “revenge dress” seja talvez imbatível. Diana usou a peça, curta, decotada e preta - cor que a família real reserva para funerais - em um evento na mesma noite em que Charles admitia o adultério com Camilla em rede nacional. 

“Lady Di  representou a ruptura. Aos poucos, ela vai trocando os conjuntinhos, os tailleurs, e vai ficando menos formal, mais comunicativa e acessível”, afirma Heloisa. “Mas a reviravolta vem mesmo pouco antes da morte dela (em 1997), quando finalmente se liberta dos protocolos reais.”

 

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'The Crown': Assistimos a série e contamos como a nova temporada escancara o coração da realeza

Desilusões amorosas, guerras e crise econômica fazem parte da mistura explosiva desta quarta temporada, que surpreende com as tramas de Lady Diana, com Emma Corrin, e Margaret Thatcher, interpretada por Gillian Anderson

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

09 de novembro de 2020 | 09h24

Quando The Crown estreou sua primeira temporada em 2016, a produção original da Netflix trouxe a ousadia de unir o relato de inspiração histórica e visual deslumbrante. Mas não foi só isso.

A proposta era unir diferentes públicos, no interesse pela reconstituição da trama política da época e também pelos bastidores da realeza. Não deu outra. No ano seguinte, a série levou os principais prêmios do ano com uma narrativa ainda remota: a jovem Lilibet aceitando o desafio de se tornar rainha da Inglaterra, no fim dos anos 1950.

A cada nova temporada, a fórmula do criador Peter Morgan se mostrou mais potente que nunca. The Crown conseguiu façanhas como trocar o elenco, na transição das décadas, e ainda garantir interpretações premiadas ao público, como a de Claire Foy e Olivia Colman, ambas as atrizes no papel da regente.

Depois de três temporadas, é impossível não dizer que The Crown, que estreia neste domingo, chegou em 2020 com uma das tramas mais aguardadas: a conturbada relação de Diana Spencer, a Lady Di, e a política devastadora da ex-Primeira-ministra do Reino Unido, Margaret Thatcher.

A estreante do ano, a atriz Emma Corrin, está reluzente no papel da jovem - considerada uma criança para o solteirão e futuro marido Charles (Josh O'Connor). Do primeiro encontro com o príncipe, nos versinhos trocados de Sonho de Uma Noite de Verão, às discussões acaloradas, Lady Di entra para a família real fuzilada por inseguranças.

Apesar de brilhar nos olhos azuis da personagem, o romantismo que Diana carrega consigo não sobreviverá à realeza. E ela não está sozinha, como defende a princesa Margaret, de Helena Bonham-Carter. A Coroa precisa parar de interferir na formação dos matrimônios. Ou o amor se vingará.

Aliás, esta temporada é feita de desilusões amorosas. O luxo que envolve a vida da realeza é incapaz de substituir anseios por carinho e afirmação. Sofrimento que a irmã de Elizabeth II já enfrentava desde a primeira temporada.

Entre a turnê pela Austrália e as crises de bulimia, Diana se vê acompanhada apenas das joias e vestidos, e do ainda pequeno William. A série não esconde a negligência do pai, Charles, que prefere se esconder na aprovação quase juvenil de da então amante Camila. 

A amargura parece assombrar a todos. Princesa Anne (Erin Doherty) também vai reclamar de solidão para sua mãe, a rainha. E Tobias Menzies, o príncipe Philip, serve de consciência para Elizabeth II, na supervisão de cada membro da realeza.

No campo político, Gillian Anderson chega com o desafio de trazer mais uma mulher forte ao elenco: Margaret Thatcher. Como se fosse impossível, a atriz traz um registro de interpretação diverso de Meryl Streep, no filme A Dama de Ferro, e mostra uma primeira-ministra ainda às descobertas de seu ofício - e de seu poder.

A insatisfação com o time de ministros é o primeiro ruído que desperta a força de uma mulher decidida em suas reformas impopulares. Sobre o desemprego que assola o país, a série traz um episódio sobre o caso real de Michael Fagan, o homem que invadiu o quarto da Rainha, em 1982.

É dele que Elizabeth II vai escutar os principais impactos da política de desastre de Thatcher na vida do povo inglês. Sem reservas e nenhum pudor, as duas mulheres se encontrarão no palácio, antagonistas de uma guerra interna, e silenciosa, que inicia uma crise inédita após o vazamento da informação pela imprensa.

Decepcionados no amor, os moradores do Palácio também vão se desencantar com a natureza da coisa Real. Essa temporada resgata uma história das primas renegadas de Elizabeth II, um caso de raízes bem profanas, para não dizer, eugenistas.  

As irmãs Nerissa e Katherine Bowes-Lyon, consideradas mortas segundo a árvore genealógica da realeza, estavam internadas em um hospital psiquiátrico desde 1941. O caso foi a público em 1987. As irmãs nunca receberam a visita da família real.

De peito aberto e com revelações um tanto sombrias, a nova temporada de The Crown marca um ponto sem retorno. A coroa que brilha não é mais capaz de disfarçar a dor e o sofrimento. E seu peso faz todo mundo se curvar, até os de sangue real.

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Em nova temporada, 'The Crown' não esconde a solidão cruel que coroou a princesa Diana

Em entrevista ao Estadão, a atriz Emma Corrin comenta a trajetória da jovem que sofreu com bulimia e o abandono da Coroa no casamento turbulento com príncipe Charles

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2020 | 05h00

Não são muitas as séries inspiradas em fatos reais que têm o poder de fazer o público torcer, mesmo sabendo como tudo vai terminar. The Crown, da Netflix, é uma delas. Aliás, a nova temporada, que estreia neste domingo, 15, foi feita para despertar sentimentos e paixões. 

Talvez a parte da trama mais aguardada da produção – que narra as décadas do reinado de Elizabeth II, entre o fim dos anos 1970 e o início dos 1990 – desembarca com a chegada da jovem Diana Spencer, a futura Lady Di, a princesa mais amada do mundo. 

Em coletiva virtual, a atriz Emma Corrin dá seu palpite sobre a origem da admiração que eternizou Diana, sua personagem. O Estadão foi o único veículo brasileiro a participar. “Ela tinha um jeito de alcançar as pessoas, como nenhuma celebridade ou membro da família real conseguiram antes.”

Na quarta temporada, The Crown resgata o começo do encantamento do público, com os boatos do noivado com o príncipe Charles, e também a perseguição da imprensa, que se tornou contínua, até o fim da vida de Diana. “Ela saiu de uma rotina comum para encarar muitos desafios e, como tudo, com ganhos e perdas”, explica a atriz. “Havia um tratamento mais carinhoso do público, mas acredito que a imprensa tenha drenado suas energias. Diana ficou em dúvida sobre quem realmente era.”

E os afeitos à especulação da vida da personagem criaram sintomas imediatos. Desde o primeiro episódio, Diana é acompanhada de uma solidão cruel. E o seriado não esconde cenas bastante perturbadoras a respeito da bulimia, enfrentada pela princesa. 

Para Emma, a época impediu que o problema fosse uma preocupação do palácio, o que lança a personagem ao abandono. “Ela falou bastante sobre isso em vida, em entrevistas”, lembra a atriz. “Naquele momento, a realeza hesitava em dar voz para um distúrbio alimentar, que eles não entendiam. Hoje em dia, acredito que precisamos ficar alertas, entender o que está acontecendo e respeitar a dificuldade dos outros.”

Mas também há beleza – e muita – na nova temporada. A transformação visual pela qual Diana passa é um dos pontos altos da série, que sempre abusou de uma grande produção, incluindo efeitos gráficos e belas paisagens. No que já está documentado em jornais e revistas, vê-se que Diana deixa as saias e o traje formal de estudante para um mergulho em tudo o que o luxo e as grifes podiam oferecer.

A surpresa é que Emma prefere a fase “pré-realeza” de Diana. “Gosto muito dos figurinos dela mais jovem, enquanto ainda morava com as amigas. Eu sei que são mais controversos e menos glamourosos, mas acho interessantes.” 

Da fase princesa, a atriz destaca o figurino usado no sexto episódio em uma das tantas tréguas na relação com o príncipe e marido. “O meu preferido é o vestido azul, que ela usa na viagem à Austrália.” Na cena, a mãe do pequeno William descansa em uma casa no país-membro da Coroa Britânica.

A viagem fazia parte de uma turnê pelos demais estados integrantes, no momento em que alguns, entre eles a Austrália, cultivavam as primeiras ideias de independência da Coroa. Com o bebê herdeiro no colo, Diana deseja paz e Charles, a felicidade. Anseios nunca alcançados pelo casal. 

Outro grande momento para a personagem, segundo a atriz, é a viagem que Diana faz, dessa vez sozinha, a Nova York. Nesse período, os Estados Unidos sofriam com a dura infecção da aids. A princesa, em mais um ato de compaixão, avesso aos de sangue real, surpreendeu.

Em visita a um hospital, Diana abraça e se compadece de uma criança soropositiva. “Ela percebe que pode ajudar muitas pessoas, por atrair a atenção para quem está necessitado”, conta Emma. 

Política e guerra

O burburinho que preenche os dez episódios de The Crown não perde para a profundidade do debate político. Nesta temporada, a atriz Gillian Anderson estreia como a premiê do Reino Unido Margaret Thatcher em um registro de atuação diferente para quem viu Meryl Streep como a Dama de Ferro no cinema. 

O elenco já conhecido também brilha. Helena Bonham-Carter entrega um episódio delicado sobre os primeiros sinais de demência da princesa Margaret e Olivia Colman, a rainha, ferve de indignação pelos efeitos destrutivos na política da primeira-ministra. Uma temporada de caos e lágrimas.

 

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'The Crown': Relembre o que é real na terceira temporada da série

A greve de mineiros, a morte de Churchill e o desastre de Aberfan são alguns dos acontecimentos que marcaram a família real, o Reino Unido e o mundo

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

12 de novembro de 2020 | 10h00

A realeza está de volta. Com a chegada da quarta temporada de The Crown, que estreia neste domingo, 15, a produção original da Netflix volta com a história da Coroa Britânica, comandada pela rainha Elizabeth II.

Repleta de inspiração, a série também resgata momentos históricos que marcaram a família real, o Reino Unido e o mundo. Relembre as principais polêmicas e acontecimentos que cercaram a terceira temporada da série.

A morte de Churchill

A terceira temporada abre o primeiro episódio com o funeral do ex-primeiro-ministro do Reino Unido, Winston Churchill. Ele sofreu um acidente vascular cerebral em 1965, aos 90 anos de idade. A Rainha insistiu para que a cerimônia fosse pública, uma honraria inédita, ofereciada a um plebeu em mais de 100 anos.  

 

O desastre de Aberfan 

Na terceira temporada, a série narra o colapso de uma mina de carvão na cidade do País de Gales em 1966, que atingiu uma escola na região e deixou 144 mortos, sendo 116 crianças. O caso narrado no terceiro episódio ficou lembrado pelas duras críticas à Coroa. A Rainha Elizabeth demorou para se manifestar sobre a tragédia e só chegou na região oito dias depois, um de seus grandes arrependimentos.

 

Nos bastidores da realeza e o documentário

Em 1969, a família real decidiu protagonizar um documentário para a BBC. Royal Family, como foi chamada, a produção foi uma tentativa de ganhar a simpatia entre os súditos. No entanto, o tiro errou o alvo, e o documentário teve efeito negativo, como aparece no quarto episódio. O Palácio Real detém os direitos do materiaL e chegou a censurar o material. Sua reprodução foi proibida, mesmo internamente.    

 

Casamentos e divórcios

Na terceira tempora princesa Anne, a única filha mulher da Rainha Elizabeth II, casa com Mark Phillips, um cavaleiro britânico, em 1973. A relação durou até 1992. A terceira temporada também mostra a difícil relação entre a princesa Margaret e Anthony Armstrong-Jones, o Lord Snowdon, que durou 18 anos. 

 

O romance Charles e Camilla

Durante uma partida de polo, príncipe Charles conhece e se apaixona por Camilla Parker Bowles, em 1970. Com a desaprovação do romane, a Coroa envia Charles para realizar serviços militares com o objetivo de esquecer a garota. O casal teve idas e vindas durante toda a vida, mesmo durante o casamento de Charles com a Princesa Diana, na década seguinte. 

 

A greve dos mineiros

A série mostra um período turbulento para o Reino Unido. Os mineiros se organizam e realizam uma greve, cortando o abastecimento de energia e atingindo todo o país.

Foi a primeira greve em 50 anos, motivada pelos conflitos com o pagamento oferecido pelo governo. O Reino Unido voltou a ser iluminado pelas chamas das velas e teve que declarar estado de calamidade, ao recusar a proposta de aumento de 43% aos mineiros.

 

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Documentário enfatiza a importância das relações amorosas para a monarquia inglesa

Com foco na vida pessoal de Elizabeth II, filme é uma versão não ficção de ‘The Crown’

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

11 de novembro de 2020 | 05h00

O diretor Tom Jennings recebeu uma missão quase impossível: fazer um documentário sobre a rainha Elizabeth II que trouxesse novidades. “Foi um bom desafio”, disse ele em entrevista ao Estadão, via Zoom.

Para fazer Elizabeth II: Segredos da Monarquia Britânica, que estreia sábado (14), às 23h, no National Geographic, sua equipe buscou arquivos do mundo todo, resultando em milhares de horas de vídeo, áudio e fotos.

Uma das fontes mais valiosas foi fornecida por autores de livros sobre a rainha nas últimas décadas – recurso que Jennings já tinha usado em outros projetos. “Eles gravam as entrevistas que vão usar nas biografias, mas não usam o áudio, tudo é transformado em texto”, contou Jennings. “E no formato de documentário que utilizamos, o áudio é rei – neste caso, rainha. Porque não temos narração, as entrevistas são a narração.”

Foram necessários cerca de cinco meses para mergulhar no material e pensar num ângulo que oferecesse algum frescor. Por sorte, havia ali o áudio de uma entrevista do historiador da realeza Robert Lacey, que diz: “Perceba como todos os grandes problemas da rainha e do seu reinado têm a ver com amor, casamento e sexo”. Jennings encontrou sua porta de entrada. 

De fato, a vida de Elizabeth II lidou com o drama dos divórcios de Charles e Diana e de Fergie e Andrew, como o caso da princesa Margaret, que teve negado pela irmã o pedido de autorização para se casar com um homem divorciado. “Mas o momento de ‘Eureka’ foi perceber que podíamos pegar essa frase e extrapolar, voltando ao passado e percebendo que a rainha só é a rainha por causa de amor, casamento e sexo. Porque seu pai, George, só se tornou rei porque seu irmão, Edward, abdicou do trono para se casar com uma americana divorciada chamada Wallis Simpson”, disse Jennings. “Se isso não tivesse acontecido, Elizabeth não seria rainha.”

De certa forma, por causa dessa decisão de focar em amor, casamento e sexo, Elizabeth II: Segredos da Monarquia Britânica acaba sendo a versão de não-ficção da série The Crown. Muitas das coisas que aparecem aqui também aparecem na obra ficcional da Netflix, ainda mais nesta temporada, quando a Princesa Diana entra em cena. “A morte dela desde o princípio ia ser um pilar da nossa história”, disse Jennings, que fez o documentário Diana: In Her Own Words em 2017.

A história de Lady Di também é de amor, casamento e sexo. O divórcio de Charles, em 1996, foi em clima de escândalo, com casos extraconjugais admitidos pelas duas partes. Meses antes, Diana tinha elevado as tensões com a Casa Real ao dar uma entrevista bombástica a Martin Bashir, agora sob investigação da BBC por suspeita de ter usado métodos pouco éticos para obtê-la.

Em 1997, Diana morreu num acidente de carro em Paris, e a rainha sofreu muitas críticas por não deixar seu castelo em Balmoral, na Escócia, e ir imediatamente para Londres para estar perto de seus súditos. “Ninguém pensou que ela era uma mãe e uma avó que estava sofrendo o diabo”, disse Jennings. Com seu filme, ele espera mostrar que, afinal, a rainha também é um ser humano. “E um dos mais complexos que tive a honra de retratar.

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