Amazon Prime Video
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'Pan y Circo' coloca personalidades para jantar discutindo racismo, clima e violência

Atração criada pelo ator Diego Luna já entrevistou desde o ator Gael García Bernal ao ex-presidente da Colômbia Juan Manuel Santos

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

21 de agosto de 2020 | 05h00

Quando foi a última vez que você conseguiu sentar-se à mesa e discutir civilizadamente com pessoas de quem discorda? Pensando na dificuldade de realizar isso no dia a dia, o ator Diego Luna criou Pan y Circo, no ar no Amazon Prime Video. Em sete episódios, ele se senta à mesa com diferentes personalidades – do amigo e colega de profissão Gael García Bernal ao ex-presidente da Colômbia Juan Manuel Santos, passando pela ativista do meio ambiente Julia Caravias e a secretária do Interior do governo do México Olga Sánchez Cordero –, com um menu feito por chefs conceituados como Enrique Olvera e Elena Reygadas, entre outros. 

É bem diferente, portanto, de seu papel em Narcos México. “Esta série fala mais de mim como cidadão”, disse Luna em evento da Associação de Críticos de Televisão, realizado virtualmente por causa da pandemia de covid-19. “Eu vivo no México e me preocupo com esses temas que não são especificamente mexicanos. A ideia era criar um espaço onde podemos ouvir uns aos outros. Todo o mundo está gritando hoje em dia. As redes sociais são um grande exemplo, ninguém ouve. Ouvindo descobrimos o que podemos fazer juntos. Sociedades polarizadas são muito perigosas, e é nessa direção que estamos indo, seja nos Estados Unidos, no México ou no Brasil.” 

Entre os temas de Pan y Circo estão violência de gênero, feminicídio, crise climática, descriminalização do aborto, racismo e identidade, legalização de drogas e imigração. “A intenção é que ouçamos as vozes que não pensam da mesma maneira que nós e confrontemos essas ideias. E ao confrontar as ideias, começamos a entender as nuances. Porque acho que estamos deixando de focar no que realmente importa, que acontece nas zonas cinzentas”, explicou Luna. As conversas, portanto, precisam ser longas e robustas. O cardápio é sempre composto de entrada, prato principal e sobremesa. Mas não lhe interessava provocar brigas só pelo espetáculo. “Evitamos vozes tóxicas ou violentas”, explicou. Se o assunto é mudança climática, ninguém que negue a existência da mudança climática foi convidado. 

Todos os convidados deixaram seus telefones numa caixa, com algumas exceções – ministros deixaram o aparelho com um assistente ou mantiveram um de seus vários celulares, dada a natureza delicada do seu trabalho. “Mas é tão bom se livrar de seu telefone. Eu recomendo, especialmente durante a refeição, porque faz com que recordemos do que se trata a vida.” Promover uma conversa durante uma refeição foi um elemento-chave. “Porque, enquanto se come, é obrigatório ouvir”, garantiu Luna. Fora isso, a comida em si era um fator de conexão. “Se me sento à sua frente e não penso como você, não acredito no que você acredita, não venho do mesmo contexto, mas experimentamos um molho bem espesso cheio de sabores, isso nos lembra que, sim, compartilhamos, pelo menos, a experiência de provar algo novo pela primeira vez. E que somos capazes de fazer conexões com os outros.” Em geral, os almoços viravam jantares e duravam horas.

Depois de gravados os seis episódios planejados, veio a pandemia. Diego Luna achou que era imprescindível fazer um programa sobre o que estamos vivendo como sociedade e a experiência do confinamento. O capítulo foi gravado de maneira virtual, e cada convidado recebeu uma entrada, um prato principal e uma sobremesa preparados pelo apresentador. “Fazer remotamente me deu um sentimento nostálgico, mas também fez com que percebesse que os temas que discutimos ainda são relevantes – talvez até mais relevantes”, concluiu o ator. Os convidados agradeceram a oportunidade. “Eles disseram que fazer o programa lhes deu esperança e lembrou a importância de compartilhar ideias e sentimentos.”

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