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Mulher herda produtora pornô do marido na série brasileira 'Hard', da HBO

Narrada em clave de humor, trama une mundos opostos e desafia vários preconceitos e tabus

Alessandro Giannini, Especial para o Estado

16 de maio de 2020 | 05h00

Em Hard, série brasileira que estreia no domingo, 17, às 23h, no canal HBO e na HBO GO, uma mulher da elite, bem nascida e educada, assume o comando de um negócio que lida com pornografia e consegue revolucioná-lo. Narrada em clave de humor, essa história une mundos opostos e desafia vários preconceitos e tabus. Ainda assim, garantem os criadores, a pornografia aqui funciona como um meio para falar de protagonismo feminino em um universo carregado de estereótipos, e não como um fim em si mesmo.

Coproduzida pela HBO Latin America e a Gullane Entretenimento, Hard é a adaptação de um programa homônimo francês, que foi ao ar originalmente entre 2015 e 2018. E traz para a realidade brasileira a história de uma advogada que recebe como herança do marido, morto subitamente em um acidente doméstico, uma produtora de filmes pornográficos. A primeira temporada tem seis episódios de meia hora cada.

“Nosso objetivo era fazer uma comédia de costumes”, diz Roberto Rios, vice-presidente de produções originais da HBO Latin America. “Pornografia tem um quê de humor, porque lida com aspectos tabus da nossa vida. Uma questão importante na adaptação é que os ‘roteiristes’ (porque há profissionais homens e mulheres) tomaram muitos cuidados para serem profundamente justos ao lidar com o tema, e não defendê-lo nem torná-lo grosseiro.”

Escrita por Danilo Gullane, Juliana Rosenthal, Patricia Leme, Mariana Zatz e Laura Villar, Hard conta a história de Sofia (Natália Lage), uma advogada que renunciou à carreira para cuidar da família. De uma hora para outra, sua vida perfeita de classe média alta desmorona ao descobrir que o marido morto mantinha uma produtora de filmes pornô por trás de uma empresa de fachada. Bela, recatada e do lar, ela se vê em meio a um mundo com o qual não tinha nenhuma intimidade e sobre o qual cultivava muito preconceito. O elenco conta ainda com Denise Del Vecchio, Martha Nowill, Julio Machado e Fernando Alves Pinto no elenco.

Natália conta que, para interpretar Sofia, fez o habitual percurso da preparação para o papel, o que incluiu a leitura do roteiro, pesquisas sobre a indústria pornográfica e a busca de filmes e documentários sobre o tema. Mas o mais importante, diz a atriz, foi se colocar no lugar de sua personagem e assumir os próprios preconceitos diante de algo que ela mesma mal conhecia: “A humanidade é muito conservadora e acho que a pornografia provoca uma curiosidade, mas também uma grande repulsa em grande parte das pessoas. A Sofia vai entrar em contato com isso e vai conseguir enxergar os seres humanos que estão ali”.

“Botamos na frente dessa história os aspectos mais humanos da Sofia”, diz o produtor Fabiano Gullane, que faz uma participação especial como Alex, marido da protagonista – o personagem morre logo no início do primeiro episódio. “Vamos mergulhando na história dela de um jeito muito delicado e equilibrado, porque aos poucos ela acaba querendo transformar aquilo em um negócio mais humano, mais diverso e representativo. A pornografia é estruturante na série, mas virou mais um ambiente para acompanharmos a evolução daqueles personagens todos.”

Tendo como inspiração estética Boogie Nights, sobre o nascimento da indústria do pornô americana nos anos 1970, e Blue Jasmine, sobre as transformações sofridas por uma socialite que, de repente, se vê sem status e dinheiro, o diretor-geral Rodrigo Meirelles buscou dar personalidade à sua protagonista e ampliar a diferença entre os mundos nos quais ela habitava e passaria a trabalhar. “Ela é uma protagonista que vai viver uma grande transformação. Precisávamos trazer isso para dentro do nosso universo, criando um contraste maior entre os mundos nos quais ela vive, a classe média alta e o ambiente pornô”, explica ele.

Além do processo de adaptação da história, Hard também passou por uma atualização, já que há uma diferença de quase dez anos entre as produções francesa e brasileira. Segundo Meirelles, o pornô viveu uma grande transformação nesse período, indo dos DVDs nas bancas de jornais para os sites gratuitos. “Isso acabou sendo incorporado à história”, diz ele.

Um bastidor importante da realização de Hard foi a participação de atores pornô profissionais no elenco de apoio e na figuração. Eles serviram como consultores da série e aparecem em cenas na produtora herdada por Sofia, a Sofix. “Foi importante conhecer essas pessoas”, diz Natália. “Foi muito lindo ultrapassar uma barreira de preconceito e olhar essas pessoas com amor e afeto. Eu espero que o público possa, junto com a Sofia, fazer esse mesmo trajeto.” 

Seguindo uma tradição da emissora, Hard terá um podcast acoplado à exibição de cada episódio, na HBO GO, no site da HBO e nas principais plataformas. A ideia é aprofundar temas abordados ao longo das histórias e falar sobre aspectos criativos, contar bastidores da produção e outras curiosidades. Com apresentação de Vinicius Calderoni, participarão das rodas a atriz Natália Lage, o diretor Rodrigo Meirelles e Luiza Campos, diretora dos episódios 4 e 5.

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