Angela Weiss/AFP
Angela Weiss/AFP

Michael Keaton retrata crise de opioides nos EUA em 'Dopesick'

Série da plataforma Hulu é baseada em livro de não ficção sobre farmacêutica que promoveu agressivamente analgésico viciante no país

Andrew Marszal, AFP

10 de outubro de 2021 | 14h30

Em 1988, Michael Keaton fez sua estreia no gênero drama com Marcas de um Passado, um poderoso olhar sobre o vício em cocaína nos Estados Unidos.

Três décadas depois, o ator está pronto para voltar a retratar o tema.

Antes da estreia de The Flash no ano que vem, em que Keaton interpreta uma versão antiga de Batman, o ator estrela Dopesick, uma minissérie sobre a última epidemia de drogas dos EUA: a crise dos opioides.

"Não costumo revisitar tópicos", disse Keaton. "Mas esta é uma questão social e há muito mais para contar". 

"Acende uma luz sobre a classe alta e sua culpa", disse ele a um painel da Associação de Críticos de Televisão.

A série estreou em 13 de outubro na plataforma Hulu e é baseada no livro de não ficção Dopesick: Dealers, Doctors and the Drug Company that Addicted America, de Beth Macey.

O drama aborda como a farmacêutica Purdue Pharma promoveu agressivamente o OxyContin, um analgésico altamente viciante, considerado responsável pela crise de opioides que causou meio milhão de mortes por overdose nos Estados Unidos desde 1999.

No ano passado, os executivos da Purdue se confessaram culpados de acusações criminais que incluíam fraudar agências federais de saúde, minimizando a natureza viciante da medicação e pagando propinas aos médicos.

Ao contrário das décadas de "guerra às drogas", onde as autoridades se concentraram em prender usuários - como viciados em crack, muitas vezes de minorias - "desta vez 70% das overdoses que ocorreram no ano passado foram de opioides", disse a co-estrela Rosario Dawson.

Na série, Keaton interpreta um médico em uma pequena cidade e Dawson uma oficial do governo antinarcóticos, que começam a descobrir a escala da crise.

Exposição

Kaitlyn Dever (Booksmart) interpreta uma trabalhadora nas minas que machuca as costas e recebe uma receita de OxyContin.

Ela "está completamente inconsciente do que vai acontecer em sua vida e acaba caindo no abismo, incapaz de controlar qualquer coisa", diz Dever.

Este era destino comum para milhares de americanos que receberam prescrições de opioides potentes para ferimentos leves de médicos que recebiam bônus de gigantes farmacêuticos como Purdue.

Quando os médicos cortavam suas receitas, muitos pacientes compravam heroína na rua para lidar com os efeitos da abstinência. Alguns se tornavam mulas, forçados a fazer viagens perigosas para contrabandear narcóticos das cidades para as comunidades rurais, em troca de drogas.

"Se você realmente olhar para o dano exponencial que o crime de colarinho branco tende a causar em comparação com o de um menino - digo do centro da cidade, mas poderia ser um camponês vendendo um saco de maconha para ajudar a pagar o aluguel -, como podem comparar as duas coisas?", disse Keaton.

Para Danny Strong, criador da série, a inspiração foi "expor isso de uma forma ampla".

“Não pude acreditar no que esta empresa fez e como eles foram capazes de fazer isso por anos. As mentiras, a manipulação, o tráfico de influência. É uma história tão chocante que eu não conseguia parar de pensar nisso", acrescenta.

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