Globo / Victor Pollak.
Globo / Victor Pollak.

Marco Nanini vive homem com Alzheimer na série 'Sob Pressão'

Marjorie Estiano e Julio Andrade voltam na nova temporada da produção, que estreia no Globoplay

Eliana Silva de Souza, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2022 | 05h01

A equipe médica do Hospital Edith de Magalhães está a postos para prestar atendimento aos casos mais complicados e com histórias de vida emocionantes. Estreia nesta quinta, 2, no Globoplay, a nova temporada da série Sob Pressão. Em meio aos dramas dos pacientes, há ainda a rotina intensa e desgastante que leva os profissionais da saúde a se desdobrar entre o que é possível e o que é imprescindível realizar. Escrita por Lucas Paraizo, a premiada série traz, como tem sido sua marca, casos relevantes que merecem ser conhecidos e debatidos pela sociedade. 

Nesta quinta temporada da série, um dos papéis de destaque será vivido por Marco Nanini. Em entrevista ao Estadão, o ator, que completou 73 anos na terça-feira, reflete sobre seu personagem e a importância de uma produção abordar temas marcantes. Na história, Nanini é Heleno, pai do doutor Evandro (Julio Andrade), de quem ele estava distante havia muito tempo. O retorno carrega junto a doença que o acomete, o Alzheimer, e vai trazer um turbilhão de novas emoções para filho e pai. O apoio para ambos será a doutora Carolina (Marjorie Estiano). 

Sobre o personagem, Nanini dá alguns detalhes. “Eu faço o pai do doutor Evandro. Eles se separaram quando o Evandro era pequeno e isso causou um trauma. Existe a versão de que ele abandonou a família”, conta. Agora, Heleno está de volta e, quando o filho reencontra esse pai, ele está com Alzheimer. “Apesar de todo o trauma, ele tem de cuidar do pai. Eles vão morar juntos e, então, o centro de tudo é a relação dos dois.”

A doença em foco

Ainda não há cura para o Alzheimer e sua causa é desconhecida, observa Nanini, que sabe o quanto é importante “falar sobre essa condição, pois precisamos saber lidar com ela”. O ator destaca se tratar de uma doença que “requer apoio e dedicação dos familiares, e atinge majoritariamente pessoas mais velhas”. E completa, constatando que a população mundial está vivendo mais, que “quanto mais soubermos sobre tratamentos, padrões comportamentais, sobre como buscar ajuda, melhor saberemos lidar com os desafios que o Alzheimer ainda traz”.

Assumindo esse papel intenso de um homem com essa doença neurodegenerativa, Nanini contou com suporte especializado para compor o personagem. “A produção da série, extremamente organizada e competente, tem como parte da equipe um médico que desde a primeira temporada presta uma espécie de consultoria a todos os departamentos: roteiro, direção, elenco”, conta o ator. “Isso nos dá segurança e garante a veracidade do que é exibido. Não é à toa que a série está em sua quinta temporada.”

O bem-humorado Marco Nanini, ao ser questionado se o avanço da idade provoca preocupações como a do esquecimento, da perda de memória, brinca: “Pode fazer a pergunta de novo? Já esqueci” (risos). E rapidamente volta ao assunto, de forma precisa. “Respondendo seriamente, a distração e o esquecimento sempre me acompanharam, tenho uma certa dificuldade em memorizar datas, períodos, ano, nomes... Isso sempre foi da minha natureza inventiva, menos ligada a temas de ‘exatas’... Então, essa é uma questão da vida toda, não exatamente da idade”, revela o ator.

‘A Grande Família’

Em meio a seus inúmeros personagens no cinema e na TV, um deles certamente marcou sua trajetória. Mas o que representa o Lineu de A Grande Família, para Nanini? Ele conta: “Eu e Lineu convivemos por 14 anos. Nunca tinha vivido por tanto tempo um mesmo personagem. Tanto o Lineu como A Grande Família foram muito importantes não só para mim, como imagino que também para todos os envolvidos. Tenho, certamente, Lineu em um lugar especial na minha carreira. Acredito que, quando alguns ciclos se encerram, ficamos gratos por terem feito parte da nossa vida e por vivermos aquela experiência. Então, não sinto saudade, me sinto grato e feliz”. 

 

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