Amazon Prime Video
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Liniker estrela série sobre transexualidade e família: 'Me trouxe coragem'

'Manhãs de Setembro', da Amazon Prime, mostra a história da protagonista Cassandra ao descobrir que tem um filho

Bárbara Correa*, O Estado de S.Paulo

24 de junho de 2021 | 07h00


Nesta sexta-feira, 25, estreia a série Manhãs de Setembro, na Amazon Prime Video. A produção conta com a cantora Liniker como protagonista, pela primeira vez no streaming

Com cinco episódios de 30 minutos, a primeira temporada do seriado brasileiro mostra a trajetória de Cassandra, a personagem principal que começa a ver as coisas finalmente dando certo em sua vida. 

Ela consegue alugar um apartamento próprio pela primeira vez, tem um namorado que a ama, Ivaldo, interpretado por Thomás Aquino, além de um trabalho como motogirl no centro de São Paulo.

Ela também está conseguindo realizar o sonho de ser uma artista cover de Vanusa, quando sua vida toma um rumo inesperado: Leide, personagem de Karine Teles, com quem ela teve um envolvimento no passado, aparece com Gersinho, interpretado por Gustavo Coelho, que ela afirma ser filho de Cassandra.

Em coletiva de imprensa, Liniker falou sobre a importância de sua protagonista representar a vivência de uma travesti para além da temática de identificação de gênero ou transfobia



A representatividade de Cassandra

“Criar uma personagem sob o ponto de vista do afeto foi uma das coisas que mais me emocionou. A Cassandra não estava nesse lugar encaixotado que muitas narrativas cinematográficas colocam pessoas trans. Sempre sobre situações de perigo, violência, com um olhar muito marginalizado. A gente poder ver uma personagem que tem uma casa e é uma travesti já significa muito”, explica. 

Manhãs de Setembro possui o roteiro de Josefina Trotta, Alice Marcone e Marcelo Montenegro. Sobre Cassandra, Alice afirma que para ela, enquanto uma mulher trans, a personagem é essencial para que mais pessoas se vejam refletidas nessa narrativa de autonomia e esperança. 

“Precisamos pensar que a vida de uma pessoa trans não acaba quando ela termina a transição. Na verdade, começa ali. Não é reduzida a procedimentos cirúrgicos, burocráticos e jurídicos. A gente tem afeto, né? Então, para uma personagem complexa como ela, precisamos pensar num namorado, num filho, nas amigas, na chefe e na ídola. Tudo isso compõe uma protagonista de uma série de drama”, afirma. 



São Paulo como personagem

O diretor Luis Pinheiro revelou que, apesar da capital paulista também ter grande protagonismo no seriado e não ser somente o cenário da série, a trama acabou sendo gravada, em Montevidéu, no Uruguai. 

“A história se passa no centro de São Paulo, em prédios superpopulosos, na multiplicidade de imigrantes na região, mas, com a pandemia, isso não era tão viável. Quando veio a possibilidade de filmar no Uruguai, eu aceitei”, explica. 

“Percebi que ali cabiam várias cidades a serem retratadas. Filmamos sem ficar procurando São Paulo por lá, mas sim buscando o que fosse belo e pertinente para as cenas. Na edição, trocamos frases e placas, mas só fizemos duas diárias aqui e todo o resto foi em Montevidéu”, afirma. 




Vanusa e Liniker

“A Vanusa não é só uma cantora pra Cassandra, é um porto seguro e uma bússola. Então, acho que a personagem cria uma relação bastante familiar com a ídola. A Vanusa dá colo para ela”, inicia Liniker sobre a relação da protagonista com a ídola na série. 

"Essa ídola que faz a personagem olhar para si mesma e também tem esse lugar de cultura, dentro de uma vivência no cotidiano corrido de entregadora. A protagonista busca a Vanusa não só como refúgio, mas para se alinhar um pouco, dentro de todas as violências que ela já sofre no dia a dia", afirma.

A atriz afirmou ainda que no dia da morte da cantora, 8 de novembro de 2020, ela estava gravando a série. Para ela, foi difícil receber a notícia enquanto estava no set de filmagem, porém isso a fez se conectar ainda mais com a importância que a artista tinha para sua personagem. 

Liniker também falou sobre o que essa experiência agregou em sua vida pessoal e como ela se vê em sua personagem. "O que eu vejo de mim nela é o fato de não temos medo de tentar. Acho que, começando pela minha trajetória, desde quando eu saio de Araraquara e venho tentar ser atriz em São Paulo, sem família, sem dinheiro, transicionando sozinha também. Eu me via assim.", afirma.

"Agora, a Cassandra certamente me trouxe coragem para coisas pequenas, de ir para frente e de demarcar o meu espaço. 'Essa quitinete é minha', 'esse romance é meu', 'essas amizades eu construí'. É muito fácil a gente se dar por vencido com tudo que a sociedade nos obriga a fazer e, às vezes, acabamos perdendo o desejo. Então, acho que ela me ensinou a desejar como há muito tempo eu não desejava”, concluiu. 

O elenco da série inclui ainda Paulo Miklos, Isabela Ordoñez, Clodd Dias, Gero Camilo e a cantora Linn da Quebrada, em uma participação especial. Manhãs de Setembro é produzida por Andrea Barata Ribeiro e Bel Berlinck, da O2 Filmes, com a ideia original de Miguel de Almeida

 


*Estagiária sob supervisão de Charlise Morais

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