Christos Kalohoridis/Netflix
Christos Kalohoridis/Netflix

Justiça racial e gênero permeiam 2ª temporada de 'The Umbrella Academy'

Série da Netflix é inspirada em quadrinho com roteiro de Gerard Way, ex-My Chemical Romance, e ilustrado pelo brasileiro Gabriel Bá

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

12 de agosto de 2020 | 05h00

Ao final da primeira temporada de The Umbrella Academy, os Hargreeves não só tinham falhado na missão de salvar o mundo, como também tinham visto sua própria irmã Vanya (Ellen Page) ser a responsável pela destruição da Lua e, consequentemente, da Terra. A boa notícia para a segunda temporada, que está no ar na Netflix, é que Vanya está bem menos tensa. “Ela tinha muita energia, emoção reprimida, memórias”, disse a atriz em painel durante evento da Associação de Críticos de Televisão, que está acontecendo virtualmente por causa da pandemia. 

“Embora tenha sido terrível para o mundo, ela está bem mais leve, mais capacitada para ter conexões com seres humanos e controlar suas emoções. Ela até se apaixona pela primeira vez”, completou a atriz, que ficou empolgada de retratar o relacionamento de sua personagem com uma mulher. “Mostrar uma relação assim numa série de tanto alcance é muito bacana.”

Obviamente que nem tudo são rosas no caminho dos sete irmãos adotivos com superpoderes e cheios de questões emocionais sérias. A segunda temporada começa com os sete transportados para tempos diferentes em Dallas, no Texas. Klaus (Robert Sheehan) e Ben (Justin H. Min) vão parar em 1960, Allison (Emmy Raver-Lampman), em 1961, Luther (Tom Hopper), em 1962, Diego (David Castañeda), em 1º de setembro de 1963, Vanya, em 12 de outubro de 1963, e Five (Aidan Gallagher), em 25 de novembro de 1963 – no meio de uma batalha contra os russos em que se reúne com os irmãos, mas que termina novamente no apocalipse, desta vez nuclear. Ou seja, os Hargreeves vão ter de tentar evitar o fim do mundo de novo. Não é difícil de inferir pelas datas que eles vão se envolver de alguma forma com o assassinato do presidente John F. Kennedy, morto em 22 de novembro de 1963.

“Foi um grande desafio, tanto em termos de produção quanto da história, ir para a Dallas de 1960”, disse Steve Blackman, o criador e showrunner da série baseada na graphic novel de Gerard Way e Gabriel Bá e rodada no Canadá. “Foi uma época turbulenta, de convulsão social. Pudemos falar de injustiça racial, homofobia, questões de saúde mental. Queríamos tratar disso tudo de forma séria, mesmo sendo um universo fantasioso e intensificado.” Blackman disse que Way e o brasileiro Bá lhe deram carta branca para trilhar seu próprio caminho, que fica mais distante do material original nesta temporada. “Me senti muito livre para contar as histórias que queria.”

Falar de justiça racial, de gênero e orientação sexual neste momento ganhou um significado extra. “Fica claro que ainda há muito a ser feito”, disse a atriz Emmy Raver-Lampman. “E que as lutas do passado só parecem distantes do que acontece hoje em dia. Ter a Allison participando dos movimentos pelos direitos civis e vendo como a violência da época não era muito diferente da que estamos vendo hoje nas nossas televisões reforça isso. Nós fizemos progressos, mas ainda precisamos lutar contra o racismo estrutural, como estamos vendo com a morte de George Floyd e o movimento Black Lives Matter.” 

A atriz tentou usar a oportunidade para se educar sobre o assunto. “Eu li o que podia e vi todos os documentários que pude. O congressista John Lewis (que participou de ações de desobediência civil, foi um dos líderes das marchas para Washington dos EUA nos anos 1960 e morreu em 17 de julho) foi uma experiência viva para meu trabalho, assim como Ruby Bridges, a primeira aluna negra a frequentar uma escola para brancos. Nós aprendemos na escola sobre os direitos civis, mas não o suficiente, e não aprendemos sobre as duras realidades da experiência de ser negro.”

Para o segundo ano, o showrunner achou melhor concentrar os episódios em torno de 45 minutos em vez de uma hora, como na temporada passada. “Eram muito longos e às vezes perdiam o fôlego”, disse. Uma coisa que não mudou entre a primeira e a segunda é o uso criativo da música. Foi assim com I Think We’re Alone Now, de Tiffany, e Happy Together, com Gerard Way. O ano 2 tem Everybody, do Backstreet Boys, numa cena inusitada. “Eu tenho uma lista de Spotify para cada um dos personagens e uma geral. A música me inspira a escrever”, disse Blackman. “Em geral, não adiciono a música depois da filmagem. Ela vai escrita nos roteiros, então os atores sabem que música vai estar na cena.” 

Blackman já está cheio de ideias para a terceira temporada. Só falta a Netflix encomendar. 

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