Damon Winter/The New York Times
Damon Winter/The New York Times

Interrompida pela pandemia, 'Billions' mostra guerra épica por poder e dinheiro

Sem previsão de volta, série mostra a disputa entre operador financeiro e promotor federal

Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

10 de julho de 2020 | 05h00

Para a legião de seguidores de Billions, série sobre poder e dinheiro disponível na Netflix, segunda-feira sempre foi o dia sagrado de conferir o novo episódio inédito da trama. No Brasil, a guerra épica entre o operador financeiro Bob Axelrod (Damian Lewis) e o promotor Chuck Rhoades (Paul Giamatti) está disponível desde 2016 em pílulas semanais na Netflix, que adquiriu os direitos do canal norte-americano Showtime.

No dia 15 de junho, porém, o público não encontrou na plataforma o 8.º episódio da 5.ª temporada. Sem aviso prévio ou nota oficial, Billions sumiu do mapa na reta final da trama, que deveria ter 12 episódios. Pelo Twitter, a produção da série anunciou que o 7.º capítulo foi o último da primeira parte da meia temporada.

No derradeiro episódio, chamado M... Sem Limites, pela primeira vez os personagens fizeram menção à pandemia de coronavírus, o que é um indicador de que esse foi o limite das gravações antes de a quarentena começar nos Estados Unidos.

Billions foi uma das vítimas, no mundo das séries, da pandemia do coronavírus, que causou uma rara crise no setor de TV, algo que não se via desde a última greve dos roteiristas de Hollywood em 2007 e 2008. Diversas produções tiveram de suspender as gravações às pressas. Mas como lidar com isso?

Sem previsão de retorno, algumas séries optaram por chamar de meia temporada o que já foi gravado enquanto outras prometeram fazer um grand finale depois da crise. Procurada, a assessoria de imprensa da Netflix informou que o destino da série é uma decisão do canal Showtime, seu produtor.

O que se viu até o momento na 5.ª temporada de Billions foi um novo e vigoroso round da rivalidade ciclotímica entre Bob e Chuck, acrescido de novos personagens, sendo o principal Mike Prince, que surge como uma ameaça ao império do bilionário no mercado financeiro. Se, nas temporadas anteriores, os protagonistas foram gradualmente se afastando da ética e moralidade, nesta eles não mediram esforços.

Bob agora está obcecado em virar banqueiro, mas esbarra na resistência do setor, marcado pelo esnobismo, em lhe abrir as portas, o que faz aflorar nele traumas antigos e rancores ligados à rejeição social. O operador, que precisa o tempo todo se autoafirmar como um “monstro carnívoro” do mercado de ações, usa o dinheiro para arrombar todas as portas fechadas que surgem pela frente. 

Até o momento, é possível dizer que ele vive agora o auge de seu amor platônico por Wendy Rhoades (Maggie Siff), a psicóloga/coach da empresa, agora divorciada do arquirrival Chuck. E isso gera nele um ciúme doentio, algo normalmente perigoso em pessoas com muito dinheiro e nenhuma bússola moral.

Chuck Rhoades, por sua vez, joga cada vez mais baixo e suas chantagens ficam mais acintosas, seja no mundo político, jurídico ou empresarial. Se, nas primeiras temporadas, tudo parecia ser um meio para justificar fins nobres, agora o promotor quer se dar bem, destruindo seus adversários.

Chuck também experimenta, na 5.ª temporada, mais um capítulo da relação tóxica com o pai, que ganhou uma nova família. As estratégias do jurista são bem resumidas em uma frase que ele disse no 4.° episódio: “Quando estou atrás de uma agenda, sou como Rudolph Giuliani”.

Criada pelo trio Brian Koppelman, David Levien e Andrew Ross Sorkin, Billions é uma série que fez sucesso contra todos os prognósticos. Com diálogos às vezes incompreensíveis para quem não entende de mercado financeiro, a trama parecia ser dirigida a um nicho. A série, porém, tornou-se o principal e mais rentável produto do canal Showtime. 

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