Reprodução de 'The Handmaid's Tale' (2017) / Paramount Pictures
Reprodução de 'The Handmaid's Tale' (2017) / Paramount Pictures

‘Handmaid’s Tale’ estreia quarta temporada neste domingo e faz menção a invasão de capitólio

Série foi lançada em 2017 e ficou irremediavelmente atrelada ao governo Trump

Mariane Morisawa, especial para o Estadão

01 de maio de 2021 | 23h30

Por mais que Margaret Atwood tenha lançado seu romance O Conto da Aia em 1985, a série The Handmaid’s Tale – O Conto da Aia, que estreou em 2017, ficou irremediavelmente atrelada ao governo de Donald Trump. “O livro era relevante na época e continua. Mas nós nunca tiramos nossas ideias de manchetes de jornais”, explicou a atriz Elisabeth Moss, que faz a protagonista da história, June, durante evento da Associação de Críticos de Televisão, para falar da quarta temporada da série, que estreia no domingo, 2, com os três primeiros episódios, no Paramount+ – os sete seguintes chegam semanalmente, aos domingos. “Nós acompanhamos esses personagens, que são demasiadamente humanos. E por isso sempre vai haver ressonância com quem assiste.” Mas, em alguns momentos, a ficção parece prever a realidade.

Gilead, a teocracia totalitária patriarcal que substituiu parte dos EUA, surgiu depois de um ataque terrorista ao Capitólio, parecido com aquele de 6 de janeiro deste ano. “A TV e o drama são lugares seguros para ver seus piores medos se desenrolarem e vivenciá-los à distância”, disse o showrunner (condutor) Bruce Miller. “É muito duro imaginar algo na sua cabeça, colocar na TV e ver algo similar acontecendo no mundo real. Não tem nada de bom nisso. Tenho esperança de que nossa série se torne menos relevante.”

A quarta temporada começa imediatamente após o fim da terceira, quando June foi baleada depois de ajudar crianças e “Marthas” a fugir para o Canadá. Ela e outras mulheres se abrigam na fazenda do Comandante Keyes (Bill MacDonald) e sua mulher, a adolescente Esther (Mckenna Grace). Enquanto isso, os antigos algozes de June, Fred (Joseph Fiennes) e Serena (Yvonne Strahovski) voltam-se um contra o outro após sua prisão, e a Tia Lydia (Ann Dowd) jura vingança contra a protagonista. 

“A temporada fala muito de poder, o que ele significa e quem o tem”, disse Moss, que estreia como diretora em três episódios. “O poder nem sempre é o que parece. É perigoso, pode ser destrutivo. Tanto June quanto Lydia estão buscando poder em suas jornadas respectivas.” Como a batalha entre essas duas inimigas intrinsecamente conectadas vai evoluir é um dos focos desta temporada, que promete responder a mais perguntas. 

De alguma forma, a saída de June da claustrofóbica Gilead é um paralelo da mudança de conjuntura, com um novo presidente na Casa Branca, e de uma pandemia que impactou bastante a gravação da série. “Eu acho que estes novos episódios falam muito de esperar que as coisas voltem ao normal, de ter expectativa de que isso aconteça. E por que não estão voltando? Quando eu vou me sentir normal? E tudo não deveria estar normal agora?”, disse Miller.

Ou seja, os problemas de June e do mundo não terminaram. Moss acredita que os últimos capítulos vão tratar da raiva e do ódio e do desejo de varrer as coisas para debaixo do tapete, a vontade de dizer que tudo está bem, que nunca houve problema, vamos deixar o passado para lá. “A jornada de June é gritar ‘Nós não vamos esquecer!’, e eu acho isso extremamente relevante.” 

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