Paramount+
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‘Halo’ transforma em série um dos games de maior sucesso da história

Jogo foi lançado logo após a queda das Torres Gêmeas e fala da guerra entre humanos e alienígenas muito religiosos

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

03 de abril de 2022 | 05h00

Os fãs de games sabem que, para cada Arcane, há um Warcraft ou Assassin’s Creed. Ou seja, para cada adaptação que dá certo, como no caso da série de animação que estreou em novembro na Netflix, existem versões que não passam no teste, como o filme dirigido por Duncan Jones ou o longa estrelado por Michael Fassbender. Halo, que acaba de estrear no Paramount+, com cada um de seus nove episódios sendo exibido às quintas, pretende se encaixar na primeira categoria. 

Mas foi uma batalha chegar até aqui. Halo é um dos games de maior sucesso da história, com 82 milhões de cópias vendidas de suas várias versões. Ele foi lançado em novembro de 2001, logo após os ataques às Torres Gêmeas de Nova York, e fala da guerra entre humanos e um povo alienígena chamado Covenant, extremamente religioso. 

A série começou a ser desenvolvida cerca de nove anos atrás. Nesse período, passou por dois diretores, duas plataformas (de Showtime para Paramount+, ambas pertencentes à ViacomCBS) e três showrunners. “Fazer algo desse tamanho é assim mesmo”, disse a produtora executiva Kiki Wolfkill, durante evento da Associação de Críticos de Televisão, por videoconferência. “É um desafio criativo muito grande, que necessita da união das pessoas certas. E demorou um certo tempo para montar esse time.” Também produtor executivo, Justin Falvey acrescentou: “Quando você tem uma propriedade intelectual assim, com uma escala e um escopo gigantes, leva um tempo para acertar”.

A jornada foi ainda mais complicada porque os produtores não queriam simplesmente tentar fazer uma transposição do videogame para a televisão, algo que dificilmente dá certo, já que são meios diferentes. “Adaptar um videogame tão amado, com 20 anos de história e desenvolvimento de personagens é uma tarefa aterrorizante, mas também gratificante”, explicou Kiki Wolfkill. “Para nós, o fundamental era pegar a essência da experiência proporcionada pelo game e expressá-la com uma voz única. Queríamos que a série tivesse uma cara própria.” 

Para isso, ela costuma dizer que a série corre em uma linha temporal paralela à dos games. As diferenças ficam claras já no primeiro episódio. No videogame, que se passa no século 26, a guerra envolve alienígenas brutais contra uma humanidade avançada tecnologicamente, que usa inteligência artificial e supersoldados conhecidos como Espartanos. Quem estivesse prestando atenção ao jogar o videogame perceberia não só o militarismo como também um indisfarçável racismo e uma defesa do colonialismo. A primeira sequência de Halo, a série, coloca tudo isso em discussão, quando uma vila rebelde é atacada pelos Covenants, e os Espartanos vêm para combatê-los. Só que, além de exterminar os inimigos, eles massacram também os moradores que supostamente foram defender. A única sobrevivente é a adolescente Kwan Ha (Yerin Ha). 

Sem emoções

O melhor dos Espartanos é Master Chief, que nunca demonstra suas emoções. No game, ele jamais tira seu capacete. Na série, o personagem, interpretado por Pablo Schreiber, faz isso logo de cara. Depois de tocar em um artefato que estava sendo procurado pelos Covenants na vila, ele começa a ter memórias de seu passado. E decide ajudar Kwan Ha, que deveria ser exterminada. “A série tem guerra, inteligência artificial, política militar, mistérios antigos, mas estamos tentando também contar histórias pessoais e explorar a humanidade - ou falta dela - e a complexidade dos nossos personagens”, explicou Wolfkill. “Especialmente de Master Chief, que seria o que a humanidade tem de melhor, mas sofreu muito.” 

Para Pablo Schreiber, o personagem era interessante demais para deixar passar. “É uma série para quem ama o universo Halo e uma série para quem está descobrindo esse universo só agora”, observou Schreiber, que cresceu sem televisão e videogame. “Master Chief é um dos personagens mais icônicos e heroicos de todos os tempos. Então foi ótimo explorar a relação do guerreiro e do herói.”

Segundo Steven Kane, que deixa o papel de showrunner na segunda temporada, já confirmada, sendo substituído por David Wiener, o objetivo é contar uma grande história. 

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