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‘Foundation’ baseada no trabalho de Asimov pensa grande - tão grande quanto uma galáxia

A série, um projeto de quatro anos estreando na Apple TV+ nesta sexta-feira, aborda 400 anos e 25 milhões de mundos

Mark Kennedy, AP

24 de setembro de 2021 | 20h00

NOVA YORK - A maioria dos dramas de TV tenta contar histórias ao longo de alguns anos com talvez meia dúzia de personagens centrais. A nova série Foundation é um pouco mais ambiciosa - aborda 400 anos e 25 milhões de mundos.

Dizer que é abrangente não lhe faz justiça. A construção de um mundo é uma coisa. Foundation, um projeto de quatro anos estreando na Apple TV+ nesta sexta-feira, é a construção de uma galáxia.

“Eu adoro ser transportado pelas histórias. Eu adoro épicos. Eu adoro sagas geracionais. É por isso que quis fazer”, disse David S. Grover, o co-criador, produtor executivo e showrunner da série.

“Foundation” baseia-se nos contos que o autor Isaac Asimov começou a escrever logo após a Segunda Guerra Mundial, aos 21 anos, e que acabaram se transformando em um marco do gênero de ficção científica. A série é ambiciosa o suficiente para redefinir a ficção científica nas telas.



A saga começa 12.000 anos adiante, no futuro. Sob o comando do Império Galáctico, a humanidade espalhou-se para os pontos mais distantes da galáxia e vive de forma pacífica, embora autoritária. O brilhante cientista Hari Seldon (Jared Harris) descobriu uma teoria matemática que prova que o império está ruindo. Ele está certo? “Você acredita na Matemática?,”  ele pergunta.

“Quando se tem um personagem capaz de prever o futuro, a questão é ‘Ele está prevendo o futuro ou um futuro possível? E em um mundo onde é possível prever os movimentos em massa da civilização, a vontade de uma pessoa importa? Qual a minha importância no esquema maior das coisas? Minhas escolhas importam?’”, Gover pergunta.

Visualmente deslumbrante e inventiva, a série explora as reflexões entre liberdade individual e a perigosa segurança das regras dinásticas, as noções de destino e livre-arbítrio, extremismo e discordância.

É uma série que coloca a ciência e a matemática no centro da vida, chegando aos lares em uma época na qual os fatos da ciência têm sido questionados por toda parte.

“Matemática não são apenas números”, diz a série. “Nas mãos erradas, é uma arma. Nas mãos certas, libertação”.

Nossa guia é uma matemática talentosa, Gaal Dornick (Lou Llobell), que abandona seu planeta distante para ir ao lar do império e está tão atenta quanto as pessoas assistindo em casa no sofá.

“Acho que ela é uma aliada do público”, diz Llobell, cujo personagem era masculino nos livros. “Acho que é uma ferramenta boa para o público sentir que eles têm alguém em quem podem confiar, seguir e aprender sobre todos esses mundos”.

Goyer, cujos roteiros incluem O Cavaleiro das Trevas e Batman Begins, teve a chance de adaptar Foundation, de Asimov, mais cedo em sua carreira como um longa-metragem, mas recusou a oferta. Na época a ideia era condensá-lo. Sua nova série em 10 episódios vai na direção oposta.

“Eu estava animado com a possibilidade de ter os bens necessários para expandi-la e apresentá-la”, ele diz. “Foi a coisa mais ambiciosa que já tentei mesmo antes da pandemia, e quando a pandemia chegou, ficou tão monumental que foi até engraçado”

O visual da série é arrojado e cativante, misturando coisas antigas e futuristas. Há canhões de laser e velas cintilantes, figurinos inspirados no Império Romano e biohacking. Jarras simples de água ao lado de esquemas holográficos. Pode ser uma época de enormes naves espaciais, mas seus comandantes podem beber em frascos de tempos antigos. Goyer disse que queria uma sensação clássica e atemporal.

 


“Eu queria que a série fosse muito cinematográfica. Não queria filmar a maior parte usando uma tela verde. Queria sair para o mundo. Filmamos cerca de 60% em locações em seis países diferentes. Isso era muito importante pra mim porque queria ser visceral e consistente”

A série pula para frente e para trás no tempo - séculos e décadas podem avançar - e Goyer não queria usar adereços pré-existentes. Cada item básico foi repensado, como engenhosas taças de vinho com o líquido descendo pela haste.

“Não há nada que pudéssemos pegar da prateleira de uma loja. Tivemos que fabricar tudo, quero dizer, tudo”, ele diz. A série também teve que resolver seus próprios problemas científicos, como por exemplo, a dobra espacial. A resposta: cada nave espacial tinha que gerar seu próprio buraco negro.

Llobel se lembra de filmar em um estúdio em Limerick, na Irlanda, onde a equipe de design criou uma réplica do planeta coberto de água de seu personagem. “Você entrava e sentia o cheiro do oceano. Dava para sentir o cheiro dos peixes e das algas e fedia”, ela diz. “Era incrível estar lá”.

Acontece que o planeta coberto de água de seu personagem nem sempre foi tão molhado. Sua população está passando por uma era das trevas na qual o conhecimento é proibido, levando ao aquecimento e elevação dos mares. Foundation preserva a presciência de Asimov.

“É uma série sobre mudança climática. É uma série sobre #Metoo. É uma série sobre a ascensão do partidarismo e o nacionalismo, o Brexit. E agora é uma série sobre uma pandemia e a colisão entre ciência e política”, Goyer diz.

O ator Leah Harvey interpreta o guardião de uma cidade em um planeta no limite mais longínquo da galáxia. Harvey ri ao pensar que, apesar de todos os cálculos quânticos de alto nível, muitos na galáxia se recusam a reconhecer a verdade.

“Muitas pessoas não conseguem entender, mas questionam se é ou não verdade. E isso, definitivamente,  é algo identificável nesse mundo no momento”, Harvey diz.  


TRADUÇÃO LÍVIA BUELONI GONÇALVES

 

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