Oliver Upton/Netflix
Oliver Upton/Netflix

Filmes e séries sobre esportes suprem necessidades dos fãs na quarentena

Sem transmissões de jogos na televisão durante a pandemia, espectadores podem ter contato com documentários e obras ficcionais sobre futebol, basquete e outros esportes

Glauco de Pierri e Wilson Baldini Jr., O Estado de S.Paulo

08 de abril de 2020 | 05h00

Quem gosta de futebol, ou de qualquer outro esporte, não desgruda o olhar da televisão. Normalmente, um grande leque de partidas é transmitido em tempo real, sete dias por semana, durante todo o ano. Seja por TV aberta, por canais fechados ou ainda pela internet, quem gosta só não vê se não quiser. Contudo, a pandemia do novo coronavírus paralisou todas as competições mundo afora e os eventos ao vivo desapareceram da telinha.

Para matar a saudade, canais como SporTV, ESPN Brasil e Fox Sports têm apostado em reprises de partidas históricas de todos os esportes. Além deles, a Globo e a Band, na TV aberta, também entraram na onda e, no próximo domingo, vão reprisar jogos de futebol – às 14h, a Band mostrará a decisão do Paulistão de 1993, quando o Palmeiras venceu o Corinthians por 4 a 0 e encerrou um jejum de títulos de 16 anos. Às 16h, a Globo colocará no ar a reprise da finalíssima da Copa do Mundo de 2002, disputada na Coreia do Sul e no Japão, quando o Brasil foi pentacampeão do mundo ao vencer a Alemanha por 2 a 0, numa época em que o Brasil perder por 7 a 1 para quem quer que seja era inimaginável. 

Mas, além dos jogos históricos e dos infindáveis gols e melhores momentos disponíveis no YouTube, quem gosta de futebol pode aproveitar os momentos de folga dentro da quarentena para explorar séries e filmes sobre o assunto. Entre os lançamentos desta temporada, a Netflix apresenta The English Game, uma série com seis episódios que conta a história da profissionalização do esporte no final do século 19. A trama ainda fala sobre a divisão de classes sociais que imperava na Inglaterra e como isso contribuiu para popularizar o jogo. 

A série começa em 1879 e tem dois personagens principais, Fergus Suter (Kevin Guthrie), um operário escocês que nasceu em Glasgow, e Arthur Kinnaird (Edward Harknees), um lorde de família abastada ao sul do país. O drama faz o amante do futebol moderno ter contato com a forma que ele era jogado em seu início, com uniformes sem numeração, bolas de capotão, ausência das regras atuais e até mesmo a falta de esquemas táticos – os times atuavam basicamente com passes e triangulações curtas.

Violência no esporte

Também na Netflix, a série Barras Bravas explora o universo dos violentos ‘barras’ argentinos, em uma história que mescla futebol, política e ainda o crime organizado. A base da trama é em cima do Ferroviários Fútbol Club, um time fictício de Buenos Aires. 

Entre os principais personagens da série, está Diana (Dolores Fonzi), uma advogada honesta e com forte influência na comunidade do bairro onde está a sede do Ferroviários. Ela é chamada pelo presidente da equipe para ser a nova chefe de segurança e precisa mostrar força para tentar acabar com o poderoso Héctor “Lomito” (Carlos Belloso), líder do barra e que comete uma série de delitos para manter sua influência sobre torcida, técnico e diretores.

Dolores, que na Argentina sustenta publicamente sua militância feminista, contou na coletiva de apresentação da série suas visões sobre Diana. “O que me atraiu nesta personagem é a imagem de uma mulher impondo suas regras em um mundo de homens. Imaginar que um dia os barras tomem conhecimento que colocaram uma garota para ser chefe de segurança que vai combater o sistema que os beneficiam me deixa feliz”, disse. 

Em paralelo, a série mostra Mario (Ignacio Quesada), um jovem que se junta aos barras por influência de Fabián (Esteban Lamothe), braço direito de Lomito na torcida. Mario se junta ao grupo para tentar tirar sua família da pobreza, mas não pretendia se envolver com a ilegalidade inserida na facção. Chama atenção ainda a realidade de cenários e locações – a maior parte das gravações foi feita no estádio Tomás Adolfo Ducó, do Huracán.

Entre os filmes, destaque para Ultras, que mostra a relação violenta entre os torcedores e o futebol na Itália. Na trama, um dos fanáticos encara o passado para conseguir um futuro diferente e mais promissor para ele e para um jovem amigo. 

Série sobre Michael Jordan

A quarentena imposta a boa parte do mundo fez com que a Netflix antecipasse o lançamento da série The Last Dance, produção do canal norte-americano ESPN e que conta a trajetória vitoriosa de Michael Jordan na equipe do Chicago Bulls nos anos 1990 – Jordan foi um dos maiores atletas de todos os tempos e é considerado por muitos como o maior jogador de basquete da NBA e da história.

Nos Estados Unidos, a ESPN transmite os dois primeiros episódios de The Last Dance no dia 19, enquanto a Netflix, dona dos direitos internacionais da produção, exibe no dia seguinte. A cada semana, dois capítulos serão apresentados.

A produção, com dez episódios, vai mostrar imagens inéditas de Jordan ao lado de seus companheiros e do técnico Phil Jackson – eles ganharam seis títulos da NBA em oito anos, sem precisar em nenhuma disputa do jogo 7 nos playoffs. 

Foram dois tricampeonatos do Chicago, com Jordan em grande destaque com média de mais de 30 pontos por jogo, garantindo campanhas da equipe com até 70 vitórias nos 82 jogos da temporada regular.

O documentário também vai relembrar momentos dramáticos da lenda do basquete como a morte de seu pai, em 1993. Isso fez com que ele disputasse uma temporada de beisebol, durante os dois anos em que ficou afastado das quadras, sonho de James R. Jordan, assassinado por dois adolescentes, que cumprem prisão perpétua.

Duelos históricos com Magic Johnson, Charles Barkley e Karl Malone serão revistos com imagens de alta qualidade, feitas por uma equipe de produção, sob autorização de Jordan e da direção do Chicago Bulls nas finais da temporada 1997/1998, contra o Utah Jazz.

“A ESPN ganhou o status que tem pela série de documentários com grandes ídolos e faltava falar de Michael Jordan, que sempre está nas discussões de quem é o maior atleta de todos os tempos, ao lado de Pelé e Muhammad Ali”, afirmou Ricardo Bulgarelli, comentarista da ESPN Brasil. 

Outras produções. Na Amazon Prime, dois títulos chamam a atenção. Em Tudo ou Nada, o público poderá conferir a jornada da seleção brasileira de futebol campeã da Copa América de 2019, desde os treinos até a final contra o Peru no Maracanã. Em Futebol Arte, o torcedor pode passear pelo Brasil de 1982, de Sócrates, Falcão, Zico e companhia, que encantou o mundo mesmo sem ter conquistado a Copa da Espanha. 

A Netflix tem vários destaques para quem gosta de outros esportes. Race mostra a emocionante história de Jessie Owens, velocista norte-americano que superou o racismo e desafiou Hitler ao conquistar quatro ouros na Olimpíada de 1936, em Berlim. 

Dirigir para Viver permite aos fãs ver o lado não exibido da Fórmula 1, demonstrando emoções que cada escuderia e piloto enfrentam dentro e fora do grid. Fangio: o Rei das Pistas mostra a trajetória do piloto argentino, pentacampeão mundial nos anos 1950, em uma época em que quase não existiam equipamentos de segurança. 

Por fim, os amantes do boxe podem conferir Mãos de Pedra: a História Verdadeira de Roberto Durán, uma biografia do pugilista panamenho Roberto Duran, que praticou boxe entre 1968 e 2002. Junto de seu treinador Ray Arcel, ele conquistou um grande feito dentro do ringue quando derrotou Sugar Ray Leonard, em 1980.

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