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Exilados cubanos processam Netflix por difamação no filme 'Wasp Network'

Plataforma é acusada de retratar refugiados cubanos como 'terroristas e criminosos'; filme é baseado em livro de Fernando Morais e tem Wagner Moura no elenco; veja trailer

EFE, Redação

20 de junho de 2022 | 11h24

Um novo processo por difamação foi apresentado em Miami contra a Netflix, desta vez por José Basulto, fundador do grupo do exílio cubano Hermanos al Rescate, que acusa a plataforma de retratá-los como "terroristas e criminosos" no filme Wasp Network: Rede de Espiões.

O processo, que foi apresentado na semana passada em um tribunal de Miami por Basulto e Hermanos al Rescate, afirma que o filme, lançado na Netflix em junho de 2020 e que fala da infiltração de espiões castristas entre grupos exilados em Miami, não se baseia em uma "história verdadeira" porque está cheio de "mentiras descaradas" e retrata os membros desta organização como "terroristas que se envolveram em ataques criminosos" e "tráfico de drogas".

Não só é uma "falsa representação que não tem base de fato", mas o longa-metragem, baseado no livro Os Últimos Soldados da Guerra Fria de Fernando Morais, tem uma aura romântica e "glorifica a atividade criminosa realizada pelos espiões da rede em solo americano", diz o processo.

Segundo os documentos aos quais a Agência Efe teve acesso, o filme, estrelado por Wagner Moura, Penélope Cruz, Edgar Ramirez, Gael García Bernal e Ana de Armas é "uma tentativa óbvia de reescrever a história" da Rede Vespa "a favor do regime comunista cubano".

Os cinco espiões cubanos que eram membros da Rede Vespa - que foi desmantelada em 12 de setembro de 1998 com a prisão de todos os membros - forneceram informações de inteligência que "permitiram ao governo cubano cometer execuções extrajudiciais", afirma o processo judicial, incluindo a morte de quatro pilotos da organização Hermanos al Rescate, que realizaram uma missão humanitária em fevereiro de 1996 para resgatar e ajudar os balseiros no mar a caminho dos Estados Unidos e foram abatidos "em águas internacionais" por aviões militares cubanos.

Além disso, o documento, de 61 páginas, afirma que o filme "retrata falsamente como terroristas as organizações cubanas exiladas, aquelas que foram expulsas do seu país de origem devido às atrocidades cometidas pelo regime comunista cubano".

A ação coletiva também vai contra o francês Olivier Assayas, diretor do filme, e as produtoras Orange Studios, Nostromo Pictures, US One Comercio e Serviços de Criação e Producão de Obras Com Direitos Autorais, CG Cinema, Rodrigo, Charles Teixeira, Charles Gillibert e Lourenco Santana.

A primeira ação judicial contra a Netflix foi movida em outubro de 2020 pela exilada cubana Ana Margarita Martinez, cuja reputação, segundo ela, está "danificada" pelo filme, no qual é retratada "falsamente" por uma personagem de "estilo de vida luxuoso pago com dinheiro de drogas e atividades terroristas". 

 

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