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Ex-Capitão América, Chris Evans fala sobre confinamento e nova série

'Haverá muitas perspectivas diferentes sobre o que estamos passando', afirmou o ator ao 'Estado'

Mariane Morisawa, Especial para o Estado

15 de maio de 2020 | 05h00

LOS ANGELES - Agora que aposentou o escudo de Capitão América, Chris Evans está tendo mais tempo para explorar novos territórios. Um exemplo é a minissérie Em Defesa de Jacob, escrita por Mark Bomback, baseada no best-seller de William Landay, e dirigida por Morten Tyldum. O suspense sobre um assassinato numa pequena cidade está disponível na Apple TV+ – novos episódios entram no ar todas as sextas-feiras. 

“Estava muito interessado no formato”, disse ele em entrevista ao Estado. “Nos anos 1990, teria sido um filme de duas horas, concentrado apenas no essencial. E aqui pudemos explorar a trama em oito episódios, o que permite um respiro aos personagens. Eu amo uma história de crime, mas foi bacana permitir que as dificuldades humanas ganhassem maior destaque.”  Bomback concordou. “Uns 20 ou 30 anos atrás, seria um longa com Harrison Ford estreando em cinema de shopping. Numa minissérie, podemos deixar de focar apenas nas viradas da uma trama e passar a explorar os personagens e também temas mais duros.”

Evans interpreta Andy Barber, assistente do promotor de Justiça numa pacata cidade. Sua vida é daquelas de comercial de margarina: vive numa casa moderna e confortável com a mulher, a professora Laurie (Michelle Dockery, a Lady Mary de Downton Abbey), e tem um filho adolescente, Jacob (Jaeden Martell). 

Só que tudo começa a desmoronar quando o filho de 14 anos torna-se o principal suspeito do assassinato de um colega de escola, Ben Rifkin (Liam Kilbreth). A família, antes respeitada, agora se vê no ostracismo. “Eu adorei como o material mostra mais os efeitos que esses acontecimentos têm na família do que costumamos ver em séries sobre crimes”, afirmou Dockery. “Para Laurie, é muito difícil, ela começa a pensar no passado e a achar que tem culpa. E também sente muito pelos Rifkins, que perderam seu filho.” 

Evans acrescentou: “Cada um lida com o drama de forma diferente. Andy passou a vida compartimentalizando tudo, desenvolvendo a habilidade de ser racional. Para ele, é fácil pensar: mesmo que meu filho tenha feito isso, vou mentir por ele.”

Andy em princípio fica encarregado da investigação e chega a se livrar de possíveis coisas comprometedoras. “Um dos assuntos que exploramos na minissérie é até que ponto você estaria disposto a lutar por seu filho?”, disse Tyldum. “E também: quanto você conhece seu filho? A infância hoje é completamente diferente do que era na minha época de criança. Naquele tempo, os pais tinham medo do que os filhos faziam fora de casa. Hoje, podemos rastreá-los fora de casa, mas não temos ideia do que eles estão fazendo em seus próprios quartos, por causa da tecnologia. E isso é aterrorizante.” 

Um crime cometido por uma criança, apesar de ser mais comum hoje, é algo que ainda choca. “A questão é que vemos nossos filhos como reflexos de nós mesmos. Queremos que eles tenham nossas melhores características. E tememos que eles carreguem o nosso pior”, disse Bomback. “Na história, os pais lidam com a dúvida de ter colocado no mundo alguém que poderia ser uma força tão destrutiva.” Para Tyldum, criar um filho é a coisa que mais dá medo. “E o amor que você tem por seus filhos desafia todos os seus limites morais.”

A situação já complexa da família Barber fica ainda pior quando segredos e mentiras do passado são revelados. “Há algo quase de Ibsen e Strindberg, sobre as mentiras que uma pessoa precisa contar na vida”, disse Tyldum. “Elas têm um custo? É possível viver sem mentiras? A ideia de esperar total honestidade de um parceiro é possível? Queremos isso?” 

A ideia, segundo ele, é que o espectador se coloque no lugar de Andy e Laurie. “Eles nem sempre fazem aquilo que nós gostamos de acreditar que faríamos. Não há absolutos. Nada é completamente errado nem completamente certo. É complexo.”

Chris Evans espera que os dilemas enfrentados por Andy e Laurie sirvam para uma coisa, ainda mais nesses tempos de confinamento. “Alguém disse que filmes são máquinas de criar empatia. Haverá muitas perspectivas diferentes sobre o que estamos passando, diversos pontos de vista, que não se alinharão. Então, se existe algo que podemos fazer para tentar progredir em vez de só gritarmos uns com os outros, é começar a ter empatia e a ouvir. Séries de televisão e filmes são maravilhosos para criar empatia. É a única coisa que podemos fazer como atores. Pode ser pouco, mas que seja.” 

 

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