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Evan Peters comenta final bombástico do quinto episódio de ‘Mare of Easttown’

Ator fala sobre os acontecimentos chocantes do episódio, de como é trabalhar ao lado de Kate Winslet; entrevista contém spoilers

Scott Tobias, The New York Times

19 de maio de 2021 | 07h46

Atenção, esta entrevista contém spoilers importantes a respeito do episódio 5 de Mare of Easttown. Quando o detetive Colin Zabel (Evan Peters) chega à comunidade sombria e insular de classe trabalhadora de Easttown na Pensilvânia, ele é o jovem bem-sucedido do condado, enviado para tomar conta da problemática detetive Mare Sheehan (Kate Winslet) enquanto ela investiga o assassinato de uma mãe adolescente.

Mas à medida que a minissérie da HBO Mare of Easttown se desenrolava, ficou claro nas últimas semanas que os instintos de Colin não eram tão aguçados quanto os de Mare. E apesar de todos os segredos embaraçosos de Mare, Colin também tem os seus - como a verdade por trás de seu papel no importante caso que construiu sua reputação e a triste revelação de que ele ainda vive com sua mãe.

Ele precisa de uma vitória tão desesperadamente quanto Mare. Mas essa vitória já era. No chocante quinto episódio da minissérie, exibido no domingo, 16, Colin e Mare estão perto da conclusão do mesmo arco redentor, aproximando-se de um suspeito que pode ser responsável pelo sequestro e possível assassinato de várias jovens da região. Quando encontram o suspeito, ele está escondido em um bar abandonado, onde ele mantém duas das mulheres desaparecidas presas a sete chaves.

Assim que as coisas começam a ficar realmente tensas: Boom! Com um tiro na cabeça, Colin morre. Os fãs da série talvez ainda estejam chocados, mas Peters parece perfeitamente feliz pela causa da morte de Colin.

“Gosto da ideia de que ele leva um tiro porque é muito real”, disse Peters, no fim de semana passado, em uma videochamada de Los Angeles. “É assim que doença e morte são. Acontecem das maneiras mais inesperadas. Você nunca planeja ficar doente. Você nunca planeja morrer. Tudo simplesmente acontece.”

Peters não parece nada decepcionado com o destino de Colin. Seu personagem pode estar no caminho certo para resolver o caso e até mesmo tentar um futuro romântico com Mare, mas tal destino parece visivelmente fora de lugar no iceberg fictício de Easttown, situado nos arredores de Filadélfia, onde todos os personagens estão simplesmente lidando com as situações da vida - e geralmente não tão bem.

Entre as gravações, ele falou de todo o trabalho necessário para criar um personagem fadado a morrer, como foi atuar ao lado de sua atriz favorita e dos deliciosos sanduíches da Filadélfia. Esses são trechos editados dessa conversa.

Quando e como você descobriu que Colin não sobreviveria ao quinto episódio?

Bem, eu peguei os scripts dos episódios 1 a 5 ou talvez 6 e li todos eles. E, obviamente, Colin morre no quinto. (Risos) Simples assim. Sim. Aceitei o inevitável, na falta de uma desculpa melhor. Fiquei absolutamente chocado quando li isso, já esperava e meio que sabia que o público ficaria chocado também, se construíssemos Colin da maneira certa.

Nessa altura, o público está fortemente interessado no papel de Colin na investigação e na vida de Mare, e, provavelmente, você também. Como você processou essa perda, do ponto de vista de alguém que acompanhava a trama?

Eu estava animado com a ideia de que isso aconteceria, para criar todo esse personagem e formular todo o enredo, então é quase como se tivéssemos nos preparado para aquele momento. É uma maneira interessante de desenvolver um personagem, sabendo que ele vai morrer dessa forma.Para mim, parecia muito real, e meio que fala do perigo de estar nesta área de trabalho. Isso me lembrou daquele momento em “Queime Depois de Ler”, onde Brad Pitt leva um tiro na testa no armário - o que é meio hilário, mas também muito chocante; queríamos provocar esse tipo de sensação quando isso acontecesse.

Em algum momento você ficou mal pelo fim do seu personagem?

Eu realmente não pensei muito a respeito disso. Acho que havia uma maneira diferente de interpretar Colin que é um pouco mais arrogante e descompensada por sua síndrome de impostor. Eu senti que queria ficar longe disso porque eu realmente não me importaria se aquele cara levasse um tiro, sabe? (Risos) Eu me importaria mais se ele fosse um cara simpático por quem você estava torcendo, querendo ver crescer e ser uma pessoa melhor, uma espécie de amadurecimento.

O conflito do seu personagem é que ele não é o tipo de ás na manga super competente que parece ser. Como você descreveria essa trajetória?

Isso é exatamente o que eu estava fazendo com esse personagem o tempo todo. Como detetive, ele está apenas tentando melhorar. Ele assumiu o crédito por esta informação (em um caso anterior) que não era realmente dele, e ele a usou porque, na minha opinião, estava muito travado e só queria avançar. Ele está pensando: “Talvez isso resolva. Eu farei algo ótimo. Vou impressionar minha mãe. Vou impressionar a todos ao meu redor e resolver todos os meus problemas. ”  Mas acho que ele rapidamente percebe que é mentira.  Não é real e cria um buraco dentro dele.

O que foi necessário para se preparar para esse papel? Como você se tornou convincente tanto como detetive e como pessoa desse lugar específico?

Em primeiro lugar, foi incrível filmar na Filadélfia. É sempre incrível poder filmar onde a história se passa, porque você pode sair, comer a comida, conhecer as pessoas, conversar com elas, aprender o sotaque, sentir a energia da cidade e dos arredores para entrar de fato na história. Eu realmente não gosto de filmar em estúdios porque isso simplesmente tira toda a sensação de realidade. Fui ao Reading Terminal Market e ao Tommy DiNic's e comprei os sanduíches de bife de queijo e todos os tipos de coisas locais; visitei tudo e realmente tentei me conectar com o lugar.

A maioria de suas cenas na minissérie são contracenando com Kate Winslet, que é amplamente considerada uma das melhores atrizes vivas. Isso foi intimidante?

É claro que eu estava um pouco tenso por gravar cenas com ela e não ter ideia, de verdade, do que eu estava fazendo. Há um pouco de Colin nisso também, também estava tentando aprender com ela. Kate é uma pessoa incrivelmente humilde, real e pé no chão, que se preocupa profundamente com a equipe, o elenco e todos os envolvidos. Foi uma experiência muito confortável, e ela imediatamente cortou o estresse e o nervosismo pela raiz. Era como se estivéssemos todos juntos nisso para fazer a melhor minissérie que pudéssemos.

Kate Winslet disse em um podcast que você ajudou a apresentá-la a Wawa, o que pareceu uma experiência religiosa para ela. Você se lembra disso?

Sim. Wawa é tipo ... É incrível. É uma loja de tudo. Tem tudo lá. Mas o que realmente me fisgou na Wawa foi “o Gobbler”. Na época do dia de Ação de Graças, eles servem isso ... é basicamente um sanduíche, mas com sabor de dia de Ação de Graças, então tem peru, recheio, molho de carne, molho de cranberry. E é, tipo, a maior coisa e a mais prejudicial à saúde que você poderia comer. É incrível. Eles têm um ótimo café. Você pode comprar gelo e todos os tipos de coisas boas por lá.

Tradução de Romina Cácia.

Assista ao trailer:

 

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