Christos Kalohoridis/Netflix
Christos Kalohoridis/Netflix

‘Episódio’ Analisa: Após saída da Marvel, Umbrella Academy é maior aposta da Netflix em super-heróis

Adaptação dos quadrinhos de Gerard Way e Gabriel Bá, série preenche o gap deixado pela entrada da Disney + no mundo do streaming

Clara Rellstab, Leandro Nunes e Simião Castro, O Estado de S.Paulo

29 de fevereiro de 2020 | 11h57

Queridinha dos aficionados por histórias em quadrinhos, The Umbrella Academy saiu das páginas para as telas há um ano, em fevereiro de 2019, pela Netflix. A produção surge como a “última dos moicanos” das séries de heróis para a plataforma, depois da debandada das produções desse gênero, feitas pela Netflix em parceria com a Marvel, para o novo serviço de streaming da Disney, o ainda inédito no Brasil Disney +

Comentada no podcast Episódio Séries para assistir no Carnaval, a série teve a sua continuidade confirmada oficialmente pela Netflix somente em fevereiro, apesar de as filmagens da nova fase terem tido início ainda em junho do ano passado. Enquanto a data de lançamento da segunda temporada não é divulgada, assim como com ‘Queer Eye’, analisaremos o que já foi exibido e o que ainda há por vir em ‘The Umbrella Academy’.

A história original, roteirizada por Gerard Way, vocalista da banda My Chemical Romance, e ilustrada pelo brasileiro Gabriel Bá, carrega em si estereótipos comuns às tramas de super heróis desde a premissa, que traz um grupo de jovens dotados de poderes especiais à beira de um apocalipse. Mas, observando a fotografia, trilha sonora e direção de arte, é possível notar que os showrunners da atração se preocuparam em não emular um estilo ditado pelas veteranas Marvel e DC e, sim, criar uma mitologia e estética próprias. 

O enredo começa no ano de 1989, quando, misteriosamente, 43 crianças vêm ao mundo apesar de suas mães não estarem grávidas. O fato salta aos olhos de um excêntrico milionário, que consegue adotar sete deles - os protagonistas do seriado, nomeados a numericamente. Com a exceção da Número Sete, interpretada por Ellen Page, todas as crianças, que formam um grupo de justiceiros mirim denominado "The Umbrella Academy”, possuem e aprendem a aprimorar poderes especiais e acabam se tornando personalidades cultuados pela cultura pop. As consequências da exclusão da intérprete de Juno, cuja habilidade mor se resume a saber tocar violino, é o que determinam o plot da série.

A partir da máxima da vida adulta “nós só nos reencontramos em casamentos e funerais”, o grupo é obrigado se unir outra vez quando o pai genial e lunático da prole bate as botas. Durante a cerimônia, o Número Cinco (Aidan Gallagher), uma espécie de Peter Pan cuja habilidade especial é o poder de viajar no tempo, surge, depois de 17 anos desaparecido, para anunciar que o fim do mundo está próximo e que somente a união do grupo pode evitá-lo.

Mudanças

Ao contrário do que acontece nos quadrinhos de Way e Bá, onde todos os irmãos são representados por personagens brancos, na série há diversidade no elenco. A maioria ainda é de atores brancos, como o Número Um Luther (Tom Hopper), Número Quatro Klaus (Robert Sheehan) e os já supracitados Ellen e Gallagher, mas a Netflix também escalou o latino David Castañeda, para dar vida ao Diego (Número 2), a afroamericana Emmy Raver-Lampman, que interpreta a Alisson (Número Três) e o oriental Ben (Number Five), feito por Justin H. Min - só para citar os protagonistas. 

Pouco explorada na HQ, as circunstâncias desconhecidas que levaram à morte do patriarca guiam os sete durante boa parte do arco, o que acaba interferindo significativamente no ritmo da série. Talvez, se a temporada tivesse os 10 episódios reduzidos a sete ou seis, a primeira temporada de The Umbrella Academy conseguisse manter o roteiro e montagem frenéticos que seus primeiros capítulos ameaçam promover. 

É preciso, entretanto, louvar tudo que a série consegue entregar com um orçamento obviamente menor do que das grandes produções cinematográfica do gênero. Quem leu The Umbrella pode ter sentido falta de eventos pirotécnicos como a estátua do Abraham Lincoln ganhando vida em Washington ou a Torre Eiffel sendo transformada em foguete de fuga. Mas isso é puro preciosismo de fã. O que nos é entregue, ainda que somente no clímax, é grandioso e coerente ao tamanho da produção, fazendo jus ao formato de narrativa seriada.

Futuro da série

A primeira temporada da série se apoia em histórias contidas tanto no primeiro volume da minissérie em quadrinhos, ‘Suíte do Apocalipse’ quanto no segundo, ‘Dallas’, para construir o seu roteiro, fator que dificulta com que seja possível apostar com segurança sobre o que há de vir na segunda temporada de The Umbrella.

A expectativa é que haja contratações mais certeiras no time de roteiristas, liderado atualmente por Jeremy Slater, responsável pela adaptação de gosto duvidoso do mangá Death Note também para a Netflix, para que, ao contrário do que acontece neste primeiro arco, se encha menos linguiça e que todas as personagens sejam exploradas com o mesmo afinco. 

Além disso, por fugir do universo Marvel/DC e dada a boa recepção de The Boys, série do mesmo gênero produzida pela concorrente Amazon Prime, é esperado que a Netflix aposte ainda mais alto nesta segunda temporada. De certeza, por enquanto, somente as confirmações de três novos nomes no elenco: Ritu Arya (Humans), que interpretará Lila, Yusuf Gatewood (Good Omens) como Raymond e Marin Ireland (Homeland), na pele de Sissy. 

Todos os 10 episódios da primeira temporada estão disponíveis no serviço de streaming. Ouça o Episódio

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