Reprodução de 'Night Sky' (2022)/Amazon Prime Video
Reprodução de 'Night Sky' (2022)/Amazon Prime Video

Em 'Night Sky', Sissy Spacek e J.K. Simmons falam de mortalidade

A dupla estrela ‘Night Sky’, que teve episódios dirigidos por Juan José Campanella e foi parcialmente rodada na Argentina

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão 

05 de junho de 2022 | 05h00

À primeira vista, Irene (Sissy Spacek) e Franklin (J.K. Simmons) parecem um casal de septuagenários comum, que se preocupa com suas rotinas e os cuidados cada vez mais necessários com a saúde. Mas eles escondem um segredo, revelado pela senha: Vamos ver as estrelas hoje? Em vez de sentarem-se nas cadeiras da varanda, os dois vão a uma câmara subterrânea que, por algum mistério, dá para o espaço sideral. 

A série Night Sky, que está no ar no Amazon Prime Video, usa elementos de fantasia, terror ou ficção científica para tratar de dramas bem humanos. “Para nós, a série sempre foi uma maneira de explorar temas como envelhecimento, mortalidade, amor duradouro e poder mergulhar na essência do relacionamento entre essas duas pessoas”, explicou Holden Miller, criador de Night Sky com Daniel C. Connolly. Para Connolly, o elemento de ficção científica tem algo de inesperado em uma trama desse tipo. “Nós queríamos que a série se mantivesse em pé mesmo sem o aspecto do gênero e da ficção científica. O drama e a ficção científica tinham de ser complementares.”

Ajuda bastante que os dois tenham nas mãos atores do porte de Spacek e Simmons, que não apenas são talentosos como carismáticos e funcionam bem juntos. “A maior razão pela qual eu quis fazer foi a pessoa com quem contraceno na maior parte do tempo”, disse Simmons, vencedor do Oscar por Whiplash – Em Busca da Perfeição

Para Miller e Connolly, foi um sonho poder ter a dupla à disposição. “O relacionamento entre os dois precisava parecer real, com o peso de 50 anos de convivência”, disse Miller. “E os dois conseguiram isso imediatamente, sem nunca terem trabalhado juntos. Eles são muito disponíveis emocionalmente, e Sissy também tem algo de etéreo que funciona para Irene e sua natureza questionadora, enquanto J.K. traz algo real, caloroso e bem-humorado.”

Apesar de todo o conteúdo nos serviços de streaming, ainda não é normal ver uma série capitaneada por um casal com mais de 60 anos. “É incomum, ainda mais combinando o fator da ficção científica, ter uma história sobre um casal da nossa idade”, disse Simmons. Spacek acha que é uma série única. “Há uma surpresa em cada esquina”, afirmou. “Eu espero que os espectadores mais jovens gostem de seus avós, porque senão vai ser ruim para a gente”, disse a atriz, brincando. 

Holden Miller acredita que os assuntos discutidos em Night Sky são sempre atuais. “Mas, dado o que aconteceu no mundo nos últimos dois ou três anos, eles parecem ter ganhado mais ressonância”, disse. “E uma das coisas mais legais da ficção científica, da fantasia, do gênero em geral, é que nos permite escapar por algumas horas e habitar outra história. A chave é que no fim estejamos mais nutridos e talvez mais capazes de enfrentar a realidade do mundo e interpretá-lo de maneiras diferentes.”

Irene e Franklin não são, claro, os únicos personagens. “Não somos só nós dois sentados em uma varanda por oito episódios”, brincou J.K. Simmons. A dinâmica da casa muda com a chegada do misterioso Jude (Chai Hansen), que desperta a desconfiança de Franklin e o acolhimento de Irene e desenterra fantasmas do passado. 

Enquanto isso, em uma região remota da Argentina, Stella (Julieta Zylberberg) e sua filha adolescente Toni (Rocío Hernández), parecem ter alguma ligação com o portal para o espaço de Irene e Franklin. A escolha da Argentina não foi casual: os dois primeiros episódios da série são dirigidos por Juan José Campanella, cujo filme O Segredo dos seus Olhos (2009), com Ricardo Darín, ganhou o Oscar de produção internacional. “Eu já tinha trabalhado com ele e sou muito fã de seus longas”, disse Connolly. “Ele tem uma enorme afinidade com histórias humanistas e com pessoas mais velhas. Foi ele a grande inspiração para trazermos a Argentina para a série.”

Holden Miller acredita que esse é o caminho. “Nós queremos histórias novas e diferentes na televisão e moramos em um mundo globalizado. É importante reconhecer isso e colocar na tela. Temos talentos em todas as partes do mundo. Foi incrível trabalhar com os atores e a equipe de lá e rodar naquelas paisagens incríveis.”

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