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Em ‘Invincible’, um jovem herói chega para um público mais maduro

A versão animada da série de quadrinhos cocriada por Robert Kirkman - com caos, destruição e sangue - agora está no Amazon Prime Video

George Gene Gustines, The New York Times

31 de março de 2021 | 20h00

Invincible não é como as outras séries animadas de super-heróis. Para começar, os episódios têm mais de 40 minutos de duração, uma diferença considerável dos tempos de execução mais curtos da maioria dos desenhos animados de super-heróis. Também é extremamente violento e explicitamente sangrento. Uma das primeiras cenas do primeiro episódio mostra um ferimento horrível no olho que, no entanto, parece quase inocente em comparação com a batalha sangrenta e pulverizadora de ossos que ocorre nos momentos finais do episódio inicial.

O caos, a brutalidade e as batalhas macabras são fiéis às raízes quadrinhescas da série que estreou na sexta-feira no Amazon Prime Video. Invincible se baseia na história em quadrinhos de mesmo nome, criada pelo idealizador de Walking Dead, Robert Kirkman, e pelo artista Cory Walker, e publicada pela Image Comics de 2003 a 2018.

Invincible não se intimida com o lado feio dos super-seres massivamente poderosos se enfrentando cara a cara”, disse Kirkman, que também criou a série. “O fato de mostrarmos, de uma forma um tanto realista, quão terríveis são essas consequências e quão selvagens esses seres podem ser, isso é muito importante”.

Alguns personagens, porém, foram reimaginados. O idealista adolescente Mark Grayson, que se torna o herói do título e aprende o fardo e a responsabilidade de ter poderes, agora é descendente de coreanos, para se enquadrar à estrela do programa, Steven Yeun, o veterano de Walking Dead que acabou de ser indicado ao Oscar de melhor ator por Minari. O elenco principal é completado por Sandra Oh, que dubla a mãe de Mark, Debbie, e J.K. Simmons no papel de seu pai, Omni-Man.

“Descobri que, especialmente no passado, como pessoa branca e burra, meu padrão era ‘Para começar, este personagem é branco’”, disse Kirkman. “Então foi bom estar mais atento a isso e ter a oportunidade de trazer a diversidade para a série, uma diversidade que, francamente, deveria estar lá desde o início”.

Invincible começou com três episódios na sexta-feira e seguirá com cinco episódios semanais para completar sua temporada inaugural. E tem ainda mais Invincible pela frente: Seth Rogen e Evan Goldberg estão desenvolvendo um filme de live-action para a Universal Pictures. A Skybound Entertainment, de Kirkman, é uma das produtoras.

Numa entrevista por telefone este mês, Kirkman, que escreveu o primeiro e o último episódios da primeira temporada de Invincible, falou sobre o elenco de vozes, os efeitos especiais e um possível retorno aos quadrinhos. Aqui vão alguns trechos editados da conversa.

Adaptar o quadrinho Invincible para a TV foi mais fácil ou mais difícil do que adaptar The Walking Dead?

De certa forma, é um pouco mais fácil do que The Walking Dead, mas só porque a história em quadrinhos já tinha sido concluída, então tínhamos um roteiro muito mais definitivo para onde ir e como chegar lá. Foi ótimo sentar e dizer: “OK, bom, você sabe, se for um sucesso, é uma estrutura de sete temporadas, ou é uma estrutura de cinco temporadas”.

Vocês se preocuparam com o risco de trazer o nível de violência dos quadrinhos para a tela?

Minha principal preocupação era o risco de nos liminar naquilo que podíamos fazer. O sangue coagulado que aparece nos quadrinhos de Invincible é muito extremo, mas, ao mesmo tempo, acho que é absolutamente essencial para fazer de Invincible o que é.

Você pode falar sobre as mudanças na raça ou etnia de alguns dos personagens?

Bom, os quadrinhos Invincible foram feitos por caras brancos no início dos anos 2000. Aí, de vez em quando, você pensa: “Ah, sim, precisamos botar um pouco mais de diversidade aqui”, mas, no fim das contas, você não tem um livro que represente necessariamente a população do país ou do mundo.

A verdadeira raça de Mark e Debbie nos quadrinhos era um tanto ambígua. Mas eu sabia que queria escalar Steven Yeun, e isso deixou muito mais fácil dizer que esses personagens são descendentes de coreanos. E nós somos muito cuidadosos com nosso elenco de voz, para garantir que todas as etnias dos personagens correspondam ao ator que foi escalado.

A mãe de Invincible parece ter um papel maior na série do que nos quadrinhos...

Acho que a principal razão para isso, além da Sandra Oh, é que Debbie se torna uma personagem muito maior conforme a série avança. Não acho que tínhamos uma noção muito precisa do que queríamos nos quadrinhos. Então, definitivamente foi uma consequência de chegar em retrospectiva e dizer: “Vamos levar a personagem nessas direções diferentes, vamos em frente, para começar a construir isso agora e fazer esta personagem mais completa desde o início”. E aí você tem Sandra, e a personagem vai crescer mil vezes com sua atuação. Tudo isso faz dela uma personagem ainda mais rica e robusta.

Você tem um elenco de voz bastante especial, entre eles o Jon Hamm.

Passei muito tempo com Jon Hamm em várias funções na AMC. É muito bom poder implorar a um cara para fazer algum papel de vez em quando.

Trabalhar na série faz você querer voltar aos quadrinhos?

Estou tentado, com certeza. Penso muito sobre o ponto onde a história terminou e as diferentes possibilidades de fazer algumas coisas. Por enquanto, estou confortável com os quadrinhos concluídos e com a animação em execução, mas quem sabe o que o futuro nos reserva? / Tradução de Renato Prelorentzou

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