Starzplay/Divulgação
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Em 'El Refugio', Pablo Fendrik usa ceticismo para equilibrar ficção científica

'Precisei deixar claro para toda a equipe que acreditava muito no gênero, mas não em coisas paranormais', disse o diretor

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

04 de julho de 2022 | 05h00

Uma família, entre assustada e curiosa, olha para o céu, onde algo apareceu. A cena já foi vista em diversos filmes e séries. Mas, quase sempre, os integrantes da família em questão falam inglês. Não em El Refugio, uma rara série de ficção científica em espanhol, que tem seu primeiro episódio disponível na Starzplay, com cada um de seus outros cinco capítulos estreando às quintas. “Nós vemos isso vindo dos EUA ou da Europa. Sabemos como os norte-americanos reagiriam. Não sei como meu tio reagiria. Eu adoraria ver isso, aliás”, disse, rindo, o ator Alberto Guerra, que faz Damián, em entrevista ao Estadão por videoconferência. “É muito atraente pegar um gênero que nunca foi nosso e tentar torná-lo nosso, fazer todo mundo acreditar que temos feito isso há 50 anos.”

Na série criada por Julio Rojas, que tem Pablo Fendrik como criador e diretor e os irmãos Pablo e Juan de Dios Larraín entre seus produtores executivos, Damián está na fazenda da família, no México, com seus pais, Leonardo e Sara (Alfredo Castro e Paloma Woolrich), e seus filhos, Sofia (Camila Valero), Diego (Diego Escalona) e Emilia (Isabella Arroyo), que passam férias. A mãe das crianças, Victoria (Ana Claudia Talancón), vem buscá-los para levá-los de volta à cidade. O casal se divorciou após a morte da filha mais velha. De repente, coisas estranhas começam a acontecer ao redor do mundo – pelo menos, é o que diz a internet. Não dá para saber ao certo o que é real ou não, apenas que muita gente está em pânico. “Damián precisa colocar de lado o luto e a dor para focar em salvar sua família”, explicou Guerra. 

Para Fendrik, foi uma oportunidade e tanto poder fazer uma ficção científica como aquelas que cresceu assistindo, nos anos 1980 – mesmo sendo um cético. “Eu precisei deixar claro para toda a equipe que acreditava muito no gênero, mas não em coisas paranormais, nem em Óvnis, vida extraterrestre, fantasmas ou espíritos. Não acredito em Deus nem em religião nenhuma”, disse o diretor ao Estadão, por videoconferência. Para ele, esse ceticismo foi como um controle de qualidade. “Só entrou o que era bom para a narrativa.” 

Como quase sempre quando se trata de uma ficção científica, os mistérios e acontecimentos anormais estão ali para tratar de outra coisa. “É um drama familiar, e o que acontece termina sendo um fator de reunificação dessa família”, contou Fendrik. “Eles precisam se tornar uma família forte novamente para poderem sobreviver.” Para a atriz Camila Valero, isso faz com que a história seja de fácil identificação. “São dramas humanos, família, amor, união e desunião.” 

Pandemia

Mas El Refugio também tem um paralelo com a pandemia. “Acredito que há uma grande metáfora na série sobre como as coisas acontecem, se desenrolam e como reagimos a elas”, concluiu Guerra. “Nós começamos a ver notícias aterrorizantes, nos disseram que o mundo estava acabando, mas a vida continua. A pandemia veio para nos mostrar como reagiríamos a algo assim. Acho que a série é bem certeira.” 

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