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Diretor Eugene Ashe revela inspirações do filme 'Sylvie's Love'

A história acompanha os altos e baixos de um relacionamento entre Robert (Nnamdi Asomugha), um jazzista em ascensão, e Sylvie (Tessa Thompson), que trabalha com produção para a TV

Mekado Murphy, The New York Times

01 de dezembro de 2020 | 05h00

O grande romance está de volta. Gênero típico dos anos 1950 e 1960, os filmes que transportavam o público em uma épica jornada de amor (frequentemente estrelados por Audrey Hepburn) se tornaram um pouco menos comuns nas décadas mais recentes. Mas o roteirista e diretor Eugene Ashe retoma a exploração desse filão com Sylvie’s Love, que chega à Amazon Prime no dia 25 de dezembro.

Situado na Nova York dos anos 1950 e 1960, o filme evoca a era de ouro de Hollywood, mas dessa vez são personagens negros que ocupam o centro. A história acompanha os altos e baixos de um relacionamento entre Robert (Nnamdi Asomugha), um jazzista em ascensão, e Sylvie (Tessa Thompson), que trabalha com produção para a TV. As inspirações de Ashe para o filme cobrem diferentes formas artísticas, assim como a própria carreira dele. Além de trabalhar no cinema, Ashe já trabalhou na indústria musical, estudou arquitetura, foi dono de um clube de comédia e um restaurante.

Conversamos pelo Zoom sobre Sylvie’s Love. Eis alguns trechos da conversa.

Nancy Wilson

Seja no desenvolvimento do personagem ou na criação da atmosfera da cena, a música foi uma influência importante em Sylvie’s Love. O personagem de Asomugha, Robert, integrante de um quarteto de jazz, nasceu da dinâmica que Ashe desenvolveu com o grupo de R&B Funky Poets, do qual participou nos anos 1990. Mas a principal inspiração foi a cantora Nancy Wilson. 

Dois dos discos que Ashe ouviu na infância foram The Swingin’s Mutual, do George Shearing Quintet, e Nancy Wilson/Cannonball Adderley. Ele disse que trouxe para o roteiro canções como The Nearness of You, e escreveu orientado por elas. “Olhei para as capas dos discos de Nancy Wilson, e era essa a aparência de Sylvie na minha cabeça.” Uma das capas que mais se destacam é a de Hollywood – My Way, com Nancy Wilson na Hollywood Boulevard, banhada no brilho das luzes da cidade. “Essa é a luz que procuramos”, disse ao fotógrafo do filme, Declan Quinn.

Gordon Parks

A fotografia foi outro elemento vital do filme. Ashe gostou das imagens de Gordon Parks. Em especial Department Store, Mobile, Alabama (1956), que mostra uma mulher e uma criança sob uma placa que diz Entrada para Pessoas de Cor. “Quando conheci Tessa, mostrei a foto a ela e disse ‘este é o filme que quero fazer’ e dei zoom na imagem, cortando a placa, deixando apenas a mulher e a criança. Não era para ser um filme sobre adversidade, mas sobre nossa humanidade.”

O programa Dick Van Dyke

Sylvie leva uma vida doméstica pontuada pelo estilo moderno. A família vive em Nova Rochelle, Nova York, e essa escolha foi inspirada no The Dick Van Dyke Show, bem como a decoração. “Cresci vendo reprises desse programa, e achava Mary Tyler Moore linda.” Ashe encontrou fotografias still coloridas do set de filmagem do programa que ajudaram a recriar aquele clima.

‘Paris Vive à Noite’. Ashe disse que, ao criar a química entre os dois protagonistas, suas influências foram filmes como Nosso Amor de Ontem (1973), bem como filmes estrelados por Diana Ross e Billy Dee Williams como O Ocaso de uma Estrela (1972) e Mahogany (1975). Suas principais influências foram o livro e o filme Paris Vive à Noite (1961). O romance de Harold Flender foca no relacionamento que nasce em Paris entre um músico negro e uma professora visitante. Mas o filme relega esse casal, interpretado por Sidney Poitier e Diahann Carroll, e acrescenta um casal branco, vivido por Paul Newman e Joanne Woodward, que assume o protagonismo.

“Eu me perguntava como seria se esse filme fosse feito com personagens negros, mais semelhante ao livro original.” Uma cena de seu filme homenageia Paris Vive à Noite, quando Sylvie vê Robert tocar pela primeira vez e se apaixona por ele imediatamente. “Tiro de cena alguns dos outros instrumentos e me concentro apenas nele tocando. É um efeito mais hipnótico, com todos desaparecendo até que restem apenas os dois.” / TRADUÇÃO DE AUGUSTO CALIL

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