Netflix
Netflix

Crítica: 'Hollywood' traz representatividade e otimismo numa fictícia era de ouro do cinema

Ao trazer à tona essas questões, a série mostra, nas entrelinhas, que, mesmo décadas depois, Hollywood não conseguiu superar velhos hábitos

Adriana Del Ré, O Estado de S.Paulo

26 de maio de 2020 | 05h00

A série Hollywood, que estreou este mês na Netflix, é uma recriação da chamada era de ouro do cinema americano, nos anos 1940, e aí está a grande sacada da produção assinada por Ryan Murphy e Ian Brennan. Personagens reais misturam-se a figuras fictícias nessa reconstrução de uma Hollywood que – diferentemente da maneira machista, racista e homofóbica como, de fato, se comportava – poderia ter quebrado regras e lançado um olhar para a diversidade: ao dar poder de comando de um grande estúdio a uma mulher; ao permitir que artistas se assumissem gays; ao dar crédito a um roteirista negro nos letreiros; ou ao alçar ao estrelato uma atriz negra. São situações que, à época, eram impensáveis. Mas e se realmente tivessem acontecido? 

Ao trazer à tona essas questões, a série mostra, nas entrelinhas, que, mesmo décadas depois, Hollywood não conseguiu superar velhos hábitos. Atrizes ainda precisam exigir equiparidade salarial e diretoras acusam a Academia de serem marginalizadas no Oscar, assim como atores negros ainda clamam por melhores papéis e maior presença entre os indicados nas premiações. 

Para contar sua história, os criadores Murphy e Brennan apostaram na ‘desglamourização’ ao focar nos bastidores, naqueles que chegam a Hollywood com um sonho, mas que enfrentam uma dura jornada para torná-lo real, do preconceito ao assédio moral e sexual. Na série, uma nova geração de diretores, roteiristas e atores ajuda a desencadear uma transformação sem precedentes num grande estúdio cinematográfico, o Ace Studios. E os aspirantes a ator Jack Castello (David Corenswet) e Rock Hudson (vivido por Jake Picking, inspirado no astro de Hollywood que só tardiamente se assumiu gay), o diretor de ascendência filipina Raymond Ainsley (Darren Criss) e o roteirista negro e gay Archie Coleman (Jeremy Pope) se unem para fazer história com o filme Meg, protagonizado por uma atriz negra, a novata Camille Washington (Laura Harrier). 

Apesar dos temas mais áridos, a produção carrega a áurea que povoa o imaginário quando se fala na era de ouro de Hollywood. Investe na estética ensolarada de Los Angeles – e no otimismo em meio às adversidades, de que nada é impossível ‘na terra dos sonhos’.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.