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Com estreia em 2021, 'Cidade Invisível' une folclore nacional e suspense, com Marco Pigossi

Criada por Carlos Saldanha, série da Netflix resgata universo das lendas brasileiras em investigação policial; assista ao trailer

Leandro Nunes, O Estado de S.Paulo

17 de dezembro de 2020 | 05h00

Um menino negro com uma bandana vermelha na cabeça corre pela cozinha de uma casa dando nó em pano de prato e azedando o leite. Ao tropeçar e cair no chão, uma surpresa: ele usa uma prótese em uma das pernas. Não é necessário perguntar para o brasileiro comum qual o nome do sujeito, mas será que o mundo conhece o nosso Saci-pererê?

Essa foi uma das indagações do diretor e animador Carlos Saldanha, criador da série Cidade Invisível, que estreia no dia 5 de fevereiro na Netflix. Conhecido pelo sucessos das animações A Era do Gelo, Rio, Robôs e O Touro Ferdinando, Saldanha tem quase três décadas de carreira no cinema infantil e agora assina seu primeiro live-action. “O desejo sempre foi de criar histórias, mas também de assumir desafios, mudar o tom, buscar outras inspirações”, conta. “Há algum tempo eu queria algo cheio de brasilidade, com uma equipe brasileira, mas que fosse algo para o mundo todo assistir.”

No streaming mundial, séries como American Gods (Amazon Prime) ou mesmo Ragnarok (Netflix) se apoiam no imaginário folclórico de outros lugares do mundo e atualizam os mitos para uma leitura mais contemporânea, como Isaac, o Saci, de Cidade Invisível. “Seria muito óbvio colocar um gorro vermelho no personagem”, aponta Saldanha. “Nosso trabalho foi trazer elementos retrô, mas também atualizar as personagens. A cultura popular brasileira tem muito disso, uma mistura europeia, indígena e africana.”

Na trama, o protagonista se chama Eric e é um fiscal ambiental no Rio de Janeiro. Interpretado por Marco Pigossi, a produção de sete episódios abre com a saudosa festa junina, mais um elemento da nossa cultura popular. Durante a comemoração, a esposa de Eric desaparece e é encontrada morta na região. “Ele já começa tendo que lidar com o luto e as dificuldades de um pai solteiro”, conta o ator ao Estadão.

Enquanto tenta recolher os cacos, um caso curioso transporta o personagem para um novo – e invisível – mundo. “Ele encontra um boto-cor-de-rosa morto na areia da praia e a vida de Eric ganha outro rumo.”

Carreira internacional. Desde que se tornou conhecido na novelas brasileiras, Pigossi queria alçar voos maiores. Sua saída da Rede Globo e a estreia em Tidelands (2018), da Netflix, marcam a inquietação do ator. “Queria ter mais independência na carreira, além de buscar novos horizontes. Estrear uma série gravada na Austrália, por exemplo, falando outra língua é um intercâmbio cultural importante para mim”, lembra o ator que também está no elenco da terceira temporada de Alta Mar, produção espanhola da Netflix.

No papel do fiscal Eric, em Cidade Invisível, Pigossi verá um novo mundo descortinado, comandado pela magia antiga e seres fantásticos que habitam a atualidade, como a Cuca, a sereia Yara, Curupira, o Saci, e outras lendas folclóricas brasileiras.

No elenco, estão Alessandra Negrini, Julia Konrad, Jimmy London, Wesley Guimarães e José Dumont. “O mais interessante da série é compreender tudo pelos olhos do investigador”, conta Pigossi. “Quando nos deparamos com o desconhecido, a nossa primeira intenção é pensar em um inimigo. Mas aos poucos, ele percebe que pode ter ajuda desses seres para solucionar o mistério da morte de sua esposa.”

'O Brasil está cheio de mitos', diz o diretor e animador Carlos Saldanha

Seu trabalho é conhecido pelas franquias de sucesso, como A ‘Era do Gelo’, ‘Rio’ e ‘O Touro Ferdinando’. Como é estrear sua primeira live-action?

Sempre busquei formas de contar histórias, mudar de tom, buscar inspirações. A diferença agora é que não se trata de um filme, a dramaturgia é muito parecida, mas os personagens têm mais histórias e são mais complexos.

A série ‘Cidade Invisível’ tem uma trama policial que aos poucos se torna fantástica. Quais os desafios do personagem Eric, de Marco Pigossi?

Ele tem uma jornada de autoconhecimento depois de enfrentar uma grande perda. Essa tragédia o leva para um caminho invisível, que ele não reparava, mas passou a enxergar. 

A produção foca no imaginário do folclore brasileiro, cheio de lendas e histórias, espalhados pelo País e que ouvimos desde criança. Como foi se voltar a este material de pesquisa?

A gente consome séries como ‘American Gods’ que resgatam os mitos antigos e o Brasil está cheio deles. A nossa cultura popular brasileira tem essa marca ao reunir elementos de origem europeia, indígena e africana.

 

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