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Ator de 'Harry Potter', Rupert Grint revela quais são os seus itens culturais obrigatórios

Artista, que atualmente estrela a segunda temporada de 'Servant' da AppleTV+, conta ainda que a paternidade recente o ajudou a ter consciência a respeito do amor

Kathryn Shattuck, The New York Times

22 de janeiro de 2021 | 11h00

Rupert Grint, o Rony Weasley de Harry Potter, não ficou muito aborrecido em março do ano passado, quando a pandemia parou a produção de Servant, o thriller psicológico de M. Night Shyamalan sobre um casal que substitui o filhinho morto com uma boneca.

A sua parceira, a atriz Georgia Groome, estava grávida da filha, Wednesday, e graças ao lockdown ele pode desfrutar dos primeios meses de sua vida no santuário de sua casa em North London. Ele pôde também afastar por um pouco da mente o mundo esquisito, claustrofóbico de Servant - um prédio baixo marrom em Filadélfia com a parafernália de criança, e também, algo bastante assustador, o mesmo carrinho que haviam comprado para Wednesday.

“Acho que não é o melhor programa para uma pessoa se envolver quando se torna pai”, disse Grint, que  faz o papel do impetuoso tio beberrão da "boneca-filha", Julian. “O set tem este tipo de estranha energia porque o evento trágico que ali aconteceu fica grudado nas paredes. Muitas vezes sinto certo alívio quando posso cair fora de lá”.

No entanto, a paternidade o ajudou a compreender melhor a psicologia de Dorothy (Lauren Ambrose), a mãe atormentada do seriado, quando ele voltou ao set, no final do ano passado.  

“Eu não tinha consciência disso a respeito do amor”, ele disse, falando dos seus itens culturais que considera obrigatórios, enquanto Wednesday balbuciava no fundo, “e como  você não pode fazer nada para ter o seu bebê de volta”.

 


Abaixo alguns trechos da conversa:

1. 'Rose’s Turn' de 'Gypsy', a Versão de Ethel Merman

Estranhamente, eu nunca vi o espetáculo, nunca vi uma versão cinematográfica. Não sei como pude, porque sei que é algo colossal. Mas neste inverno, perto do Natal, ouvi a música por acaso no rádio e fiquei obcecado por ela. Há vários níveis diferentes. Agora conheço o contexto, e realmente me comoveu. Vi Imelda Staunton (Dolores Umbridge) em Harry Potter e as Relíquias da Morte: Parte I interpretá-la no YouTube, que é absolutamente incrível. Mas adoro ouvir a versão de Ethel. É como a paixão maternal que sentimos. Também acho que vou ser uma grande mamãe do palco, para poder me conectar com aquilo.


 

2. Livros para crianças de Tomi Ungerer

Acho que Wednesday ainda é um pouco jovem para eles, mas tenho uma enorme biblioteca  pronta para ela. São belos livros - tão à frente do seu tempo e maravilhosamente ilustrados. Um deles se intitula Otto, e é a autobiografia deste ursinho; fiquei absolutamente arrasado depois de ler isso. É a história de toda a sua vida, mas acho que se poderia dizer de Auschwitz e de como o ursinho sentiu a experiência do campo. Não parece muito adequado para crianças, mas acho que Ungerer não tem medo de mostrar o lado negro da humanidade.


 

3.Cerâmicas em miniatura

Este é o hobby do lockdown que adotei. Você coloca as peças sobre uma roda especial, do tamanho de uma moeda de um dólar. A roda é algo que sempre me impressionou, como uma bolha de argila. É algo tremendamente terapêutico e a gente literalmente se perde em pensamentos. Elas são rápidas também. Elas têm pouco mais de dois centímetros e meio ou mais. Fiz algumas realmente legais em escala de casa de boneca. São completamente inúteis.


 

4.'Revisionist History' de Malcolm Gladwell

Este é há algum tempo o meu passatempo no podcast à noite. Ele tem uma maneira impressionante de dissecar momentos da história que eu sequer imaginava e de subvertê-los, fazendo com que eu possa compreender o que aconteceu. É conciso e fácil de assimilar. Um realmente bom foi sobre a nova versão das batatas fritas do McDonald’s e de como eles foram mudando a receita ao longo dos anos. Outro  foi sobre a canção Hallelujah de Leonard Cohen, os problemas que ele teve durante a sua feitura. Ele vai bem a fundo no tipo de minúcias que eu sempre, sempre amei de verdade.


 

5.'The Curse of Oak Island'

Sempre me intrigou a história deste grupo de caçadores de tesouros em uma ilha ao largo da Nova Escócia. Trata-se de um grande conjunto de personalidades experimentadas, homens de jeans obcecados por este tesouro que possivelmente sequer estará lá. Há algo de muito trágico neste fato, mas também é maravilhosamente escrito. E o verdadeiro tesouro é o fato de eles se encontrarem para fazer esta coisa que só podem fazer por poucos meses ao ano. E nunca tem fim.


 

6.'The Legend de Zelda: Breath of the Wild'

É puro escapismo. Sempre adorei o mundo de Zelda. Não que eu seja um fantástico profissional de videogames, mas este jogo absolutamente consumiu horas da minha vida. Tem histórias incríveis, desenhos maravilhosos. Pode-se colher frutinhas vermelhas e cozinhar  em uma fogueira. Ainda não o terminei totalmente, mas é uma obra realmente especial. Não acho que os jogadores recebam o devido reconhecimento por aquilo que criam. Há universos impressionantes nos quais podemos mergulhar completamente, quando são bem feitos. Acho que Zelda é perfeito.


 

7. Gamão

Sempre gostei muito de jogos de tabuleiro; ao longo dos anos  fui reunindo uma considerável coleção. Há cerca de quatro anos, Georgia e eu compramos um tabuleiro de gamão e aprendemos a jogar. Agora, levo um tabuleiro onde quer que eu vá. Todo mundo adora xadrez depois do seriado O Gambito da Rainha. Mas o gamão, na minha opinião, é um jogo mais antigo, e os dados envolvem também alguma sorte. Houve uma fase em que jogávamos talvez dez partidas por dia. Ele modifica realmente o cérebro.


 

8. Middle Child Sandwiches

É um lugar que todos precisam absolutamente conhecer. Eu o descobri quando fui pela primeira vez a Philly, e Philly é um lugar tão fabuloso em matéria de comida que não precisa ir muito longe. A Middle Child faz uma coisa perfeita: o hoagie é o espaço onde se joga. Os sanduíches são simples, mas são muito gostosos. E a decoração é muito moderna, muito legal. Eu costumo ir para  a loja Shopsin Club ou a Surfer. Aí não tem erro.


 

9. Apicultura

Fiz isto por quatro anos. Não é fácil, mas é absolutamente fascinante. Não sei ao certo o que nos levou a fazer isto, porque tenho pavor de picadas. As abelhas são uma coisa extremamente importante e observá-las em sua colmeia é incrível - elas trabalham muito e cada uma  tem uma tarefa específica. Há as abelhas cuidadoras e as abelhas agentes funerários, que levam para fora as abelhas mortas como coveiros. É uma loucura observá-las. Eu tenho uma colmeia no nosso quintal, em um canto tranquilo. Elas ficam na delas. A gente acha que poderia ser invadida por abelhas em qualquer lugar, mas elas são muito determinadas. Sabem exatamente onde conseguir o pólen. É realmente uma colônia feliz. Fico absolutamente maravilhado com a rainha.


 

10.“Verifique com o dr. Steve Brule”

Acho que ele nunca admitiu isto, mas acho fascinante que (John C. Reilly) tenha criado este personagem que é realmente uma pessoa diferente. É um personagem muito absurdo e tão bem elaborado que pode fazer com que entendamos o que elas pensam. É verdadeiro dom poder criar algo deste tipo. Estou entrando ainda mais na comédia americana. Os inúmeros e antigos SNL (Saturday Night Live) e Tim & Eric, de onde nasceu Steve Brule. Amo este tipo de anarquia e de caos que eles criam.


Tradução de Anna Maria Capovilla

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