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Alejandro Amenábar explora briga por posse de tesouro em 'La Fortuna'

'É muito raro ter uma série em espanhol em inglês', destacou diretor, que mostra a cultura dos dois lados do Atlântico, em entrevista ao 'Estadão'

Mariane Morisawa, Especial para o Estadão

20 de fevereiro de 2022 | 05h00

Diretor de Os Outros (2001) e Mar Adentro (2004), Alejandro Amenábar estava procurando algo mais leve depois de Enquanto a Guerra Durar (2019), sobre o escritor Miguel de Unamuno e a ascensão do general Franco. Topou com a graphic novel O Tesouro do Cisne Negro, de Paco Roca e Guillermo Corral. 

“Fiquei empolgado desde a primeira página, tinha algo de Tintin ali”, disse Amenábar em entrevista ao Estadão por videoconferência. “Eu tinha feito um filme muito político, sério, e estava precisando de algo que fosse puramente entretenimento.”

Assim surgiu sua primeira incursão na televisão, a minissérie La Fortuna, que exibe seu sexto e último episódio neste domingo, 20, às 22h (Brasília), no AMC – os capítulos anteriores têm reprises na programação e estão disponíveis nas operadoras de VoD que oferecem o canal em seu pacote. 

Em La Fortuna, Stanley Tucci é Frank Wild, um caçador de tesouros americano que usa tecnologia de ponta para descobrir uma fragata afundada, cheia de moedas e outras preciosidades. Enquanto isso, um jovem funcionário do Ministério da Cultura da Espanha tenta provar que o navio pertencia à Coroa Espanhola e carregava valores vindos das colônias da América. 

Dois lados

“Ele compreende que recuperar o tesouro é importante não por razões econômicas, mas de identidade cultural”, explicou o diretor. “Não dá para alguém vir do outro lado do mundo e, com a vantagem da tecnologia, tirar tudo o que achar do fundo do mar.”

Para ele, foi bom explorar as culturas dos dois lados do Oceano Atlântico: a cultura mediterrânea e a norte-americana – e não ficar apenas na trama em si. “É muito raro ter uma série em espanhol e inglês. Mas eu me senti confortável porque já tinha feito filmes em ambas as línguas.”

Claro que La Fortuna levanta a questão: se o navio estava carregando riquezas das colônias americanas, quem estava pirateando quem? “Eu pensei muito nisso, mas vamos precisar de outra série para falar do assunto”, disse Amenábar. 

Para o diretor, a experiência de fazer algo para a televisão foi uma coisa que ele gostaria de repetir. A única diferença, é claro, foi a duração das filmagens. Para fazer seis episódios, ele levou cinco meses, mais do que qualquer de seus longas anteriores.

 

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